Eu prometo





Ainda não te conheço. Não sei onde você mora, com quem mora, não sei da sua vida, seus costumes. Não sei sua fisionomia. Se é loira, morena, ruiva, cor natural ou com tintura, alta ou baixinha, magrinha ou gordinha, se faz o tipo "gostosa" ou não, se tem dentes perfeitos ou se ainda usa aparelho. Se tem o cabelo liso ou encaracolado. Não sei se seus lábios são pequenos ou grandes, se seus olhos são castanhos ou verdes, se seu rosto é oval ou quadrado. Não sei se tem personalidade forte ou se é maleável. Se gosta de ter sempre a última palavra em tudo ou se está sempre aberta a outras opiniões. Não sei o que você gosta de fazer aos domingos à tarde, nem nos sábados à noite. Não sei se você gosta de café fraco, bife malpassado, Coca Light. Não sei se já tem quase trinta ou se é adolescente. Não sei quem são seus amigos, se você é tímida como eu ou expansiva, se é popular ou passa despercebida, se gosta de baladas ou prefere comer pizza em casa. Não sei quem são seus pais, se são gente boa ou implicantes que pegam no pé da filha, não sei se tem irmãos ou irmãs, se já tem sobrinhos, quem são seus tios, tias, avós, primos. Não sei quais são seus costumes. Não sei se vem de família tradicional ou moderna, se a família é perfeita ou se tem brigas entre tios. Não sei quais são seus medos. Não sei o que te faz sentir receio, quais são seus limites físicos e psicológicos e o que te assusta. Não sei quais foram seus relacionamentos anteriores, se sofreu com eles, se amou muito, se foi enganada, se enganou, se chegou ao noivado, se jurou amor eterno, se usou aliança, se talvez foi até casada. 

Não, eu não sei nem quem é você. Talvez nem saiba se você existe, de fato. E você também não sabe quem eu sou. Pode ser que você também nem saiba que eu existo. Mas te prometo uma coisa: quando te conhecer e você me der a chance de te conhecer, vou te amar como nunca amei ninguém na vida.

Prometo ser a base da sua vida, para onde você sabe que pode recorrer sempre que precisar. Prometo ser o ombro quando você precisar desabafar sobre sua irmã que anda falando mal de você pra sua mãe, ou da colega do trabalho que quer te passar a perna. Prometo ser o seu "maior amigo, melhor amor". Prometo ser o braço que vai te sustentar e proteger de cair quando você tropeçar na rua. Prometo te dar um beijo sempre ao acordar e dizer que você está linda, mesmo se estiver despenteada e com os olhos sujos. Prometo deixar você mudar meu visual, simplesmente pra atacar de estilista e me usar como cobaia. Prometo não olhar a bunda nem o decote de outra mulher quando estiver com você (quando você não estiver por perto não garanto muita coisa...). Prometo te acompanhar na festa de aniversário da sua amiga, mesmo que me sinta um peixe fora d'água no meio de tanta gente desconhecida. Prometo esperar pacientemente quando você entrar só pra dar uma olhada no sapato da promoção da vitrine e demorar 45 minutos experimentando todos os modelos da loja. Prometo não sujar o tapete da sala de barro quando chegar todo sujo do futebol. Prometo não deixar a tampa do vaso aberta nem a toalha molhada em cima da mesa, e nem os sapatos espalhados pela casa. Prometo reparar quando você cortar as pontinhas do cabelo ou quando fizer as unhas na manicure. Pelo menos vou tentar... Prometo buscar o pão, dar banho no cachorro, abrir a porta do carro pra você sair e segurar sua mão na rua. Prometo te ligar na hora do almoço e mandar SMS durante o dia apenas pra dizer que te amo. Prometo acariciar seu cabelo e beijar seu rosto carinhosamente, quando você se deitar sobre meu ombro pra ver a novela. Prometo não reclamar quando sua amiga chata vier te visitar. Prometo não falar mal da sua mãe. Não na sua frente. 

Na verdade, esqueça tudo isso. Não vou prometer nada. Tanto porque certas coisas eu nao vou conseguir cumprir, mesmo. Vou prometer apenas uma coisa: te amar do jeito que você é, com sua personalidade e sua "bagagem". Cumprindo essa promessa,todo o resto vai acontecer como consequência.

Se você quiser alguém pra ser só seu é só não se esquecer: estarei aqui.

Vanessa Gutierrez | BloGirl #8





Leo Abujamra

Fala gente boa, tudo bem?

Sou o Leo Abujamra e o grande Wesley Talaveira me convidou pra assumir a tag BloGirl aqui no blog. Convite aceito com muita honra! Leio o blog há um tempo e sou fã de tudo o que o Wesley escreve! Minha ideia pra coluna é trazer mensalmente garotas não famosas, mas lindas e que tenham algo a mostrar além da beleza. 

E pra estrear minha participação por aqui convidei uma garota linda que sigo no Instagram. A Vanessa é modelo e uma das "musas" do Instagram, com mais de sete mil seguidores que acompanham lá sua rotina. Super simpática, a Vanessa aceitou participar aqui da coluna do blog. Não tinha melhor forma de estrear, né? haha

Todas as fotos do ensaio foram retiradas do Instagram da Vanessa. Aproveita e segue lá!







































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A série BloGirl tem a tarefa de, mais do que publicar ensaios sensuais, reeducar os homens na forma como admirar a beleza feminina, com ou sem nu. Como? Expondo a beleza delas e ensinando os homens a admirar da forma certa.

Temos uma política de publicação específica para essa coluna. Saiba mais aqui. Quer participar da coluna? Envie e-mail para contato@quemfoiquedisse.com A/C Larissa Oliveira com seu perfil no Instagram. 

Bonzinho





Ele raramente discorda do que alguém diz. Está sempre sorrindo. É paciente quase o tempo todo, e quando se irrita, não demonstra. Evita ao máximo entrar em atrito com as pessoas. Leva desaforo pra casa. Engole seco. É amigo de todo mundo. Cumprimenta o motorista e o cobrador do ônibus, e sorri quando alguém pede desculpas por ter pisado no seu pé. Pede licença pra entrar e sair, está sempre pronto a fazer favores aos outros, agradece quando recebe algo. Quase impossível ouvir um "não de sua boca". Entre as mulheres, é o amigo legal para quem elas desabafam e contam que estão afim de outro cara. Entre os outros caras, é o sem personalidade. 

Ele é tudo isso aos olhos dos outros. Segundo a opinião popular, ele é o "bonzinho". 

Bonzinho é aquele cara que não chama a atenção das pessoas, para quem os outros olham com olhar de pena, e exclamam "ele é tão bonzinho", se por acaso ele virar assunto em alguma roda de amigos. Há os mais céticos que desconfiam da "bondade" do bonzinho, citando ditados de vó como "boi manso que derruba carroça", "lobo em pele de cordeiro", "é dos bonzinhos que eu tenho medo" e por aí vai. Mas na crença popular, o bonzinho é o cara ingênuo, bobo, que pode ser enganado facilmente, que pode ser ludibriado e nem percebe se for ignorado. 

Mas será que o bonzinho é tudo isso mesmo?

Arrisco dizer que em 90% dos casos, não. 

Bonzinho na verdade é o cara que tem preguiça de entrar nas mazelas da relação social, relação essa que insiste em tentar entender o outro e o adaptar ao seu mundo. O bonzinho é o cara que se relaciona superficialmente com todo mundo, não por ser ingênuo, mas por não ter a menor vontade de conhecer melhor quem não faz questão da sua presença. 

O bonzinho sabe que nem todo mundo é seu amigo, que nem todo mundo gosta dele como diz gostar e que nem todo mundo o vê como diz ver. Mas ele prefere manter a cordialidade com todos, pois além de evitar atrito com pessoas desnecessárias, pode filtrar os que vivem ao seu redor; ele distribui amizade, os amigos de verdade correspondem. Ele lança a rede. Os que voltarem são os que ele pode contar. 

O bonzinho tem total consciência de que o mundo é sim complicado, de que as pessoas não são boas e de que a qualquer momento alguém pode querer "ferrar" com sua vida e puxar seu tapete. Nesse caso ser bonzinho vira sua maior defesa; o bonzinho é o último a oferecer riscos, e sendo assim, consegue o que quer sem enfrentar grandes concorrências.

O bonzinho sabe que as mulheres em geral não se interessam por homens como ele. Mas quem disse que ele está interessado em mulheres que preferem os cafajestes? Deixe que elas quebrem a cara com os homens errados. Há, em algum lugar, uma mulher inteligente o suficiente para saber que esse é o tipo de sofrimento que pode ser facilmente evitado se ela tiver mais critérios para escolher seu homem, e dentro desses critérios o bonzinho é o cara que preenche quase todos os requisitos.  

Bonzinho é o cara que tem coisa mais importante pra fazer do que entrar nas discussões vazias e sem sentido que permeiam a rotina da maioria das pessoas, e prefere concordar com tudo a ter que manifestar opinião sobre as coisas ridículas que geralmente são tratadas como sérias por gente vazia e sem conteúdo. 

Bonzinho é o cara que vê todas as pessoas como iguais e merecedoras da mesma atenção, daí dedicar o mesmo tratamento a todos, desde o supervisor até o motorista do ônibus. 

Bonzinho diz sim pra todo mundo não por concordar com tudo e muito menos por ter medo de discordar, mas sim porque sabe que sua opinião própria é questão particular sua, e que é melhor concordar com os outros do que ter de dar satisfação sobre o que pensa.

Bonzinho não tem "paciência de Jó". Ele se irrita sim, se estressa como qualquer outra pessoa, mas ele resolve sua irritação e seu estresse de outro jeito. Em vez de descontar em quem vive ao seu redor ele prefere buscar a fonte da sua irritação e corrigir. 

Bonzinho é o cara que, na verdade, faz de tudo para viver bem. É o que guarda sua energia e emoções para as ocasiões certas, e em todas as outras ignora os fatos com sua suposta bondade. A bondade é sua forma de dizer "dane-se o mundo, eu quero é ficar bem". 

Paulistanear #1: Conheça Eduardo Lages, o "escritor da Paulista"


Eduardo Lages, escritor. Fonte: Facebook


Por Weslley Talaveira

Oi gente bonita e interessante! 

#Paulistanear é a nova hashtag aqui do blog. O objetivo é mostrar uma SP que nem sempre percebemos, uma SP humana, viva. Queremos provar que existe sim amor em SP, e muito, é só saber procurar! Vamos dar curiosidades, dicas de passeios, particularidades e outras coisas sobre nossa querida e amada São Paulo, a "cidade grande" de 12 milhões de habitantes, terra de herois, lares de mães, paraíso se mudou para lá... Tá, parei!

A primeira dica de hoje é o trabalho do escritor Eduardo Lages. Ele escreveu seu primeiro livro, Querido Jaime, de forma independente e é o responsável pela divulgação do livro. E encontrou uma maneira muito criativa de fazer isso: se expondo. Diariamente ele está na altura do n° 2000 da Avenida Paulista, vendendo e divulgando seu livro, e usa o tempo livre para escrever o segundo romance, que está quase saindo. 

Em Querido Jaime, Jaime é um senhor de 72 anos que vive recluso mas que, num determinado momento, se vê obrigado a sair de casa e enfrentar as ruas agitadas de São Paulo. Além de retratar com fidelidade bairros importantes da capital, a delicadeza com que o protagonista é descrito é incrível! Impossível não se identificar e se emocionar com o velhinho por vezes teimoso. O livro é pequeno, então a leitura é rápida, mas nem por isso superficial. É um desses livros que marcam.

Fui visitar e conhecer o trabalho dele já no finalzinho do dia. Saí correndo do trabalho e peguei o metrô para dar tempo de encontrá-lo, que me esperou pacientemente pra vender mais um exemplar do livro e conversar um pouquinho. Foi uma conversa rápida, mas bastante agradável!

Se interessou pelo livro? Só encontrar com ele na Paulista 2000 de segunda a sexta. O livro custa 20 dilmas e ainda vem comn dedicatória, desenho e marcador de páginas. Não mora em SP? Bate um papo com ele lá no Facebook que ele dá um jeito! 

Quem disse que não existe amor em SP?

Freakpedia #19: Arlequina de um jeito que você nunca viu (NSFW / +18)


Bárbara Costa em cena da websérie "Puro Êxtase"


Lorena Sterblich


Fala, gente bonita!

Tão legal quanto ver nossos herois de infância ganharem vida na tela do cinema - o que está virando moda nos últimos anos - é vê-los totalmente desconstruídos da sua imagem original e inseridos a outros temas. Acerta sempre quem aposta nessa mistura. 

E foi isso que o pessoal do Puro Êxtase fez. O canal no Youtube já é bem conhecido pela série de vídeos em que coloca pessoas fazendo coisas comuns enquanto são estimuladas sexualmente por outra pessoa embaixo de uma mesa. A intenção é desconstruir o orgasmo e mostrar que qualquer situação pode ser propícia ao prazer. O canal deu um show de criatividade com a "Liga do Orgasmo", episódio da websérie em que coloca a atriz pornô Bárbara Costa como Arlequina de Esquadrão Suicida sendo estimulada por uma parceira enquanto jogava - ou pelo menos tentava jogar - "Injustice: Gods Among Us", no XBox.

O resultado é, no mínimo, divertido! Se você está em casa e sozinho, dá play no vídeo abaixo. Se você está no trabalho ou na casa da vó e não viu o NSFW no título, NÃO ABRA O VÍDEO! Não tem sexo explícito, mas não vai ser legal ser pego pelo seu chefe ou pela sua tia assistindo isso! 

Confere aí:


 


Sou Candidato Porque #1: Entrevista com Dodô Quarentão




"A política está vivendo um momento de transição. Um momento ímpar de repensar sobre os nomes e quadros de líderes que indicamos para comandar nação, estados e municípios."
Dodô Quarentão




Weslley Talaveira 

Ano de eleição é tudo igual: vários candidatos prometem as mesmas coisas, sempre com propostas vagas e sem fundamento – já cansamos de ouvir gente prometendo melhorar “saúde, educação, transporte”, mas sem dizer de fato o que dá pra ser feito e de que forma. Na verdade, o problema da política no Brasil começa com a total despolitização do brasileiro, que sequer sabe qual a função de cada cargo eletivo. Quer ver? Faça um teste: pare qualquer pessoa na rua e pergunte a ela qual a função de um vereador. 

Por isso resolvemos perguntar a quem sabe – ou imaginamos que deva saber: os próprios candidatos. E assim surgiu a nova série do Quem Foi Que Disse. Em Sou Candidato Porque vamos conversar com candidatos a prefeito e vereador de diversas cidade e saber deles o que os motiva a querer ser candidato, e a mostrarem que estão preparados para isso. Ao longo dessas eleições vamos entrevistar alguns candidatos a vereador e prefeito de diversas cidades. Como você vai perceber, as perguntas serão as mesmas para todos os candidatos entrevistados, assim fica fácil a comparação. 

O primeiro entrevistado é candidato a vereador em São Paulo pelo PSL. Ivanilton Pereira da Silva, ou Dodô Quarentão, é publicitário com mais de 14 anos de experiência em política, tendo atuado com assessoria política e gestão de órgãos públicos. Apesar da experiência política, nunca disputou uma eleição majoritária, e a Câmara dos Vereadores de SP será sua primeira eleição. Entre sua rotina de campanha, Dodô aceitou conversar com o blog.


Quem Foi Que Disse: Qual a função de um vereador? 
Dodô Quarentão: É papel do vereador, votar o orçamento anual da prefeitura, fiscalizar a execução do plano de governo municipal que o prefeito eleito se comprometeu com a população, bem como beneficiar a população com a criação de emendas ao orçamento e ouvir os diferentes setores da cidade para utilizar de suas prerrogativas de legislador e fazer indicações de melhorias naquilo que é de responsabilidade do prefeito, mas que não recebe a devida atenção da prefeitura. 

Por que ser vereador? 
Estou a serviço da política da cidade de São Paulo há 14 anos. Ao longo desse período, coordenei gabinete de vereador, assessorei deputado estadual, coordenei a gestão de cultura do CEU Parelheiros e até recentemente fiz assessoria no Senado Federal. Essa experiência nos diferentes legislativos me capacitaram e, me deu preparo técnico e político para atuar em defesa dos interesses da população. Diferente de centenas de candidatos empresários e artistas de reality-shows que caem de paraquedas na eleição a cada dois anos. 

Além da política, qual seu ramo de atuação? 
Como disse, na política estou servindo há mais de uma década. Mas resido aqui na capital há 19 anos e antes de entrar para me dedicar a vida pública eu já atuava no campo de Cerimonial e Protocolo e em ações sociais. Há 16 anos coordeno um movimento de resgate da cultura nordestina aqui na zona sul da capital. Fui também presidente de Grêmio estudantil, seminarista. 

O seu partido é o PSL. Por que esse partido? 
Sim, eu estou no PSL desde o início do ano, quando ainda estava na assessoria de gabinete parlamentar da senadora Marta Suplicy e após confirmar minha candidatura a vereador atendendo o desejo de um grupo de lideranças sociais que vem se articulando há cinco anos para apresentar um novo nome a ser a cara do novo momento político na zona sul da cidade; Muito embora, o vereador tenha que defender os interesses em favor de toda cidade. Escolhi um partido sem envolvimento de nenhum de seus parlamentares envolvidos na corrupção que assola a política brasileira. No PSL, saio dessa polarização PT-PMDB que tomou conta do país. 

Qual sua relação com São Paulo? 
Sou muito relacionado com a população paulistana em virtude de atuar em diferentes segmentos políticos da cidade e acompanhar de perto a funcionalidade dos governos que pude colaborar até aqui. Além disso, faço parte de uma grandiosa população nordestina que habitam esta metrópole e dedicou a ela o valioso trabalho braçal na construção da cidade ao longo de sua história. Esta mesma cidade que nos acolheu e nos permitiu buscar capacitação, pode e precisa também ter em sua representatividade política, um baiano preparado para atuar na casa do povo. 

Quais são as principais demandas da sua cidade? O que um vereador pode fazer para resolvê-las? 
São Paulo reúne uma complexidade gigantesca de demanda em sua totalidade. Assim como nas suas particularidades regionais, já que temos 31 subprefeituras e 96 distritos. A começar pela regularização fundiária, mobilidade urbana, educação básica e saúde. Mas temos também outras importantes áreas de carência de investimento, como coleta seletiva, oportunidades de empregos, CEUs e investimento em esporte e cultura nas periferias. Atender as principais demandas significa atuar na câmara de vereadores para que seja cumprido o plano de governo apresentado ao povo em campanha eleitoral e a ele acrescentar as necessidades pontuais de cada região para resolver problemas distintos de cada território subdividido dentro da cidade. 

Caso seja eleito, como o eleitor poderá acompanhar seu trabalho? 
Sou formado em comunicação social e pós-graduado em planejamento e administração de comunicação para gestão de equipamento públicos. Portanto, sou uma pessoa de fácil comunicação e atualizada com os diversos meios de expansão da informação que está ao alcance de toda população hoje pelos celulares, smartfones e ipads, entre outros. Sou adepto das redes sociais, da comunicação eletrônica e claro, dos meios tradicionais de impressos, rádio e televisão. Eleito vereador, vou colocar todo meu mandato aberto ao acesso dos munícipes, bem como obedecer a lei de transparência, para que a população acompanhe nossa atuação na câmara. 

Quem o senhor está apoiando para prefeito? Por que? 
Eu trabalhei até recentemente na assessoria da senadora Marta, hoje no PMDB (licenciei do senado para respeitar lei eleitoral). Mas sou filiado a um partido que se coligou a legenda do candidato Dória e por fidelidade ao partido que acolheu muito bem a minha candidatura, eu deixo a cargo dos eleitores o julgamento dessa escolha para prefeito. Mas respeito os dois nomes: Marta pelo referencial de legado que deixou na cidade quando governou e, Dória pelo preparo político e a possibilidade de fazer um novo momento de administração na prefeitura. 

Pra encerrar: porque o eleitor deve escolhê-lo como vereador? A política está vivendo um momento de transição. Um momento ímpar de repensar sobre os nomes e quadros de líderes que indicamos para comandar nação, estados e municípios. Não por acaso, estamos no tempo que nos permite fazer escolhas de gestores públicos para os próximos 4 anos no âmbito municipal e eu estou me colocando a disposição do julgo da população para avaliar meu currículo e meu preparo técnico e político para representar os anseios de todas as classes e regiões da cidade. Pela formação acadêmica e experiência de trabalho, poderia estar passando pelo processo seletivo de uma grande empresa ou uma seleção de concurso público, mas posso fazer algo a mais pela população. Quero ser vereador da cidade de São Paulo e encorajar outras pessoas a se prepararem para atuar na política e tirar de lá os eleitos pelos mesmos sobrenomes de família e sindicatos. Eu sou Dodô Quarentão e meu número de urna é 17.040!

Eu Não Sou Gabriela





Sábado passado estava no metrô quando entrou um rapaz conversando no celular. Bom, "no celular" é modo de falar, pois ele falava tão alto que o vagão inteiro participou da conversa dele. Entre muitas reclamações numa briga tensa com a ex-mulher pelo direito de ver o filho de 5 anos, ele falava em alto e bom: "eu nasci desse jeito, você me conheceu assim e aceitou porque quis. Eu vou morrer assim, sou grosso mesmo, sou estúpido mesmo, sou teimoso mesmo e não vou mudar nunca, quem não gostar de mim desse jeito que vá embora e me deixe em paz".

Como deve ser horrível a vida de quem pensa assim...

Ano passado, no meu aniversário de 30 anos, em meio a uma crise existencial sem precedentes, escrevi que gosto de viver e que quero viver ainda muito tempo, se possível não apenas trinta, mas trinta vezes três. Hoje, completando 31, continuo com a mesma vontade de viver. Estou descobrindo só agora coisas que os outros descobriram há muito tempo atrás, e quero viver essas coisas boas que a vida me oferece. Mas a consciência que tenho esse ano é a de que, para viver com qualidade de vida, preciso estar aberto à mudanças. 

Quero não apenas viver, mas estar atento à minha vida. Perceber as coisas que me acontecem e que acontecem à minha volta e filtrar o que posso absorver e o que devo rejeitar. Perceber o que devo reforçar e o que devo mudar. Há sim coisas em mim que precisam de mudança urgente, hábitos que tenho e preciso abandonar, e coisas que não faço e preciso começar a fazer. Quero estar aberto ao novo em minha vida. Abraçar pessoas que, com a cabeça de antes, eu não abraçaria. Fazer coisas que eu não faria. Ser mais leve. Encarar as coisas com menos seriedade.  

Eu não sou Gabriela e não vou morrer da forma como nasci. Afinal, se fosse pra encerrar a vida da mesma forma como ela começou, que graça teria? O legal da vida são as mudanças. Você se comparar com anos atrás e perceber que muita coisa além da idade mudou; perceber que mudaram "hábitos, lugares, inclusive as pessoas ao redor". O legal de sentir o tempo passar é que frases de efeito como "a vida passa depressa" deixam de ser apenas frases bonitinhas para ser uma constatação. O tempo está passando. Se eu não me atualizar e correr junto, vou apenas assistir a vida passar e ficar para trás. E isso é tudo o que eu não quero.

Preciso sim, me mexer. Me reinventar, me reposicionar. Continuar atualizado. Estar alerta e trazer para mim o que é bom. Se precisar mudar, mudarei. Só não quero ficar para trás na vida. Trinta e um anos denunciam que o tempo não para, mas mostram também que ainda é tempo de pegar o trem, mesmo já em movimento.

Quero mudar para estar apto a aproveitar tudo de bom que a vida oferecer, pois a vida não é um bem renovável. Ela se gasta e não volta mais. Cada tempo perdido é realmente perdido. Como diz José Mujica no vídeo abaixo, que guardo como reflexão para esse aniversário, não se pode comprar vida.

E vamos em frente!


#Especial: O desafio de ser ateu num país cada vez mais religioso





Weslley Talaveira


Sim, somos um país religioso, e disso ninguém duvida. Quase 87% dos brasileiros se dizem cristãos, independente de frequentarem ou não uma igreja. A religião está presente em nossas raízes. Pensamos, educamos nossos filhos e enxergamos o mundo sob os óculos da ética cristã, seja isso bom ou mal. Fomos colonizados por padres católicos, que aqui impuseram sua fé aos índios nativos. A maior e mais importante cidade de nosso país ostenta o nome do mais conhecido apóstolo de Jesus Cristo, o ex-fariseu e pilar da fé cristã São Paulo. Por aqui a visita do Papa é motivo de festa e de horas e horas de coberturas "exclusivas" por todas as emissoras de TV. Nossas notas de dinheiro trazem louvor a Deus. Pastores são consultados para manifestar sua opinião sobre assuntos da sociedade. A igreja e sua força estão presente nas ruas, nas escolas, na TV - que ainda dependem dos horários vendidos à igrejas para compor sua receita. Agradecer a Deus por alguma conquista trás um peso maior a qualquer comemoração. Falar em Deus agrega valor a uma conversa. Dizer que crê em Deus abre portas em qualquer ambiente.

Aí fica a pergunta: como é ser ateu num ambiente desses?

Tayhnar Petrovna tem 22 anos e mora em São Paulo. Trabalha durante o dia e estuda Publicidade e Propaganda a noite numa das melhores faculdades do Brasil, além de administrar um blog de variedades. Faz academia aos fins de semana e curte baladas. Tem um poodle e um gato vira latas aos quais dedica boa parte do amor que tem para dar. Tayhnar é uma garota como qualquer outra, e tem espaço em qualquer ambiente como qualquer outra pessoa comum teria. Mas ela mesma conta que não é sempre assim, por um simples motivo: ela está entre os 8% da população brasileira que assume publicamente seu ateísmo. Publicamente porque, para ela, há muito mais ateus no Brasil do que os números mostram, mas boa parte deles escondem sua opinião por medo das represálias.

Represálias? Sim, isso mesmo, e ela já sofreu algumas. "Já perdi amigos e deixei de ser convidada pra festas de aniversário por ser ateia", diz ela. Como ela reage? "Nem ligo", mas confessa que já se sentiu constrangida em conversas de amigos por ser a única a não crer em Deus. "Sempre me associam ao demônio. Pensam que por eu não crer em Deus creio no diabo. Qual a parte de 'não crer em divindades' essas pessoas não entendem?", questiona ela?

Glaucia Mantoan mora em Curitiba-PR e sempre se declarou ateia, mas por convenções sociais frequentou a Igreja Católica na adolescência (época da qual a única saudade que sente é o tempo em que roubava morangos no pomar da casa das freiras!) e passou pela Igreja Mórmon, além do Espiritismo e Budismo. Conta que, apesar de sempre questionar os ensinamentos que recebia, convivia bem com católicos, até que as igrejas pentecostais e seu fanatismo dominaram os espaços religiosos brasileiros. "Eles agem de forma criminosa para arrebanhar fieis", diz ela. Só aí sentiu a necessidade de se denominar ateia.

Gláucia não perdeu amigos por conta de seu ateísmo - pelo menos que ela tenha percebido - e conseguiu criar seu filho Mateus, hoje com 19 anos, sem a influência de nenhuma religião, apesar do forte apelo cristão a que as crianças brasileiras são submetidas diariamente nas escolas. "Ensinei meu filho que algumas pessoas tinham a necessidade de acreditar em alguma coisa para fazerem o que era certo", diz ela.

Assim como a Glaucia, Tiago Malafaia também cresceu entre católicos, mas conviveu mais tempo com a religião. "Tentei o catolicismo, várias igrejas evangélicas, espiritismo, mas depois percebi que procurar Deus nesses lugares seria como procurar sorvete em Júpiter: posso morrer de procurar, mas não vou encontrar porque ele não existe". Perdeu amizades e um namoro de 3 anos quando anunciou que estava abdicando de sua religião e de todo o conforto social que ela lhe trazia - Tiago era líder de jovens e diácono da Igreja Assembleia de Deus. Apesar de carregar consigo o mesmo sobrenome do mais famoso pastor brasileiro, a única coisa de que sente falta do tempo em que era religioso é a falta de congregar. "Ter um espaço onde encontrar gente legal, que pensa as mesmas coisas, cantar músicas legais, ouvir mensagens positivas, isso me faz falta. E foi esse o motivo que quase me fez voltar pra igreja", conta ele. Mas não voltou. "Seria uma desonestidade comigo e com as pessoas do lugar".

Se todos tem o direito de ter a religião que deseja ter, o direito a não ter religião nenhuma também deve ser preservado. Somos um país que a cada dia mais, vem aprendendo a aceitar as mais diversas formas de crenças, mas ainda não aprendemos a entender quem não tem crença nenhuma. Ser ateu, pelo menos no Brasil, é ser associado à falta de sentimentos, à frieza e à crueldade. Quantas vezes já não reagimos a uma notícia de algum crime horrendo com a frase "isso é falta de Deus no coração", ou suas equivalentes?

Enfrentar a força da religião pode ser muito mais difícil do que se imagina. Infelizmente quem se declara ateu é vítima de um preconceito socialmente aceito num país onde crer em Deus parece ser condição para ser respeitado como ser humano. Quem assume sua descrença é tratado como diferente, como alguém mau, de quem se deve manter distância.

Se isso vai mudar algum dia? "Espero que sim", diz Tayhnar, mas ela não espera mudanças para o presente. "Quem sabe meu filho, que será criado sob o ateísmo, se sinta mais a vontade do que eu", completa ela. 

O que é fazer terapia?




Nós brasileiros não temos o hábito de construir sótãos em casa, mas a figura do sótão é bem interessante: o lugar entre o teto e a cobertura de telhas, destinado a tubulações, caixa d’água, instalações elétricas e outras estruturas necessárias para o funcionamento da casa. É geralmente um lugar de difícil acesso, escuro, sem ou com pouquíssima ventilação, isolado do convívio familiar, escondido de tudo e todos, para onde raramente vamos e nunca levamos ninguém (alguém convida o amigo para conhecer o sótão de casa, algo como “oi amiga, você vai adorar meu sótão”?).

O sótão quase sempre tem a função de “depósito” da casa, onde você guarda todo tipo de tralha e cacarecos: coisas que não vai usar mais, mas que não tem coragem de jogar fora, coisas que te trazem boas ou más lembranças, coisas que foram úteis um dia, coisas que pensa que ainda pode usar numa emergência, coisas para doação, mas que nunca são doadas de fato, coisas e mais coisas com as quais você não quer se encontrar diariamente, mas não consegue se desfazer. Aquele móvel velho que foi presente de casamento, aquele vaso de plantas que veio da sua tia-avó, o abajur importado que já não funciona há anos, a enciclopédia Barsa que você usou para o exame de admissão no grupo escolar dos anos 70, o livro de poesias antigo, a decoração infantil do quarto do seu filho que agora tem 30 anos, seus cadernos do tempo de faculdade, o guarda-chuva que tanto te serviu mas que não para mais fechado, o material de eleição do Lula de 1989, o jogo de xícaras já sem alça e cheias de trincos que sua amiga te trouxe da Espanha em 1999. Coisas velhas, coisas antigas.. Simplesmente deixa lá no sótão. Não usa, mas não joga fora; sabe que está lá. Vai que precisa algum dia, né? 

O sótão não é lugar onde se visita com frequência. Aliás, a proposta é exatamente essa: um espaço ali, dentro da sua casa, mas para onde você vai o mínimo possível. Só entra para colocar alguma “nova” tralha que vai se juntar às outras já guardadas lá. Entra, deixa a tralha nova, dá uma olhada rápida nas antigas, fecha o alçapão e volta para a vida normal em família, enquanto o sótão volta a ser o local escuro e sem vida de sempre. 

Mas aí uma hora você percebe que o sótão está cheio demais. Você mal consegue andar por entre as tantas coisas velhas acumuladas ao longo dos anos, e chega a uma conclusão: precisa fazer uma limpeza urgente. Algumas coisas precisam sair dali logo. Você até tem boa vontade e tenta se desfazer de algo; mexe em uma e outra caixa, joga uma embalagem velha fora, mas percebe que limpar seu próprio sótão é mais difícil do que parece, e que sozinho não vai conseguir. 

E chama uma pessoa para te ajudar. 

Não só te ajudar, mas essa pessoa tem total liberdade para indicar o que deve ser mantido e o que deve ir para o lixo no seu sótão. Essa pessoa vai, junto com você, vasculhar suas tralhas, relembrar com você detalhes do passado envolvido em cada objeto encontrado, opinar sobre coisas que aconteceram e os motivos que te levaram a guardar aquela tralha, e te ajudar a encontrar o melhor destino para essas coisas que você não usa mais. 

Aos poucos, com o tempo, você percebe que o sótão vai ficando mais limpo. Num dia você consegue enxergar o piso do sótão, há tanto tempo encoberto de poeira. Num outro percebe que já se desfez de muita coisa velha, e começam a sobrar cantos vazios. Quando se dá conta, já está fazendo planos para o sótão, pois a quantidade de coisas ali guardada é tão pequena que já não justifica mais um espaço bom como aquele servir apenas como depósito de quinquilharias. Começa a planejar uma escada que suba ao sótão, uma boa localização para uma janela, uma boa iluminação e, quem sabe, com um pouco de investimento aquele espaço não vire um confortável quarto para visitas. 

E então você vê pela primeira vez seu velho sótão cheio de tralhas virar um espaço bonito, limpo e útil. 

Isso é fazer terapia!