Desencantos: política



Nem sou tão velho assim - tô a caminho dos 30 anos - mas já estou me desencantando com muita coisa nessa vida. Coisas nas quais tentei acreditar, outras nas quais acreditei de verdade, e percebi que na verdade não passam de esperanças que criamos em cima de estruturas tão frágeis quanto casas erguidas sobre a areia. Até criei uma tag pra isso aqui no blog. Aos poucos vou compartilhando alguns desses desencantos - os que forem possíveis de serem compartilhados, claro! rs

Uma desses meus desencantos é com a política. Vejam só: eu ainda acreditava que era possível ver a política de um jeito sério, comprometido, mas eu vi que, pelo menos no Brasil, isso é impossível! Quem me lê aqui há algum tempo sabe que já defendi e defendo a filiação partidária como a única forma concreta de se tentar mudar alguma coisa no Brasil, já que nosso sistema político é baseado no partidarismo - por mais que a maioria dos partidos brasileiros não seja mais que grupos de espertos que tentam usar o dinheiro público para  interesses pessoais. Pessoas que se dizem "engajadas", politizadas", mas que não tem qualquer interesse na atividade partidária não passam de revolucionários de sofá, que vivem de criticar mas sem qualquer comprometimento de fato com essa tal "mudança" que tanto desejam. Sim, acredito que o problema do Brasil é a despolitização do brasileiro. Reclamamos dos políticos, mas sequer lembramos em quem votamos na eleição passada. Não sabemos qual a atribuição de um prefeito, de um governador ou do presidente da República. Daí não nos espantarmos quando vemos um candidato a prefeito prometendo metrô: o brasileiro não sabe que metrô não é atribuição da prefeitura, e sim do Governo do Estado. Não acompanhamos a ideologia dos partidos brasileiros, não sabemos como funciona a política no exterior para poder comparar com a nossa - aliás, não sabemos sequer como funciona a nossa política. E vou além: esse total desinteresse do brasileiro pela atividade política é bom para os partidos, que tem cada vez menos pessoas cobrando suas ações e votações. 

Consciente disso, já procurei várias vezes um partido interessante - ou menos pior - para me filiar. Já fui filiado ao DEM, ainda na era pré-PSD, do qual me desfiliei depois de me sentir como um idiota tentando acompanhar alguma atividade partidária que sequer existe. O DEM é um partido tão insignificante que sequer faz convenções com os filiados, para debater, apresentar propostas, alternativas para o Brasil. Não há nada, nenhuma reunião, nenhuma forma de acompanhar o partido. Nada. Como filiado do DEM não tive acesso a nenhuma movimentação partidária. Ainda lembro com detalhes da cara de espanto do senhor que me atendeu na sede do partido em SP, quando cheguei lá dizendo que queria fazer a filiação, algo como "mas vai se filiar pra que?". O DEM, hoje, é um partido "água de salsicha", que já não tem mais relevância nenhuma e que não faria a menor falta de deixasse de existir. 

Saí do campo direitista do DEM - se é que se pode dizer que o DEM é um partido de direita - e fui para a esquerda. Me filiei ao PPS, com a esperança de ver algo diferente no partido. Realmente as coisas lá são bem diferentes da maioria dos outros partidos. Eventualmente o PPS de SP faz convenções, criam propostas sérias, projetos alternativos, e os apresentam via site, blog. Recebem de bom grado as sugestões dos filiados. Quando liguei no diretório do partido em SP, na Água Branca, fui muito bem atendido e ainda fui informado de como acompanhar a vida partidária e etc. Mas o que me chamou mesmo a atenção no PPS é a história do partido. Pra quem não ligou o nome à pessoa, o PPS de hoje é a continuação legítima do PCB, o Partido Comunista Brasileiro, o mesmo que foi peça chave na luta contra a Revolução de 64, ou Ditadura Militar, onde muitos militaram pela liberdade de pensamento e morreram por causa disso. O PPS, diferente de certos partidos, tem história. Tem um histórico de luta pela democracia a apresentar. Além dessa história me chamou a atenção no PPS exatamente o movimento de transição do partido em 1990, de PCB para PPS. Naquele ano a direção do partido percebeu que os ideais comunistas de Karl Marx já não faziam tanto sentido como se pensava - haja vista a Alemanha Oriental e a URSS. Vendo que o radicalismo não iria levar o comunismo brasileiro a lugar nenhum o PCB não teve constrangimento em mudar sua ideologia e dar abertura a outras formas de pensamento, criando assim o Partido Popular Socialista, um partido de esquerda, por definição, popular por privilegiar o todo ao invés do individual, mas sem o radicalismo intolerante dos demais partidos comunistas mundo afora. Esteve com o PT em 2002 e não teve constrangimento novamente de mudar de lado e romper com o PT em 2005, quando o partido já havia deixado claro que a bandeira da ética defendida quando oposição não era mais que uma fachada para chegar ao poder, isso ainda numa época pré-mensalão. Além do mais o PPS vinha mantendo um discurso bastante interessante da renovação política, com uma ideologia aberta, leve e de fácil compreensão - a "nova política", livre das algemas do coronelismo, tao presente nos grandes partidos brasileiros. Como concretização dessa mudança o PPS de São Paulo propunha a refundação do partido que, convenhamos, tinha uma atuação insignificante no cenário nacional. O PPS paulista propunha inclusive a mudança do nome do partido para #REDE23, ideia que inspirou a criação do partido da Marina Silva, a REDE. Sim, o nome do partido da Marina foi inspirado nesse movimento do PPS paulista. Uma das críticas que se fazia ao PPS era a presidência quase eterna de Roberto Freire no partido. Também não concordava muito, mas já que ele tinha uma atuação excelente à frente do partido, fazendo o papel de oposição combativa que o PSDB deixou de fazer há muito tempo, isso compensava a falta de alternância. Aí, num belo dia, assim do nada, leio na internet que o PPS resolve se fundir com o nanico e insignificante PMN e criar um novo partido, uma tal de Mobilização Democrática. Pensei que isso fosse apenas fofoca política, dessas que pipocam todo dia na internet. Mas aí vi que a porra era séria. O PPS, com a intenção de ganhar aí um mardito minuto a mais na TV resolveu se juntar com um partido que nem os próprios políticos sabiam que existe e jogar fora toda a tradição do PCB-PPS. Tá, o PPS andava meio apagadinho, mesmo. Mas se fundindo com outro partido e criando uma nova agremiação com um nome pensado às pressas que não diz nada com coisa alguma e abrindo "janelas" para a filiação de políticos "descontentes" com seus partidos pode até ser uma forma eficiente de ganhar visibilidade e relevância, mas não é a forma mais íntegra. Não, não há nenhuma irregularidade nessa fusão. Pelo contrário: isso ajuda a diminuir um pouco a quase interminável lista de partidos políticos no Brasil. Mas, se por um lado é legal, por outro lado isso trai o ideal esquerdista do partido e joga fora todo o discurso de renovação da "nova política" que o PPS paulista vinha apresentando. 

Não me desfiliei do PPS - agora MD, e não sei ainda se irei me desfiliar, até porque não vejo outro partido para me filiar. Me simpatizo bastante com a Rede da Marina, mas não sei bem onde os militantes marineiros pretendem chegar, e isso pode acabar fazendo com que a Rede seja um partido a mais, assim como o PSD do Cassabe (sim, eu sei que não se escreve assim, mas eu também gosto de escrever Adade. Me deixa! rs). Por enquanto prefiro ver os rumos que essa Mobilização Democrática vão tomar.  Se o partido virar mais um, saio fora. 

Só sei de uma coisa: me desencantei com a política. De novo. 

Cat Power: ela estará entre nós!



Demorou, mas agora é certo: Cat Power (ou Charlyn Marie ou ainda Chan Marshall, como preferir)  estará entre nós, brasileiros! A Turnê Sun, do álbum homônimo lançado em 2012, estará no Brasil em 8 de maio no Circo Voador - RJ, 18 de maio no Catamaran, em Recife-PE e dia 21 de maio no Cine Joia, em São Paulo-SP.

Sun é o álbum mais pessoal de Cat Power. Apesar de ainda apresentar a mesma angústia dos álbuns anteriores, em Sun Chan Marshall parece mais à vontade para falar da expectativa social e da opressão social vivida pelos jovens em qualquer lugar do mundo. O álbum, que já foi classificado como um dos melhores lançados em 2012 pela revista Rolling Stone, foi todo produzido pela própria Cat Power e gravado em Malibu, na Califórnia.

Quem segue esse blog há algum tempo sabe que curto muito as músicas da Cat Power. Gosto da forma como ela compõe, não muito comercial mas autêntica. Aliás, Cat Power consegue ser autêntica até quando regrava canções de outros nomes, principalmente de Bob Dylan, seu cantor preferido. 

Se eu vou nesse show? Claro, apesar do horário meio tenso, pois o show está previsto para começar à meia-noite. Quem vai de ônibus, como eu, volta pra casa como? Mas nem que seja pra ir sozinho e dormir em algum ponto de ônibus pra esperar a primeira condução do dia seguinte, mas vou! rs Há anos espero por uma apresentação de Cat Power no Brasil e não posso perder essa oportunidade. 

Quem tiver interesse pode acessar o site do Cine Joia, onde ela irá se apresentar em SP. 

Cat Power com Jimmy Fallon




Cat Power esteve ontem, 5 de abril, no programa Late Night With Jimmy Fallon, da TV americana NBC e cantou Manhattan, uma das músicas do novo álbum Sun, lançado em 2012. Lembrando que Cat Power vem ao Brasil em maio desse ano para apresentar a turnê em SP, Rio e Recife.