Por que vou votar em Marina Silva



Já decidi: vou votar em Marina Silva para presidente. 

Confesso que a escolha não foi das mais fáceis. Antes da entrada dela na eleição estava bem difícil escolher um candidato. Dilma nunca passou pela minha cabeça, por uma série de motivos que vão da incompetência dela como gestora ao loteamento de cargos em que ela transformou o governo, entregue nas mãos de gente completamente desinformada que assume cargos de acordo com as alianças que a presidente e seu partido formam. Eduardo Campos - de quem Marina era vice - até me agradava, mas ele se parecia tanto com os velhos políticos que me assustava um pouco; ele apenas assumiu o discurso da "nova política" para atrair o apoio da Rede Sustentabilidade, mas não parecia tão convencido assim de que a política no Brasil precisa de mudanças. Restava o Aécio, uma mistura do "come quieto" mineiro com a malandragem carioca; Aécio pra mim nunca representou, nem de longe, o candidato perfeito, mas ele está se cercando de gente competente, o que pra mim faz toda a diferença para um governante - sou dos que pensam que o governante em si nem precisa ser tão competente, desde que tenha gente experiente do seu lado. resolvi então dar um "voto crítico" ao Aécio Neves - crítico porque para mim Aécio não era o melhor, era o menos pior.

Mas aí aconteceu o inesperado: Eduardo Campos morreu de forma trágica, o partido ficou alvoroçado sem saber como reagir, e por fim resolveu lançar a Marina candidata. Ainda resisti um pouco no início, pois não sabia se a Marina que estava surgindo era a mesma em quem votei em 2010, ou se surgiria uma nova Marina, aliada ao oportunismo eleitoreiro. Ainda mantive meu voto "crítico" no Aécio.  Mas em poucos dias vi que a Marina que eu acompanho desde 2006 e que admiro ainda está lá, agora mais forte e completa do que antes. 

Resolvi mudar meu voto. De um "voto crítico" no Aécio vou para um "voto confiante" na Marina. E digo o porque: 

1) Ser presidente não faz parte de um "projeto pessoal" da Marina. Até pensei que fosse quando ela resolveu criar a Rede Sustentabilidade. Mas aí o partido não foi criado - por interferência claríssima do PT - e ela teve todas as oportunidades do mundo para buscar outra forma de ser candidata (o PPS só faltou lamber os sapatos da Marina para que ela fosse a candidata deles). Mas ela preferiu agir pela sua consciência e se filiou ao PSB, partido com o qual ela se identificou mais ideologicamente, mas sem brigar por uma candidatura. Não queria ser candidata a nada, queria apenas estar dentro da política para auxiliar no debate. Por insistência do partido aceitou ser vice do Campos, e sabemos que a força do vice no Brasil é algo próximo de zero; vice não dá entrevista, vice não vai a debate, ninguém procura o vice pra nada. Agora, como candidata, já declarou que se for eleita fica apenas quatro anos no cargo, mesmo sabendo que esse tempo é pouquíssimo para realizar as reformas que o Brasil precisa realizar. Marina quer dar sua contribuição. Não quer se profissionalizar como política. 

2) Diferente de 2010, Marina agora é uma candidata completa. Aborda todos os temas necessários para a governabilidade de um país, incluindo o meio ambiente, seu tema preferido. Marina e sua equipe elaboraram um programa de governo completo, com algumas erratas, é claro, mas que aborda todas as áreas do governo, de forma clara. Sem fugir de suas convicções mas sem deixar que elas influenciem em seu programa, Marina vai da homossexualidade à fonte de energias em seu programa de governo. É algo interessante de ler. 

3) Meu medo era de a "presidente Marina" criar uma instabilidade no Congresso devido suas posturas políticas. Sabemos que o Congresso brasileiro é, hoje, um verdadeiro puteiro onde ganha mais dinheiro a puta que se vende mais (desculpem a expressão, mas não encontrei outra melhor). Negociar com esse lixo de gente de nível ético tão baixo, gente para quem a Dilma se dobrou com menos de um ano de mandato, seria algo impensável para alguém como a Marina - não consigo ver a Marina sentada na mesma sala que o Maluf negociando apoio. Mas seus acenos aos partidos tem sido algo interessante de ver. Já demonstrou querer dialogar com PT e PSDB. Marina não negocia com pessoas, mas com ideias. Quem tiver ideias boas, de qual partido for, terá espaço em seu gabinete presidencial. Claro, ela não vai ter vida fácil como presidente, pelo menos a vida fácil que o PT teve em todos esses anos. Mas pelo menos está aberta ao diálogo. 

4) Apesar de sua história ligada à esquerda e de estar filiada a um partido que carrega o socialismo no nome, Marina já deu sinais claros de que o radicalismo esquerdoide está longe de seus planos. Sua proposta de abertura para a economia, independência do Banco Central e menos interferência do Estado em questões econômicas são um vento de ar fresco num ambiente tomado pela burrice socialista que o Brasil vem respirando nos últimos anos. A aproximação ideológica do Brasil a países de mentalidade pequena e equivocada como Equador, Venezuela e Bolívia só fez mal ao nosso país - tivemos a pior geração de empregos dos últimos anos e agora estamos em recessão econômica. Mesmo sem admitir, Marina está muito próxima dos conceitos liberais que tantos benefícios trouxeram a outros países. 

Viram que em nenhum momento citei as coisas genéricas de sempre que os candidatos prometem? "Saúde" "educação", "moradia" e essas baboseiras que os candidatos papagaiam sem sequer saber exatamente do que falam.  Tenho motivos sólidos para votar na Marina Silva. 

Se ela é a "messias" da política brasileira? Claro que não. Ela sozinha não vai mudar muita coisa, e sei que sempre há o risco de me decepcionar com ela - não confio nem em mim mesmo, quanto mais nos outros. Mas, no momento, ela é a candidata que inspira mais segurança, tanto pelo que ela diz como pelo que ela já fez e pelas pessoas de quem ela está se cercando. 

E vamos juntos com Marina!