Cartas Para Mim Mesmo - IV

Olá,

Pensou que ia se livrar de mim no fim de ano? Estava enganado! Aqui estou eu para nossa conversa de sempre! Aliás, não tanta frequência assim, mas ainda assim nossos diálogos tem sido bem produtivos.  E eu gosto de dar um intervalo em nossas conversas para que você possa ter um tempo para analisar os rumos da sua vida. Nosso bate-papo hoje talvez seja um pouco mais longo, pois hoje é dia de fazer um balanço do seu ano, e isso pode levar um pouquinho de tempo. Paciência, tá?   

É bom ver que agora você tem colegas, pessoas para jogar conversa fora. Isso é bom, faz falta no nosso dia a dia. Só tome cuidado para não confundir colegas com amigos, pois são coisas totalmente diferentes. Jean-Bertrand Pontalis diz que "coleguismo e camaradagem são formas de amizade que, se não nos fazem sentir mais fortes, pelo menos afastam um pouco a solidão". E é bem isso mesmo, meu caro. Um colega não tem a profundidade de uma amizade, mas é uma companhia legal pra jogar conversa fora na mesa do bar, ou do restaurante. Pelo menos não nos sentimos deslocados do mundo quando temos alguns colegas, não é mesmo? 

Mas amizade é algo maior. É aquela pessoa para quem você conta coisas mais íntimas suas. Aquela que não te olha com ar de deboche quando você conta alguma bizarrice sua, que toma por si só a liberdade para opinar sobre coisas na sua vida que nenhum outro opinaria. Aquela pessoa que se identifica com você em coisas que você achava que só você fazia ou sentia. E você tem alguns amigos - bem poucos, mas tem. Aliás, você ainda está descobrindo se eles são amigos de verdade ou não, mas sua pesquisa está no caminho certo. Acho que o resultado vai ser bem positivo.

Só tome cuidado para não confundir as coisas. Por favor! Você já se decepcionou outras vezes, lembra? E pelo que vi nos últimos dias quase se decepcionou de novo! Você não aprende?! Como você é difícil, companheiro! Mas eu te entendo. Você passou um bom tempo sem contato com o mundo exterior. Viveu quase enclausurado, e ainda tem dificuldades em entender suas reações em relação aos outros. E é difícil de entender mesmo, às vezes. É como estudar música: você só aprende fazendo. Continue como está. Mantenha a mente aberta pra novas pessoas, mas protegido contra decepções. Coloque cada pessoa que passa pela sua vida em seu devido lugar: se é um amigo, que ele (ela...) ocupe o espaço dedicado aos amigos. Nada mais que isso, OK?

Aliás, percebi em você uma capacidade de se blindar contra decepções que ao mesmo tempo pode ser boa e pode ser ruim. Pode ser boa porque você analisa antes de se deixar levar. Antes de afirmar qualquer sentimento por uma pessoa você consegue avaliar e pesar se o que está sentindo deve ser levado em frente ou não. Isso se chama prudência, e é bom. É qualidade de poucos. Só tome cuidado para você não acabar se fechando de novo para novas possibilidades. E você sabe bem do que eu estou falando. 

Uma coisa legal: aos poucos - bem aos poucos mesmo - você está se aceitando como você é. Isso faz muita diferença na sua vida. Entenda que quem quiser gostar de você terá de gostar do que você é agora. Claro, sempre há uma coisinha aqui e ali para acertar, mas grandes mudanças na personalidade são impossíveis, e você mesmo é prova disso. Lembra quando tentavam te mudar a ponto de você mesmo não saber direito quem você era? Não é bom se vestir do jeito que você gosta, ouvir as músicas que quer, sem uma pessoa importunando e dizendo "use roupa tal, não gosto dessa música"?

Estamos começando mais um ano, e com ele você tem mais uma vez uma oportunidade de levar a vida adiante. Parece frase bonitinha da Marta Medeiros, mas é a vida, querido. Você já esteve estacionado um bom tempo e precisa correr atrás do prejuízo. Vá, não tenha medo da mudança. Arrisque mais. Tente. Se declare. Se ela não quiser paciência, outras irão querer. Planeje, ou faça sem planejar. Se tudo der errado tentamos do zero de novo. Já não começamos do zero uma vez? Vamos outra, se precisar, mas não fique parado. A vida não vai bater na sua porta. A vida é uma esteira: ou você sobe e caminha com ela ou fica parado de fora olhando ela se movimentar. Vamos lá, amigo. Mexa-se. Movimente essa gordura corpórea excessiva - que eu espero que você perca nesse ano - e corra em direção ao seu futuro. O tempo não para!

Chega de bronca por hoje, né? Mas você sabe que tudo isso é para o seu bem. Aliás, eu sou o maior interessado no seu bem, pois somos a mesma pessoa. 

Feliz 2013, de quem torce pelo seu sucesso,

Mim mesmo.

Namore uma garota que lê



"[...] Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela SEMPRE VAI TER UM LIVRO NÃO LIDO NA BOLSA. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas. 

[...] Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice. 

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as PALAVRAS SÃO AMOR. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade, mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ELA TEM QUE ARRISCAR, de alguma forma. [...] 

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois. [...] 

Se você encontrar uma garota que leia, É MELHOR MANTÊ-LA POR PERTO. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, CHORANDO E APERTANDO UM LIVRO contra o peito, prepare uma xícara de chá e ABRACE-A. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo. [...] 

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar POR QUE É QUE SEU CORAÇÃO AINDA NÃO EXPLODIU e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a ASLAM, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, E ELA RECITARÁ KEATS, NUM SUSSURRO, enquanto você sacode a neve das botas. 

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a VIDA MAIS COLORIDA que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. 

Ou, MELHOR AINDA, namore uma garota que escreve.

Texto original: Date a Girl Who Reads - Rosemary Urquico

Recebi esse texto pelo Facebook, por indicação da amiga Angelica Vancini

We All Go Back To Where To Belong - R.E.M.

Hoje eu disse no Facebook que minha música preferida do R.E.M. é ÜBerlin, mas eu me enganei. ÜBerlin é minha segunda preferida. A preferida mesmo é We All Go Back To Where To Belong:


Cat Power e seu novo álbum, "Sun"



Quem me lê aqui há algum tempo sabe que sou admirador do trabalho da Cat Power. Não digo fã porque ela não é do tipo que junta pessoas fanáticas pelo que ela faz. Mas gosto muito de tudo que ela faz. Mesmo sendo louca como é... rs

E fiquei muito, muito feliz ao saber do novo trabalho dela, Sun, depois de 6 anos sem produzir nada novo. O novo álbum é totalmente diferente de tudo que ela já fez: mais pop, com uma pegada mais animada e cheio de letras positivas, bem diferente de álbuns como os antigos Myra Lee e What Would the Community Think? com letras melosas, quase perturbadoras.

O novo álbum reflete bem a nova fase que Cat Power vive agora: vida estabilizada, sem qualquer problema com drogas ou coisas do tipo. Um álbum "leve", se é que posso chamar assim.

Pra quem curte, aí vai uma das músicas do álbum, Cherokee:


Ouvi e gostei: Jazz MacFarlane



Ela é linda. Aliás, incrivelmente linda, como são a maioria das australianas. Mas como para algumas mulheres ser bonita apenas não é o suficiente, ela se completa a si mesma com uma voz impecável e um dom incrível para a música. Essa é a minha definição para Jazz MacFarlane, cantora e multiinstrumentista australiana que chegou ao Brasil com uma proposta totalmente nova de música e que tem tudo para em breve despontar no cenário musical tupiniquim. Sua voz potente e firme com o inglês carregado do delicioso sotaque australiano fazem da voz dela algo muito agradável de se ouvir. Completa as músicas com uma equipe de músicos impecável, que só fazem melhorar a voz que já é ótima.

Entre as músicas dela minha dica é Be The Love: