#Musica Ein Elefant Für Dich - Judith Holofernes



Ela não tem a melhor voz do mundo e canta em um idioma que os brasileiros simplesmente ignoram por completo, tanto por ser dificílimo como por um certo desinteresse por tudo que não seja cantado em inglês. Judith Holofernes, nascida Judith Holfelder von der Tann, é alemã e vocalista da banda Wir Sind Helden (WSH), uma das mais expressivas bandas que surgiram da chamada Hamburg Schule - Escola de Hamburgo, movimento musical criado na Alemanha nos anos 80 para fazer frente à influência das músicas feitas em língua inglesa sobre os alemães, que se interessavam mais pelo que era produzido fora do que pelo que era feito na própria Alemanha. Dessa escola saíram nomes do rock, pop, indie, punk e outros estilos que hoje fazem parte do dia a dia dos alemães como Tocotronic, Blumfeld, Die Stern, Virginia Jetzt!, Tomte.

Criada em 2001, Wir Sind Helden tem quatro álbuns lançados e diversos singles de sucesso na Alemanha, além de estar sempre no topo dos álbuns mais vendidos na Alemanha. O trabalho mais recente da banda é de 2010, Bring Mich Nach Hause (Me leve pra casa).

Se Judith Holofernes não é a dona da voz mais bonita da Alemanha ela compensa isso com uma afinação impecável e uma capacidade quase única de cantar graves e agudos com a mesma perfeição. Somando a isso, sua incrível e belíssima sensibilidade na voz, algo meio difícil para um idioma pesado como o alemão, é quase um dom. É quase possível sentir a mensagem de cada música cantada por ela, mesmo que você não entenda uma letra do idioma. 

Dou como exemplo disso Ein Elefant Für Dich (um elefante para você), uma das canções mais belas da banda, tanto pela letra romântica que fala do amor que suporta qualquer problema como pela melodia cativante. 



Calma, segue a tradução:

Eu vejo nós dois, você há muito tempo está 
muito pesado para os meus braços, mas eu não vou te deixar aqui 
Eu sei que seus monstros são exatamente como os meus 
E é melhor não ficar sozinho com eles
Eu sei, eu sei, eu sei e não pergunto 

Segure forte em mim, suba, eu te carrego 
Eu me tornarei enorme para você 
Um elefante pra você 
Te carrego milhas longe 
Sobre esta terra 

E eu Te levo o mais longe que puder 
Eu te levo o mais longe que eu puder 
Até o fim do caminho, se preciso for 
Eu te levo 
Te levo além do rio 

Aquele que não devia, chora ao telefone 
E aquela que não queria, Chora e já sabe 
Suas pernas não te carregam como elas devem 
Tantas vezes vão, ainda sem querer ir embora 
Eu sei, eu sei e eu não suporto isso 


Segure forte em mim, suba, eu te carrego 
Eu me tornarei enorme para você 
Um elefante pra você 
Te carrego milhas longe 
Sobre esta terra 

E eu Te levo o mais longe que puder 
Eu te levo o mais longe que eu puder 
Até o fim do caminho, se preciso for 
Eu te levo 
Te levo além do rio 

E eu Te levo o mais longe que puder 

Textos verdadeiros, autores falsos



Se há uma coisa difícil de controlar na internet é a autoria dos textos publicados. Quem nunca viu textos de Clarice Lispector na internet que ela provavelmente nunca escreveu? Ou belas reflexões de Caio Fernando Abreu que provavelmente nunca passaram pela sua cabeça? Mas o campeão de textos atribuídos falsamente é Luis Fernando Veríssimo. A ele já atribuíram todo o tipo de textos, desde ofensas a times de futebol até belíssimas reflexões sobre a vida. Um dos mais famosos é uma crítica ao BBB, que desde 2009 vem circulando a internet, e esse ano novamente passou a circular, se referindo dessa vez À 13 edição:

"Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB..."

Não vou colocar o texto completo, pois além de ser longo você provavelmente já o leu em algum lugar. A cada edição do BBB ele circula novamente pela internet, sempre pelos moralistas de plantão que adoram posar de defensores da moral e dos bons costumes, que usam o nome de Luis (sem acento no I e com "s") Fernando Veríssimo para dar um ar de "intelectualidade" ao texto. Porém o próprio Veríssimo já disse que esse texto não é dele, em um artigo publicado no Blog do Noblat em 2010

Até eu, aqui no alto de minha insignificância, já tive vários textos meu plagiados em blogs. Alguns dão o crédito, outros publicam como "autor desconhecido", ou ainda mudam algumas palavras do texto e usam o próprio nome para ganhar alguma pseudo-fama na internet, sem falar em um certo blog que me colocou como "colaborador" e publicava todos meus textos publicados no Insoonia como se tivessem sido escritos especialmente para aquele blog. 

É, é meio difícil mesmo controlar o que se publica na internet. E não acho que alguma lei resolveria o caso. O que resolve mesmo é o bom senso de quem publica para procurar a fonte do que irá publicar, ou quando não é possível identificar a fonte, avisar isso. Não custa nada e torna a internet um lugar mais honesto. 

Quem sabe num futuro utópico?