Cadê Deus? #SantaMaria2


Vi uma pessoa hoje na igreja "agradecendo a Deus" por ter "protegido" a neta no incêndio em Santa Maria-RS, e novamente caí na mesma pergunta que vem me martelando há alguns meses? Por que Deus "protege" uns e deixa outros morrerem? Quais critérios ele utiliza? O que ele leva em conta? Bondade ou maldade é fato que não é, pois todo dia gente boa morre e gente ruim escapa de tragédias, além do que o conceito de "bondade" e "maldade" é tão relativo quanto dizer que o dia está quente ou frio. 

Entre os mortos uma garota de 23 anos, mãe de uma menina de 1 ano, linda, estudante de radiologia da UFSM, cheia de amigos. Não sei porque (aliás, sei) essa menina me chamou tanto a atenção, e acho que acabei escolhendo essa garota pra representar meu sentimento em relação ao que aconteceu. Alguns dizem que "deus permite" essas mortes, pois ele "tem um plano" em cada tragédia que acontece. Mas qual seria esse plano que envolve mais de 240 mortes? Vi umas pessoas dizerem que, depois de uma tragédia dessas, só resta "esperar em deus". Mas como assim? No mesmo deus que não protegeu essas pessoas de morrerem? Confiar em quem tinha poder pra evitar mas "permitiu" que isso acontecesse? Outros dizem que não, Deus não interfere em acontecimentos humanos, mas se solidariza com o sofrimento. Parece bonito, até, mas não consigo imaginar um Deus descrito na Bíblia como poderoso, forte, etc e tals, mas que na hora do sofrimento simplesmente sofre junto, tão impotente como qualquer um de nós! 

Não sei, é tudo tão confuso que hoje passei o dia inteiro mal, com a cabeça cheia de perguntas. Tanto que esse é o terceiro post que eu escrevi hoje sobre isso. Respeito todas as religiões, inclusive as que pregam o que eu escrevi acima. Mas pra mim, no meu mundinho, fica difícil entender essas coisas. Tem alguma religião no mundo que responda isso, será? Ou terei de inventar a minha? rs

Ontem a noite eu queria me divertir #SantaMaria

Leandra Toniolo, uma das vítimas do
incêndio em Santa Maria

Já está tudo certo: eu e os colegas da UFSM vamos na Kiss essa noite. A cidade é pequena, e essa boate é uma boa opção de diversão para a gurizada no fim de semana, bem bacana, organizada, com gente bonita, outro nível. Além disso a Michele vai com a gente, aquela querida! Pedi para que minha mãe cuidasse da minha filha de 1 ano. Marcamos de nos encontrar à meia noite. 

Chegamos à boate e logo tratei de entrar. Tem tanta gente aqui dentro que eu até me assustei, sabe? Mas adorei o lugar. Muita luz, muita música alta, gente bonita. A noite hoje vai ser inesquecível, capaz. Peguei algo para beber e vou para a pista de dança. Tem um guri lindo me chamando para dançar. Aceito? Sim, já estou aqui, não custa nada. Nossa, já são mais de 1 da manhã! Preciso saber como estava minha garotinha. Vou ligar em casa. "Oi?", responde minha mãe com a voz sonolenta de sempre. Perguntei da minha filha. "Ela tá bem, tá dormindo. E você, tá tudo bem aí?". Respondo que sim e para desligar logo o telefone, depois das recomendações de sempre da minha mãe: "qualquer coisa me liga, tá?". Ela sempre fala isso, e eu quase nunca preciso ligar. Aliás, acho que só precisei uma vez, que fiquei sem carona pra voltar pra casa, mas isso é outra história.

Voltei para a pista de dança e percebo que a casa estava lotada. Muita gente dançando e a banda Gurizada Fandangueira no palco está fazendo uma apresentação linda com pirotecnia. Me assusta um pouco ver o fogo, mas não dá pra negar que o show está fantástico. Peço licença aos amigos para ir a banheiro. Quando estou quase saindo ouço um barulho de pessoas gritando. Não duvido nada que seja alguma briga, capaz. Vejo pessoas entrarem no banheiro gritando "incêndio". Mas como pode? Agora pouco saí de lá e estava tudo normal! Será que foi o fogo da pirotecnia? Mas bah, que cheiro estranho é esse? Fumaça? Sim, é verdade, há fogo! E o tumulto já tomou conta do lugar. Há pessoas perto da porta indo embora correndo. O fogo está mais intenso. O cheiro de fumaça já é  insuportável. Tenho que sair daqui o mais rápido possível. Mas quanto mais eu tento chegar perto da porta do banheiro para sair mais gente entra. Quantos burros, não percebem que a saída não é aqui? Tento gritar, mas ninguém me ouve. Ei, espere, não empurre! Caí no chão, e uma multidão de gente vem vindo em minha direção. Se eu não sair daqui agora vou ser pisoteada. Levanto rápido. Não dá pra sair daqui, o banheiro está lotado. Gente, temos que sair daqui logo, a fumaça está ficando forte demais aqui dentro. Estou ficando enjoada. Já sei, vou ligar para a minha mãe, pedir pra ela vir aqui me buscar. Ai, cadê o celular? Não consigo pegar, está muito apertado, aqui, muita confusão! Estou com medo, preciso ir para algum lugar. A fumaça está mais forte e não consigo enxergar mais nada. Está muito escuro aqui e eu estou ficando tonta! Tento segurar a respiração, mas não tem como. Não tem o que respirar aqui. Estou com medo. Quero falar com a minha mãe. Quero minha filha! Preciso sair daqui agora. Mas estou sem forças. Não consigo sequer ficar em pé, mas se eu sentar no chão vão me pisotear. O que eu faço? Estou fraca. E essa fumaça toda. Tem gente desmaiada aqui dentro. Por favor, alguém precisa vir buscar a gente. Vamos morrer aqui! Não, eu não quero morrer! Não consigo pensar direito... Acho que vou desmaiar, a tontura está muito forte. Alguém me ajuda, por favor... Ai, caí por cima de alguém... Por favor... Mãe, vem me buscar... Filha, a mamãe te ama... Socorro... Alguém...

***

Escrevi isso com base no pouco que li sobre Leandra Toniolo, jovem de 23 anos mãe de uma menina de 1 ano que morreu no incêndio em Santa Maria-RS. Quantas histórias parecidas com essa devem ter acontecido?

Sei que o texto não ficou dos melhores, mas ainda não consegui pensar em algo para escrever. Agora eu choro, apenas choro. "Mas você conhecia essa tal Leandra?" Não, nem sabia da existência dela antes das notícias, mas me sensibilizei pelo que li sobre ela e pela forma como foi encontrada, dentro de um caminhão. "Você conhecia pelo menos alguém la no incêndio?" Não, mas não preciso conhecer ninguém numa tragédia pra me sensibilizar.

Se algum parente ou amigo da moça da foto ler esse post eu peço desculpas por usar a foto sem pedir permissão antes. Caso queiram posso tirar. Só entrar em contato. Mas achei que essa foto representava muito bem o sentimento que eu tentei transmitir no texto: gente jovem, bonita, alegre e que teve a vida e o futuro interrompidos.

Por favor, se nada disso te sensibilizou fique quieto. Não venha com agressões gratuitas, pois esse não é o momento. Pelo menos respeite a dor dos outros. 

Charlie Sheen cantando "Águas de Março". Em português!


Sim, meus amigos, é isso mesmo!

O novo filme de Romam Coppola, A Glimpse Inside the Mind of Charlie Swan III, filme que marca o retorno de Charlie Sheen ao cinema, ainda não tem data para estrear no Brasil, mas já chamou a atenção dos brasileiros. Isso porque, para o filme, Charlie Sheen gravou, com Katheryn Winnick, a música Águas de Março, de Tom Jobim. Em português!

Se ficou bom? Talvez, mas a confusão quase sensual que Katheryn faz com as sílabas em português é algo delicioso de se ouvir, sem falar na tentativa de Charlie que, mesmo com a dificuldade de pronunciar ditongos com acento, como "chão", "pão", "verão", "coração", mostrou segurança na voz, anda que num idioma tão diferente e distante dele.

Ouça:



Talvez essa mesma reação que você teve ao ouvir Charlie Sheen arranhando o português seja a que os americanos tem quando ouvem um brasileiro cantar em inglês... rs

Korpiklaani, o "Metal de velhos"



Quem me lê aqui no blog sabe que tenho a mania de sair vasculhando coisas feitas pelos gringos e total ou quase totalmente desconhecidas por aqui. Gosto de saber o que vem sendo produzido além do que é divulgado na mídia. E nessas minhas buscas já encontrei muita coisa boa, como o Korpiklaani, uma banda finlandesa de Folk Metal bem bacana, mas pouco conhecida por aqui. NA verdade até são conhecidos no Brasil, mas apenaspor quem se interessa pelo Folk. A banda teve início em 1993, quando  ainda se chamavam "Shamaani Duo". Lançaram alguns álbuns com esse nome até que mudaram para Korpiklaani, e junto com o nome mudaram também o estilo da banda: o que era uma banda de Metal virou Folk Metal.

O próprio vocalista Jonne Järvelä define a banda como "música de velho com uma guitarra Heavy Metal finlandesa". Então tá, não vou discordar... rs

Segue uma das principais músicas da banda, Beer Beer (preciso traduzir o nome? haha):

Tenho 27 anos e não morri



Quando ainda era criança eu tinha uma visão de mundo totalmente diferente da que tenho hoje. Cresci vendo o mundo como uma grande fazenda onde Deus era o fazendeiro e nós meros animais comandados pelo grande fazendeiro. Mas aos poucos vi que essa fazenda era um pouco mais desorganizada do que de costume. Coisas saiam do controle, tragédias inexplicáveis colocavam esse "senhorio" de Deus em cheque. A explicação para tudo isso? "Deus quis assim". Deus quis? Que raio de deus é esse que vê gente morrendo, se dando mal na vida, se ferrando dia a dia e fica de braços cruzados, porque "ele quis"? Deus gosta de ver gente se dando mal? Aí depois me explicaram que não, Deus não quis, mas como ele ama ele preferiu sair de cena dos acontecimentos humanos para que tenha liberdade de amar e apoiar nos momentos difíceis, pois "quem ama não domina". Tá, muito bonito, muito poético, mas se eu não consigo contar com o apoio de quem eu vejo e vou contar com quem eu nem vejo? Vi que a coisa não era bem assim. Abandonei essa visão de mundo. 

Agora tentam me empurrar um mundo diferente do que aprendi a entender quando criança, mas tão complexo quanto. Teoricamente o segredo do sucesso no mundo não é mais a obediência a uma ordem divina, mas o esforço através do trabalho. Dizem que quem trabalha, quem estuda muito, quem se dedica e mantém foco dá certo na vida. Mas também vejo todos os dias gente focada, dedicada ao que faz e competentíssima que vive migalhando para sobreviver. Gente inteligente e ignorada. Gente com potencial subutilizado, com capacidade enorme e se dedicando a subempregos, porque "não tiveram sorte". Sorte? Quem determina essa sorte? Deus? Se é Deus quem dá sorte a uns e não a outros acabo caindo no mesmo conceito de quando era criança: um Deus que controla tudo e distribui, com sua vontade confusa e inexplicável, coisas boas a uns e ruins a outros, nem sempre pelo mérito. Elimino também a ideia de que o esforço e dedicação são chave para o sucesso. 

Que me resta? Entender que o mundo é injusto. Pessoas boas se dão mal e pessoas más se dão bem. Homens cafajestes tem as melhores mulheres e homens fieis ficam sozinhos. Gente traiçoeira enriquece e honestos morrem pobres. Gente esforçada passa a vida no anonimato e inúteis ganham fama. Assim consigo compreender que não há nenhum deus controlando o mundo e nem que é o próprio homem quem faz seu caminho através do trabalho, muito menos que existe a tal "sorte". O mundo é um jogo. Um tabuleiro. Nós somos os jogadores. Se dá bem quem consegue manipular as peças desse jogo com mais habilidade, independente do que essa pessoa faça para isso. Se você sabe manipular você pode ser burro como uma porta, mas você estará cercado de amigos. Se você não sabe manipular esse jogo você pode ser a pessoa mais agradável do mundo e estará sempre sozinha. Quem domina essas peças enriquece, ganha destaque, se dá bem. Quem não domina vive no anonimato. 

Daí resta saber como aprender a manipular as peças desse jogo. Talvez pela convivência diária. A cada dia, a cada passo, a cada conversa de bar você conhece as pessoas e aprende um pouquinho mais sobre essas técnicas. Aos poucos você vai entendendo como sobreviver em seu mundo. Sabe que nem sempre as regras de um espaço se aplicam a outro. Nem sempre as pessoas são iguais, e nem sempre elas são mesmo o que dizem ser. Quando você começa a ter o domínio dessas peças do tabuleiro você entende que uma pessoa pode se dizer fiel, honesta, justa, mas na primeira oportunidade ela mesma se desmentirá. Mas ela vive bem. Por que? Ela domina as peças do jogo. Ter esse domínio é a chave para o sucesso. 

Tenho 27 anos. Vi muita gente boa morrer com essa idade. Ainda não morri - não sou um Bráz Cubas que escreve do além. Não sei quando irei morrer. Mas sei de duas coisas: 1) ainda não aprendi a dominar essas peças desse tabuleiro chamado vida. 2) preciso aprender a dominar isso antes de morrer, ou corro o risco de apenas existir.

Espero ainda ter tempo para aprender a viver. Agra que já entendo como as coisas realmente funcionam no mundo, preciso me adaptar a essa nova forma de encarar as coisas. 


*** Para quem tiver associado o título do post a outro texto, eu realmente me inspirei no post de mesmo título no Papo de Homem. Aliás, recomendo a leitura do post. 

O dia mau



"Se há algo que nos iguala a qualquer pessoa, de qualquer país, qualquer religião, qualquer orientação sexual, qualquer posição financeira, essa coisa é o dia mau. Sim, todos temos uma época na vida em que as coisas não vão bem. Seja no emprego, na família, no casamento, na falta de um casamento, no dinheiro, na falta de dinheiro, no excesso de dinheiro (acreditem: excesso de dinheiro trás problemas!), todos temos aquele período na vida em que as coisas parecem não sair do lugar. 

O que nos diferencia é a forma como encaramos o dia mau. Alguns nem saem dele; passam o resto da vida apenas sobrevivendo, pois se acostumam a viver em dificuldade. Alguns enfrentam o dia mau, mas se tornam pessoas tão rancorosas e revoltadas que acabam por afastar qualquer pessoa. Mas alguns poucos, poucos mesmo, passam pelo dia mau com beleza na vida, enxergando uma pontinha de esperança à frente, e isso dá a essas pessoas força para enfrentar a dificuldade e, quando tudo se acaba, elas ainda tem o coração inteiro. Esses são aqueles que, como dizia Jesus, não "perderam a alma" durante o dia mau."

Wesley Talaveira

Candace cansou de viver


Candace havia chegado à uma dura conclusão: estava cansada de viver.

Chegou a um daqueles momentos em que todo mundo se pergunta: o que é que eu estou fazendo aqui? Candace sabia que não ia fazer a menor falta se sumisse. Talvez um ou dois iriam dar pela ausência dela, mas nada que atrapalhasse a rotina de alguém. Sabia que a ausência dela não ia ser motivo de preocupação pra ninguém. Candace se sentia uma pessoa completamente insignificante vivendo num mar de ostracismo. Ela não fazia a diferença em lugar nenhum. Onde quer que estivesse, era uma a mais. Poderia ser facilmente substituída por qualquer outro. Candace havia se cansado de tentar participar de grupos, sempre em vão, pois onde quer que fosse era apenas a novata que caiu de paraquedas nos grupos já estabelecidos.

Candace estava cansada de tentar ir em frente e só encontrar muros que a impediam de caminhar. Estava cansada de não ser ouvida. Cansada de ouvir a todos e aconselhar nos mais diferentes problemas dos conhecidos, mas na hora que precisava desabafar com alguém nunca encontrava um par de ouvidos que tivessem qualquer interesse na vida dela.

Estava cansada de ajudar pessoas, indicar caminhos, orientar, mas se sentir sozinha na hora que precisava de uma ajuda, por mínima que fosse. Candace sempre tinha o braço estendido, mas nunca encontrava alguém que fizesse o mesmo por ela.

Estava cansada de tentar ser um amiga legal e só encontrar olhares desencontrados por causa do seu jeito atrapalhado e tímido. Talvez com demora, mas Candace percebeu que não havia espaço para ela no mundo; aliás, não há espaço para todos no jogo da vida. Isso que chamamos vida é uma verdadeira selva, uma guerra sangrenta pela existência onde só os mais sortudos sobrevivem. Não é questão de força. É questão de sorte. Em conclusões como essa a desistência sempre é o único caminho a seguir. Pois que seja, então.

Candace desistiu da vida. Cansou de existir. Cansou de tentar e ser derrotada. Cansou de insistir e nunca dar certo. Cansou de ir em frente mas ser empurrada para trás. Cansou de tentar mergulhar mas ser jogada para cima. Candace estava cansada. 

E, em segundos, Candace resolveu seu problema. Havia se tornado uma a menos no mundo. Num universo de 7 bilhões, ela não era nada. Agora era uma a menos a procurar emprego, uma a menos a sonhar com um casamento perfeito que só existe nas novelas, uma a menos a tentar espaço nas rodas de amigos. Candace já não existia mais. 

Assim, cansada, ela deixou de existir. 

Ana Lilian de la Macorra, a "Patty"


Ta aí uma boa dica pra quem é fã de Chespirito: quem nunca se perguntou por onde andava a "Patty", a namorada do Chaves? Pois é, ela hoje é psicóloga no México e, desde que atuou no Chaves, nunca mais fez nenhum trabalho para a TV. Aliás, quando foi convidada a participar do Chaves ela sequer era atriz! E deu um certo trabalho para aceitar participar: foi convidada para participar de 3 episódios e depois participar em aparições esporádicas, assim como eram o Jaiminho Carteiro e Godínez. Mas acabou participando de mais de 25 episódios, além de ganhar lugar fixo na escolinha do Professor Girafalez!

Hoje com mais de 50 anos de idade e ainda tão bonita quanto era quando atuou no Chaves - na época tinha apenas 18 anos - ela deu uma entrevista bem bacana pra uma TV do Peru. Se você manja um pouco do espanhol dá pra acompanhar de boa.


Rózyczka - A Pequena Rosa



Assisti hoje Rózyczka - A Pequena Rosa, filme polonês do diretor Jan Kidawa-Btónski, lançado em 2010 e com bastante repercussão na Polônia, porém quase totalmente desconhecido no Brasil. 

O filme fala sobre o escritor polonês Adam Warczewski (interpretado por Andrzej Severym), crítico do sistema soviético de 1960 que trabalhava num novo livro, "Os Ancestrais de Eva", onde faria duras críticas ao sistema político de seu país. Durante o tempo em que produzia o livro, Adam se envolve com uma bela jovem muito mais nova que ele e de classe social muito inferior chamada Kamilla (interpretada por Magdalena Boczarska), e por quem acaba se apaixonando.  Mas ao se apaixonar e confiar numa jovem desconhecida ("a mulher que veio do nada", como ele mesmo dizia), Adam acaba cometendo um dos erros masculinos mais imperdoáveis num país socialista: baixar a guarda para os encantos femininos. Adam revela boa parte de seu novo livro para Kamilla, que na verdade é uma informante do Partido Socialista polonês, identificada dentro do partido pelo codinome Rózyczka, ou Rosinha em polaco, e amante de um alto oficial do Partido, responsável por infiltrá-la na vida do escritor, mesmo contra a vontade da moça. Porém, ao se envolver com o escritor e conhecê-lo melhor, Kamilla descobre nele um homem generoso, fiel e cuidadoso e acaba por se apaixonar pelo até então vigiado e resolve abandonar o regime soviético e proteger Adam. Porém antes de se apaixonar Kamilla já havia dado ao Partido informações o suficiente para que o escritor passasse a ser vigiado dia e noite. 

Assim como boa parte dos filmes produzidos pelos poloneses, Rózyczka - A Pequena Rosa é um filme com forte conteúdo político. Denuncia a forma cruel com que o Partido infiltrava seus agentes na sociedade em busca de opositores, usando as vezes até mesmo o amor como ferramenta. Mas, além do conteúdo político, o filme mostra também como todos nós estamos sujeitos aos desenganos do nosso coração, que nem sempre se apaixona pela pessoa certa, e as implicações que isso pode ter. Mostra que muitas vezes as coisas podem sair do plano inicial, mesmo quando os envolvidos são agentes soviéticos.

O filme é ótimo para quem gosta de história política, principalmente da história política europeia. O elenco, apesar de totalmente desconhecido no Brasil, é perfeito. Poucos diálogos e muitas cenas de personagens que se olham em silêncio, ou cenas de paisagens, como é de costume no cinema europeu.  Eu não conhecia Magdalena Boczarska, a protagonista do filme, e me impressionei com o talento dela, além de ser lindíssima. A fórmula do filme pode até parecer meio batida (a vilã que se apaixona pela vítima e resolve mudar de lado), mas na história do filme encaixou perfeitamente. Rózyczka - A Pequena Rosa é um conto sobre o amor, sobre política e sobre os sentimentos mais profundos do ser humano.

Pra quem não curte nem um pouco de política mas quer alguma motivação para ver o filme, as - várias - cenas de nudez de Kamilla são bastante interessantes...

Indico!

Tentei a todo custo encontrar o trailler do filme com legendas em português, mas como há poucos diálogos, a legenda é desnecessária: