#Opinião: 4 Conselhos para Fernando Haddad

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo


Weslley Talaveira

Para quem não acompanha a política paulistana, Fernando Haddad (PT) é o atual prefeito da cidade, eleito em 2012, e com mandato se encerrando nesse ano. Sua administração vem sendo marcada por erros sucessivos, que vem prejudicando muita gente na cidade - e custando a vida de alguns, além de dilacerar a popularidade do prefeito, sem falar que o mandato vai terminar sem nem 25% das promessas de campanha cumpridas. Não é raro ouvir nas ruas da cidade pessoas pedindo "volta Kassab", em referência ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). 

Mas por outro lado eu simpatizo com a figura pessoal dele. Haddad é um homem que, apesar da total e gritante incompetência no executivo, tem ideias inovadoras e está antenado com o que de melhor vem acontecendo no mundo, e tentando aplicar essas ideias modernas em nossa cidade. O problema é praticar isso, e nesse momento a falta de experiência política pesa, e muito. 

Como esse ano tem eleição e o prefeito já ventilou aos quatro ventos que vai disputar reeleição, e como eu sou paulistano e também impactado pelas ações desastradas do prefeito, tomo a liberdade de dar alguns conselhos:

1) Saia do PT: li em jornais que em 2014 o senhor cogitou sair do PT, devido a falta de apoio do partido aos seus projetos. Chegou inclusive a conversar com o PSB, mas como a Marta Suplicy vinha namorando com o partido o senhor desistiu da ideia, além de saber que seria difícil resistir politicamente fora do PT. Não sei se isso é verdade, mas se for, leve essa ideia adiante. O PT hoje representa no Brasil o que há de mais sujo, mais podre e mais bandido na política brasileira - não é o único, mas é o pior. Qualquer pessoa com um mínimo de senso ético e que pense racionalmente que ainda esteja nesse partido deve sair de lá o mais rápido possível, e deixar que o ninho de baratas que esse partido virou apodreça somente com os insetos sujos que dependem do partido pra existir. 

2) Livre-se do PT na administração municipal: vamos falar uma coisa, e com certeza o senhor já percebeu: não há ideia moderna, não há visão macro antenada com o mundo que resista quando se tem a toupeira do Jilmar Tatto como braço direito. Muitas dos que trabalham na prefeitura atualmente estiveram no mandato da Marta Suplicy. É gente que já provou que não sabe lidar com uma cidade do tamanho de SP. Pra que insistir nesse pessoal? Eu sei o porque: pressão do seu partido para encaixar comparsas na administração municipal. Saindo do PT o senhor tem liberdade de colocar pra fora essa gente inútil que só quer garantir emprego para si e para seus aliados. Vai comprar uma briga feia com o partido? Gente que antes te defendia agora vai te crucificar? Sim, mas tenho certeza que o senhor terá uma boa parte da cidade ao seu lado. 

3) Não se candidate à reeleição em 2016: sua imagem como político está muito desgastada, e sofrer a derrota humilhante que provavelmente sofrerá só vai enterrar mais ainda sua curta carreira no executivo. Já que vai sair do PT (se é que vai seguir o primeiro conselho), gaste um tempo se envolvendo em debates políticos com outros partidos. Sim, a política paulista é pobre e de um pragmatismo irritante. Se é que o senhor é diferente disso, inicie um movimento diferente de tudo isso que está aí. Não, pelamor, não vai criar outro partido, mas inicie debate com movimentos, com universitários, com estudantes, com idosos. Pra fazer isso o senhor precisa estar livre de um mandato político. 

4) Continue morando em SP, e ande pela cidade: alguns dos seus principais erros na administração de SP aconteceram por um motivo simples: o senhor não conhece São Paulo. Antes de ser prefeito e ministro da Educação, o senhor morou fora por anos. Se quem mora aqui não entende essa cidade, muito menos quem volta pra cá só pra disputar eleição. Não tem como, prefeito. Pra entender o que essa cidade precisa, é necessário viver aqui. Precisa pegar trânsito na 23 de Maio de manhã ou enfrentar a Marginal Pinheiros no final do dia.  Precisa enfrentar o ninho de ratos que o Morro do S, no Campo Limpo, vira todos os dias nos horários de pico, ou ainda arder no sol do fim de tarde do Jardim Angela. Continue dando suas aulas na USP. Se envolva em algo legal na cidade. Se possível, use serviços públicos. Coloque seu filho pra andar pela cidade de ônibus e metrô. Faça sua mulher se envolver com a cidade. Isso vai lhe preparar mais para ser prefeito do que qualquer campanha publicitária do João Santana. 


Dizem que se conselho fosse bom não se dava, se vendia. Mas o meu vai de graça mesmo! São conselhos de um paulistano cansado de ver a cidade na mão de gente inútil e que, pela primeira vez, pode ter a chance de caminhar em uma direção que aponte algo maior.

Eu sei que ele não vai ler nada disso, mas fica a crítica mesmo assim!

#Opinião: Não gostar de BBB não faz de você mais inteligente




Começou o BBB. 

E com ele a tradicional guerra virtual entre os que amam e os que odeiam, que as vezes são a maioria na internet, e que usam suas redes sociais para fazer seus discursos inflamados contra o programa, sempre com os mesmos argumentos: o programa é vazio, imoral, não educa, emburrece, etc e etc. 

Mas vamos lá: o BBB é vazio? Quais programas de conteúdo na TV aberta você costuma assistir? “Ah, eu tenho TV a cabo”. Ah tá, mas me desculpe: pagar TV a cabo pra assistir os mesmos filmes que passam na TV aberta não faz muita diferença, correto? Isso sem falar que saiu recentemente um levantamento que mostra que a maioria das pessoas que pagam TV a cabo o fazem apenas pra melhorar o sinal da TV aberta, já que a audiência da TV aberta no cabo ainda é bastante superior aos demais canais fechados. Ou seja, o simples fato de ter TV a cabo em casa não te faz mais inteligente. Pessoas gritam contra o BBB e a TV aberta, mas assinam canal a cabo pra ver programas de esporte. Qual nível cultural a ESPN vai te acrescentar? Apenas divertir, o mesmo que faz o BBB, só que para públicos diferentes. 

O BBB é imoral? Então vamos lá: qual seu conceito de moralidade? O que acontece no BBB não é muito diferente do que acontece nas baladas, no quarto do seu filho quando ele se fecha com a namorada, ou quando ele diz que vai “ao cinema”. Moral é diferente de ética, entenda. Ética é um conceito fechado, absoluto. Moral é muito relativo, varia de família para família, de religião para religião, de país para país. O que se passa num programa de TV não pode se basear na moral de m grupo específico. Quem se incomoda que não assista. 

O BBB emburrece, não educa? E quem disse que a função da TV é educar? Exceto as TVs educativas (TV Escola, TV USP, TV Unesp, etc) a função da TV é entreter. Educar é função da escola, seja pública ou particular. Ao invés de gritar palavras de ódio contra um programa de TV, por que não exigir do governo do seu estado que a qualidade da educação das escolas públicas seja melhor do que é agora? 

Na verdade há uma explicação até psicológica para tanto ódio ao programa: há algo ali com que a pessoa se identifica muito, mas ela se sente incomodada por ver sua intimidade exposta na TV, ainda que ninguém saiba que o problema do “brother” também é o dela. Por isso o ódio vira recurso de defesa própria, algo como “não assistam, pra ninguém associar fulano comigo”. 

Não gosta do programa? Mude de canal. Simples. Desligue a TV. Leia um livro. Leve seu cachorro pra passear. Lave a louça do jantar. Ligue pra sua mãe. Mande um Whats pra namorada. Elogie uma pessoa na internet. Arrume sua bolsa pra trabalhar no dia seguinte. Tem tanta coisa pra fazer no horário do BBB melhor do que ficar gritando palavras de ódio na internet. 

Seje menas, please!

Onde Está Deus?




Algumas vezes as pessoas me perguntam se eu acredito em deus. Respondo que sim, acredito, mas depende: de qual deus estamos falando? 

Não creio no deus de porte europeu de barba e cabelos brancos longos, sentado num trono grande e branco, rodeado de anjos tocando harpa que o bajulam dia e noite. Não creio no deus "controlador de voo", que sabe o que se passa em cada parte do mundo, e está atento a cada passo até mesmo da mais imperceptível das pessoas. Não creio no deus poderoso, vingativo, que mata e fere para justificar os que se dizem seus fieis. Não creio no deus rígido, que lança em algum inferno quem não obedece suas regras, por vezes ridículas. Muito menos acredito que ele esteja num paraíso perfeito, num ceu com ruas de ouro e cristal, cheio de jardins bonitos e pássaros que cantam. 

Creio sim em deus. Mas creio em deus como a motivação que me faz sair da cama todos os dias de manhã e enfrentar o trânsito caótico de uma grande cidade para um dia de trabalho cansativo. Para mim deus é a sensação boa que sinto quando ouço uma música que gosto, quando leio o melhor livro da minha vida, ou quando assisto uma boa peça de teatro. Deus é o bem estar causado por um bom banho depois de um dia cansativo. Deus é a risada descontrolada da mesa de bar do happy hour com os amigos. É o ambiente aconchegante da casa dos avós. Deus é o “parabéns” emocionado que você recebe de seus pais ao conquistar uma vaga na faculdade ou um novo emprego. É a sensação de realização causada pela vitória da equipe da qual você participa. É ouvir “papai” pela primeira vez. É o êxtase que se sente após uma apresentação bem sucedida. É conseguir finalmente, algo com que você sonhava tanto. 

E onde ele está? Deus está no olhar de um apaixonado ao encontrar sua amada. No sorriso sincero e alegre de uma criança ao receber um presente. Deus está no abraço de amigos que não se viam há muito tempo. Deus está na música cantada ao redor do fogo pelos amigos que curtem um fim de semana prolongado. Na alegria do meu cachorro ao me ver chegar em casa. Está no rosto da pessoa desconhecida, de quem não conheço sequer o nome, mas sei que é muito mais do que aquilo que vejo. Deus está no pão que sacia a fome do morador de rua, depois de horas sem algo para comer. Está no copo de água que refresca o calor do que trabalha o dia inteiro sob o sol. Está na cadeira em que se senta a pessoa que passou o dia em pé. Está no silêncio confortante de quem passa consegue escapar de um ambiente com barulho ensurdecedor.

Se quiser encontrar deus não olhe para cima, muito menos feche os olhos. Olhe pra frente. Mire. Olhe nos olhos dos outros. Deus é gente. 

Deus é o que te faz bem. 

Emanuelle Raquel | BloGirl #1

Emanuelle, em ensaio especial para o "Quem Foi Que Disse?"



Por Larissa Oliveira

Está no ar a nova tag do blog, BloGirl, nossa coluna mensal de ensaios sensuais.

Se você tem mais de 20 anos com certeza já usou as antigas "salas de bate papo", aquelas páginas onde se encontrava de tudo: desde bons amigos e colegas de religião até sexo virtual. E foi no sexo virtual que a ainda adolescente Emanuelle Raquel viu sua oportunidade de trabalho. A antiga "Ninfetinha Safadinha 18" dos bate-papos viu que poderia usar a própria beleza e desenvoltura para explorar o universo erótico, aliada a fértil imaginação masculina. Daí foi questão de tempo. As salas de bate-papo perderam  sua força, mas eis que surgiram as redes sociais, e com elas a "ninfetinha" viu aí um campo de trabalho lucrativo a ser explorado. A menina usuária de chats virou a hoje requisitada Sexy Angel Stripper, uma das maiores strippers virtuais do Brasil - e talvez do mundo.


Bom, o próprio nome explica o que ela faz: shows de strip-tease pagos pela internet. Com pacotes de minutos já fechados pagos antecipadamente e detalhes dos shows já estabelecidos antes da compra, ela combina com o internauta o horário que o mesmo a deseja assistir e, no momento marcado, lá está ela para fazer a alegria dos homens. Seu local de trabalho é o quarto da casa onde mora em Florianópolis, Santa Catarina. Seu meio de trabalho é o Skype, principalmente, mas trabalha também para sites de conteúdo adulto, além da venda de seus produtos: fotos, vídeos e calcinhas personalizadas. Foi a primeira a lançar um portal de webstripper no Brasil, e seu blog atinge picos de 20 mil visitas diárias, marcas que muitos blogs de renome não conseguem atingir nem de longe.

Alguma restrição? Sim, claro. A primeira é não mostrar o rosto sob hipótese alguma. "Prefiro manter minha privacidade", diz ela. Na internet ela domina os desejos de homens que ela sequer sabe quem são. Na rua é apenas uma garota comum.




Mas engana-se quem pensa que ela é apenas um corpo bonito. Além da beleza incrível e da sensualidade à flor da pele, ela é dona de uma simpatia sem igual. Prova dessa simpatia é o ensaio exclusivo que ela fez pra gente. Sim, exclusivo. Ela se fotografou apenas para o nosso blog. São mais de quarenta fotos exclusivas para nossos leitores, resultado de uma amizade inusitada com o blogueiro Wesley Talaveira que já dura algum tempo. Se ele já a viu em algum show? Não sei, perguntem pra ele! rs

(CONTÉM IMAGENS SENSUAIS. NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS):













Além dessas fotos ela já participou de outros ensaios por aqui, quando o blog ainda se chamava Blog Novas Ideias. Veja: 




























De quebra ainda temos as fotos que ela fez para o Freakpedia quando eles ainda mantinham um blog no ar, e que agora vieram parar aqui! 









E para concluir, um agrado para o chefe e um tapa na cara da sociedade:



Freakpedia #13: Como se diz "saudade" em outros idiomas?




Tainar Petrovna

Quem aí nunca ouviu falar que "saudade é uma palavra que só existe no português"? Sim, desde sempre aprendemos que a palavra "saudade" é como se fosse uma espécie de trofeu exibido mundo afora por brasileiros e - principalmente - portugueses, que adoram traduzir a palavra para alguma variante quando conversam com um estrangeiro. Mas será que é verdade que "saudade" não tem tradução para nenhum outro idioma?

Bom, é fato que "saudade" é considerada uma das 7 palavras mais difíceis de se traduzir no mundo. Mas ela não é exclusiva da língua portuguesa. Entre outros idiomas, ela existe no alemão, por exemplo. A palavra "sehnsucht" (é, a mesma palavra do título do álbum do Rammstein), entre outros significados, tem o mesmo sentido da nossa quase-exclusiva saudade. Se buscarmos no polonês, também vamos encontrar outra palavra com o sentido exatamente igual: tesknota.

O que acontece é que muitas palavras, de acordo com o país, a cultura e uma série de variáveis, podem mudar completamente de significado, ou adquirir mais de um significado diferente (o português é cheio disso). Retomando o exemplo de saudade em alemão (e sou obrigado a ter de explicar algumas regras da complicadíssima gramática alemã... Sorry!), aqui usamos a palavra num sentido nem sempre parecido com a Alemanha. Aqui dizemos "Antônio sente saudades da família", e na Alemanha se diz "Antonio hat Sehnsucht nach seine Familie". Até aí tudo igual, saudade e sehnsucht. Mas no Brasil podemos terminar uma carta ou um email dizendo "saudades, Maria", e na Alemanha nunca se encerra uma carta dizendo "Sehnsucht, Maria". Lá, a palavra precisa de um contexto, não pode ser usada de forma solta como é usada aqui. Lá eles encerrariam uma carta dizendo "Ich vermisse dich, Maria" ("sinto sua falta"). Sem contar que os alemães tem ainda a palavra "das heimweh", "saudades de casa". Complicado, né?

Resumindo, nada contra o uso poético de "saudade" como uma palavra quase exclusiva nossa. Mas não dá pra dizer que não tem tradução em nenhum outro idioma. Até porque saudade é um sentimento humano, independente de esse humano ser brasileiro, português, do Tadjiquistão ou de qualquer lugar.

É isso! Até a próxima, povo!

Catarina (E No Desvario Seu)

O texto abaixo é uma montagem minha de um monólogo inspirado no poema Ismália, de Alphonsus de Guimaraens, que virou cena no espetáculo Da Placenta Ao Túmulo, apresentado em dezembro pela Cia de Segunda, equipe de teatro da qual faço parte. O texto segue o roteiro de uma cena teatral, com todas as orientações de atuação necessárias. Caso queria usar só me avise, por favor! 

Formato do palco: flexível.

 ***
(em tom de desespero

Catarina! Catarina! 

Luzes se apagam. Sai de cena e volta com as duas garrafas iluminadas. 

Catarina, você está aí? Cadê você, Catarina? Alguém viu a Catarina? 

(Sai olhando no rosto de um por um dos presentes, iluminando com a garrafa. Escolhe uma pessoa da plateia para ser a “Catarina”). 

(Falando com a pessoa da plateia escolhida) Catarina, é você? Deixa ver. Hmm, não, você não é a Catarina.  

(Senta-se no meio do palco e começa a conversar com a plateia. Ar inocente, como criança). É que a Catarina vem me buscar hoje, sabia? Ela vem, ela me disse que vinha. Você deve estar se perguntando “mas como ele sabe disso?”. É que eu falo com ela todo dia. Mesmo ela estando na lua a gente conversa todo dia. É, ela tá na lua. Na lua. 

(Pausa. Brinca com a garrafa. Chama a atenção de uma pessoa da plateia

A Catarina adorava a lua. Toda noite a gente reservava pelo menos alguns minutos pra olhar a lua. A Isabela também adorava ver a lua. Ela era desse tamanho assim, ó. Parecia uma flor. Pausa. Brinca com a garrafa. 

(Chama a atenção de outra pessoa da plateia) Ei, você! Você gosta de flores? As pessoas parecem flores, finalmente. A Catarina sempre dizia isso. 

(Nova pausa. Agora perde o ar inocente de antes e adota um tom sério, reflexivo)

A Catarina ia levar a Isabela na escola, como ela fazia todo dia, mas estava chovendo muito e ela tinha acordado atrasada. Só que eu também estava atrasado pro trabalho. Meu chefe já tinha me ligado perguntando a que horas eu ia chegar. (Simula um telefone com uma das garrafas) “Ei, você está atrasado, vou descontar do seu salário, e a reunião marcada? Você não vem?”. Aquilo foi me irritando, me irritando, pensei que eu ia enlouquecer e no meio disso tudo a Catarina me aparece e diz “amor, me dá uma carona?”. (Pausa, como se estivesse muito irritado). “Não Catarina, não posso te dar carona”. (Olha para as garrafas e grita como se estivesse gritando com uma pessoa) “Quer saber? Vai a pé, Catarina! Se vira! Eu já tenho problemas demais, dá seus pulos e se vira pra levar essa menina pra escola”. Ela saiu chorando e levou a Isabela pra escola à pé. Aí no caminho elas iam, e vinha vindo o caminhão. Catarina e Isabela. Caminhão. Catarina e Isabela. Caminhão. Catarina e Isabela. Caminhão.(Faz ruído de batida. Mostra os cinco dedos da mão para a plateia.) O motorista do caminhão, a velha que estava no ponto de ônibus, o rapaz na bicicleta, a Isa e a Catarina. Cinco mortos. 

(Nova pausa)

Sabe o que é curioso sobre a vida? É que algumas coisas a gente pode evitar, outras não. Eu não poderia evitar que a velha estivesse no ponto naquele momento. Eu não poderia evitar que o rapaz estivesse passando de bicicleta naquele momento. Eu também não poderia evitar que o caminhão perdesse freio naquele lugar. Mas eu poderia ter evitado que a Catarina e a Isabela estivessem ali naquela hora. Foram cinco, mas poderia terem sido só três, se eu tivesse dado carona pra elas. Foi minha culpa. Elas ainda estariam vivas. E eu não estaria aqui. A gente estaria em casa, agora. A Isabela estaria correndo e brincando. A Catarina estaria lendo poesia. 

(Suspira) Foi minha culpa. 

 (Pausa

(Como se tivesse tomado um susto) Ah, mas o que importa é que a Catarina vem me buscar hoje. Ela falou que vai me levar pra lua, com ela. Mas antes eu tenho que tomar todos os remédios de uma vez, tudinho de uma vez. E eles tão aqui. Vou tomar tudo. (Toma os remédios). Aí a Catarina vem me buscar, e nós vamos ficar juntos pra sempre. A Catarina... A Isa... Eu... 

(Faz que passa mal e cai no chão. Morte passa e leva o louco e as garrafas.)

A Melhor BloGirl de 2016




Dezembro é mês de eleição no Quem Foi Que Disse! 

Sim, é isso mesmo. O blog está em busca da "Melhor BloGirl de 2016". Ao longo de todo o ano de 2016 foram doze postagens, doze garotas diferentes, cada uma com seu estilo, sua personalidade diferente, mas todas com uma coisa em comum: a beleza perfeita que só a feminilidade pode apresentar. É esse o objetivo do BloGirl: admirar a beleza feminina de outro jeito, sem as palavras vazias e machistas de sempre, mas como se fosse uma obra de arte: observar cada detalhe, ver a beleza e a graça no que a mulher mostra, e no que ela opta por não mostrar.

E agora, fim de ano, é a hora de escolher uma entre as doze BloGirls. Quem vai fazer essa escolha? Você, claro!

Como? de várias formas:

1) Comentando aqui no post;

2) Comentando no post do Facebook;

3) Comentando no post do Instagram oficial do blog /

4) Enviando e-mail para contato@quemfoiquedisse.com.

A escolhida terá um ensaio especial publicado em janeiro, além de ser capa da nossa page do Facebook e ter sua foto no nosso perfil do Instagram por 15 dias.

Ainda não viu todos os posts? Tem problema não, segue os links aê:






BloGirl Junho: Larine Ferreira (NÃO ESTÁ PARTICIPANDO DO BLOGIRL 2016)


BloGirl Agosto: Vanessa Gutierrez (NÃO ESTÁ PARTICIPANDO DO BLOGIRL 2016)





Lembrando que você só pode escolher 1 BloGirl. Os critérios para a escolha? Você quem define! Apenas escolha!

Agora é com vocês! Corre lá!