Já passou o Natal, e agora?


Bom, o Natal já passou, todo mundo fez seus votos de felicidade, paz e todas essas coisas de sempre. Todo mundo comemorou o Natal de alguma forma: em família, com amigos, sozinho, em casa, na praia, no trânsito. Enfim, o Natal ja passou e o dia 26 com cara de segunda feira fora de época enfim chegou. Agora é curar a ressaca da Ceia e se preparar para o Reveillón, certo?

Bom, é mais ou menos isso. O problema é que todo fim de ano trás consigo promessas de mudança, de renovação, mas tudo continua igual como sempre. Inclusive as comemorações de fim de ano são sempre iguais. Prometemos perder peso, ganhar dinheiro, dar mais atenção à família, trabalhar menos e ficar mais tempo com os filhos. E logo no dia 2 de janeiro você percebe que suas promessas provavelmente não serão cumpridas. Mas a gente leva o ano assim mesmo, empurrando com a barriga e desejando que ele acabe logo pra renovar as promessas para o ano seguinte. Isso se chama vida, pra alguns. 

Eu, pelo contrário, nunca fiz promessas de fim de ano. Nunca fui de prometer emagrecer (dá pra perceber, alguns vão dizer... rs), nem nada disso. Sempre preferi deixar que as coisas tomassem seu rumo e ir navegando conforme a maré se apresentar. Até deu certo por um tempo, mas depois percebi que viver sem propósitos também é outra forma vazia de levar a vida. Tentei levar minha vida sem planos nem projetos. Simplesmente fui vivendo, sem sonhos, sem nada a perseguir. E percebi que não estou chegando a ligar nenhum, talvez por não saber onde quero ir. Já diz o ditado que "quem não sabe o que procura não percebe quando encontra". Eu estava levando as coisas assim. 

Por isso me dou ao luxo de mudar tudo esse ano e fazer promessas de ano novo. Sim, preciso emagrecer, como todo mundo diz, mas meu caso é questão de saúde, já. Virei um obeso - um beijo do gordo, UOU! Pra isso vou procurar ajuda especializada, uma endócrino e nutricionista, e entrar em alguma academia - apesar de eu ODIAR o ambiente supérfluo das academias, cheias de músculos inflados e cabeças ocas, sem falar nas siliconadas exibindo seios enormes em tops minúsculos (tá, assumo, eu também gosto de ver! Sou homem, porra!). Vou tentar vencer esse preconceito e adotar o estilo fitness. 2014 vai ser um ano de mudanças na minha vida profissional, e minha vida pessoal vai ter que acompanhar. Pra isso, vou tentar vencer outro preconceito: o inglês. Sim, eu não tenho a menor paciência para aprender inglês, mas já estou sentindo na pela a falta que me faz conhecer o idioma dos Simpsons. Quem sabe não engate um espanhol, também? 

Mas eu sei que essas são mudanças cosméticas, que resolvem parte do problema. Basear meu 2014 apenas em poucas promessas é como resolver o problema da saúde no Brasil só contratando mais médicos. Aliás, fizeram isso... Mas enfim, preciso mudar minha forma de ver a vida. Mudar a forma de me ver. Cobrar menos de mim mesmo, ser menos exigente. Parar de pensar um pouco em como as pessoas me veem e me preocupar mais com o que me faz bem. Foi o que minha psicóloga disse... rs Parece fácil, mas não é. Só que eu tô tentando, juro.

Enfim, acho que chego a hora de mudar algumas coisas na minha vida. Não vou relatar mais porque tem gente lendo isso. Mas espero que algumas dessas mudanças sejam visíveis. Se não as mudanças interiores, pelo menos o tamanho da barriga... rs

E que 2014 seja um ano de mudanças na vida de todos, não por causa das promessas de Reveillon, mas porque mudanças são necessárias. 

Abraços a todos e até 2014!

Só mais uma vez


Ah, se eu pudesse...

Se eu pudesse, te daria mais uma vez o beijo que te dava todos os dias antes de sair de casa. Se eu pudesse, queria ver mais uma vez sua cara desconcertada cada vez que recebia um elogio. Se eu pudesse, mais uma vez iria deixar você me trazer leite quente na cama antes de dormir. Se eu pudesse, gostaria de ficar resfriado mais uma vez só pra receber aquela atenção que sempre recebia. Se eu pudesse, fingiria que estava esquecendo o agasalho em casa só pra te ver de novo falando "pega a blusa!" Se eu pudesse, queria mais uma vez brigar com minha irmã pra ouvir o seu sermão repetido anos a fio sobre respeitar e proteger a irmã mais nova. Se eu pudesse, queria mais uma vez ver sua cara de preocupada por eu não ter atendido o celular quando você tentou falar comigo. Sim, eu gostaria de ver de novo sua emoção quando aprendi a escrever. Queria de novo que você me levasse à escola, que me comprasse doces, que me levasse pra passear. Queria ver de novo sua emoção quando consegui o primeiro emprego e sua cara de ciúmes quando levei em casa a primeira namorada. Ah, eu daria de tudo pra te desejar boa noite de novo, antes de dormir. Queria tanto poder acordar tarde no sábado e te encontrar já cuidando de tudo em casa. Poder ligar em casa da rua e ouvir seu "alô?".

Só mais uma vez. Uma única que fosse.

Mas eu sei que não terá mais uma vez. Pelo contrário, sua presença foi substituída pelo maldito "nunca mais", esse ser que tem o poder maléfico de tornar a ausência um fardo quase insuportável, que nos faz entender na prática o que significa a tal sensação de vazio que os psicólogos tanto falam, que transforma a saudade numa angústia terrível que nos faz ter vontade de sair na rua gritando seu nome feito loucos, te procurando em todas as portas e becos, na esperança de te ver de novo, assim como quando eu me perdia no supermercado e saia desesperado e te encontrava em alguma seção tranquilamente olhando produtos que nunca comprava, lembra? 

Sabe o que doi? Não ter um refúgio. Pois uma coisa era certa pra mim: se tudo na minha vida der errado, se todos me virarem as costas, se todos meu amigos me abandonarem e eu virar persona non grata onde antes era querido, eu poderia bater à sua porta a qualquer hora sem medo, pois seria recebido com um sorriso. Mas não terei mais isso. 

Me sinto como se estivesse descendo uma escada íngreme sem corrimão. Dá pra descer, mas é bem mais difícil, o medo de cair é grande. Não tenho mais sua mão pra segurar. Ou como se estivesse numa corda bamba sem qualquer equipamento de segurança. Não tenho mais conselho pra receber. Tenho que caminhar com meus próprios pés. Assim tem sido minha vida.

Mas uma coisa é certa: vou seguir em frente mesmo sendo difícil, mesmo na corda bamba, mesmo na escada sem corrimão, pois é isso que você iria me dizer, se pudesse. Eu sei disso. Se pudesse, iria me mandar parar de lamentar e ir à luta, pois a vida segue pra mim. E segue mesmo. Com um vazio enorme, mas segue. Vou continuar, agora colocando em prática cada um daqueles conselhos que você me dava e eu nem prestava muito a atenção. Vou honrar seu nome e sua história. 

Nunca mais vou te ver. Mas eu queria.

Pelo menos mais uma vez.

Fim de ano, ou a arte de protelar


Hoje vi na porta de uma igreja um anúncio curioso. A igreja estava distribuindo panfletos onde as pessoas poderiam listar aquilo que desejam mudar em sua vida a partir de 2014, e aquilo que desejam realizar no novo ano. 

Sim, que o final de ano é a época sagrada para se fazer planos, isso ninguém discute. Mesmo que os planos sequer saiam do papel em janeiro, ou que mal sobrevivam ao mês de fevereiro do ano seguinte, todos tem sua listinha de realizações, de conquistas que desejam para o próximo ano, todas pensadas com muita determinação e empolgação em dezembro. Mas o que me chama a atenção, e me chamou em especial nesse anúncio dessa igreja, é a expectativa que as pessoas colocam no futuro. Seja o ano novo, seja a segunda feira, temos o hábito de prorrogar realizações, de colocar em datas futuras uma carga pesada de expectativa, que nem sempre se concretiza. Pois uma coisa é certa: muito provavelmente você não vai começar nenhum regime a partir de 2 de janeiro, nem vai adquirir o hábito de frequentar academia, ou visitar seus pais com mais frequência. Sabe por que? Porque protelar é apenas uma forma de justificar para si mesmo o fato de ainda não ter feito uma coisa que você sabe que precisa fazer.

Quem protela sempre tem uma desculpa pronta. Pra que esperar até 2 de janeiro se dezembro ainda está começando? Pra que esperar 2014 se ainda temos em 2013 a quantidade de dias o suficiente para iniciar a mudanças que queremos?  Quer fazer academia? Se matricule esse ano. Quer começar acompanhamento médico? Eles ainda estão atendendo. Quer dar mais atenção ao seu filho? Ele está aí perto de você. Quer ligar mais aos seus pais O telefone que você usaria em 2014 é o mesmo que você pode usar agora. Não deixe para amanhã o que ainda dá tempo de fazer hoje. 

Pare com essa mania de planejar tudo para o dia seguinte, para a segunda feira, para o ano novo. Primeiro de Janeiro é uma data comum do calendário, nada mais que isso. Não existe nenhum sistema cósmico que muda quando um novo ano começa, nem há qualquer força superior que se renova com o começo do ano. O mundo é o mesmo, e sua vida também será, se você continuar a empurrar com a barriga para 2014. Até porque, quando você menos esperar, a copa de 2014 já terá passado, as eleições terão se concluído e a Dilma deixará o governo (que os anjos digam amém!) e você estará fazendo novamente para 2015 as mesmas promessas que fez agora para 2014.

Repito: pra que deixar para realizar coisas em 2013 se ainda temos um mês completo em dezembro? Comece hoje, e faça de 2014 apenas uma sequência da sua rotina.

Start now!