Sim, eu gosto da Avril Lavigne



Quando digo que minha cantora preferida é a Avril Lavigne sempre ouço coisas como "você não tá meio velho pra gostar de Avril?", ou "nossa, mas você não tem cara de quem curte Avril" e coisas do tipo. Mas já me acostumei com esses comentários. Concordo que a grande maioria dos fãs da Avril tem até 10 anos a menos que eu, é só ver o que essa turma escreve nos fóruns dos sites por aí :-p mas isso não me impede de gostar do que ela faz. 

Não, não sou de acompanhar vida pessoal de artista nenhum, nem mesmo da Avril. Não sei como está a vida amorosa dela, quanto vale a casa onde ela mora nem quais baladas ela frequenta. Também não curti o corte de cabelo novo, mas isso não me interessa. Também não estou nem um pouco preocupado em saber que roupas ela veste ou o que ela mais gosta de comer. Esses detalhes da vida pessoal dela não me chamam a atenção nem um pouco. Gosto dela pelo trabalho e pela carreira dela. 

A Avril é autêntica, reflete em suas músicas o que ela vive: os dois primeiros álbuns da Avril Let Go e Under My Skin refletem o momento da Avril na época: adolescente recém saída de uma pequena cidade do Canadá, criada no mundo religioso e ansiosa por conhecer o que a "cidade grande" tinha para oferecer. Como garota que cresceu na igreja ela teve a mesma rebeldia de qualquer adolescente norte-americano e usou o estilo punk para mostrar isso. Suas músicas revelam seu medo e insegurança com o mundo que estava conhecendo. Músicas como Mobile e How Does It Feel mostram bem isso. Já o terceiro álbum, Girlfriend, tão criticado por quem estava acostumado com uma Avril moleca, com roupas largas e músicas sombrias, mostra uma nova fase: uma Avril madura, segura de si, que agora sabe que é bonita o suficiente (e como é!) e que não precisa se esconder debaixo de roupas de adolescente rebelde; uma Avril que agora se arruma, se maquia, usa roupas curtas, como forma de mostrar ao mundo que ela, apesar de manter a mesma atitude rock'n'roll, agora é outra pessoa. Como ela mesma disse numa entrevista, Girlfriend foi a forma que ela encontrou para mostrar que "cresceu". No quarto Álbum, Goodbye Lullaby, Avril mostra seu lado sensível: uma garota que, apesar de gostar da vida que tem e das pessoas que a rodeiam, sente falta de algo maior, de uma companhia fiel, para chamar de sua; vale lembrar que esse álbum foi gravado pouco tempo depois do divórcio dela. Isso fica bem claro nas músicas Everybody Hurts (que não tem nenhum plágio da música de mesmo nome do Coldplay) e Goodbye, onde em um momento, quando se presta bastante atenção, da pra sentir uma respiração ofegante, de quem está cantando emocionado. A própria Avril disse que ao gravar essa música chorou várias vezes, e de tanto interromper e regravar optou por deixar assim mesmo, com a respiração ofegante. 

Escrevi isso porque hoje, 27 de setembro, ela completa 28 anos. E é legal ver que a cantora que você gosta chega aos quase trinta passando por transformações enormes em sua vida, da adolescente punk a mulher decidida de si, e refletindo cada uma dessas transformações em suas músicas. Ela é autêntica. Não tenta fingir um estilo de vida que não tem para agradar um grupo específico. Ela canta o que ela gosta, sem se importar com crítica. Não teve medo de mudar de gravadora quando a anterior achou que Goodbye Lullaby era triste demais e que não iria vender. Ela mesma sabia que talvez o CD não venderia tanto (mas já esteve várias vezes entre os mais vendidos), e dizia que não se importava com isso, pois queria um álbum que refletisse o que ela vivia naquele momento. Ouvir as músicas da Avril é sentir o que ela sente, talvez por isso seja tão fácil se identificar com as letras das músicas dela.

Tá, nem todas as músicas são profundas assim. Como qualquer cantor ela tem aquelas músicas feitas para ser single, para divulgar o álbum e vender. O grande erro de quem critica é julgar o CD inteiro pelo single. 

E só pra não perder o costume: a pronúncia correta é AVRIL (como se escreve) e não EIVRIL, ou EIVROL! É só lembrar que o nome Avril é francês, e não dá pra tentar pronunciar como se pronunciaria um nome americano. Por favor! rs

Em tempo: o slogan do meu blog é o trecho da música How Does It Feel, da Avril. 

Lena Olim



Assisti hoje o filme A Insustentável leveza do ser, de 1987, baseado no livro do mesmo nome de Milan Kudera, que eu também já li. O filme, como era de se esperar, é impecável, tanto pela direção brilhantíssima do grande Jean-Claude Carrière como pelo elenco também brilhante. Uma das minhas atrizes preferidas está no filme: Juliette Binoche interpreta a jovem e confusa Tereza. Mas, mais do que isso, quem me chamou mesmo atenção foi uma outra atriz que eu desconhecia até hoje: Lena Olim interpreta a jovem Sabina, um dos grandes amores de Tomas.

Pra quem não ainda não leu o livro nem viu o filme, Sabina é uma artista plástica que se relaciona com Tomas, mas não um compromisso como entendemos. Ela tem - não só com ele, mas com todos que se aproximam dela - uma espécie de relacionamento aberto, onde ela está livre para sair a hora em que quiser - "eu adoro ir embora", ela mesma diz. Ao saber do relacionamento de Tomas com Tereza ela pede para conhecer a namorada de seu "amante", mas não em tom ofensivo, mas como uma amiga. E, ao conhecer Tereza, Sabina percebe como sua vida é regida por uma leveza inexplicável: conhece e se torna amiga da namorada do homem que ela acredita também amar. Sabina viaja, sua vida dá voltas enormes, mas vez por outra sempre cruza com Tomas, nem sempre em boas circunstâncias. 

A atriz Lena Olim, que interpretou Sabina no filme, me chamou a atenção pela perfeição com que ela fez o papel. Ela não apenas fez uma encenação, mas é como se ela tivesse encarnado Sabina e dado vida à personagem emblemática de Kundera. Cada gesto, os olhos "de cigana oblíqua e dissimulada", como diria Machado de Assis, a forma como se comporta, a forma dissimulada como age, a sensualidade natural ao posar para as fotos de Tereza, cada detalhe de Sabina parece ter sido feito para Lena Olim. Parece até que Milan conhecia a atriz quando criou sua personagem do livro. 

Em poucas vezes vi uma atriz encarnar tão bem o papel de sua personagem. Na época da gravação do filme a atriz tinha 32 anos, uma jovem lindíssima e sensual. Não havia atriz melhor para encarnar uma personagem tão complexa e profunda como Sabina.

Como em todo filme feito à partir de um livro, quem não leu o livro pode se perder em certos trechos do filme, além de detalhes importantes do livro simplesmente não existirem no filme, mas nada disso apaga o brilho de Lena Olim e Juliette Binoche - que também estava tão novinha no filme que quando comecei a assistir levei mais de 15 minutos para identificá-la... 

Indico!

Amizade X Conveniência



O que é amizade?

Pode não parecer, mas essa é uma palavra difícil de ser definida. Difícil não no sentido gramatical, pois é só consultar o dicionário (alguém ainda usa dicionário?) para se encontrar uma definição teórica da palavra. Falo do sentido abstrato, da forma como definimos na nossa vida o conceito de amizade. O que faz com que consideremos uma pessoa nossa "amiga"? O que o outro precisa ter ou fazer para que faça parte do nosso círculo de amizades? Qual é o perfil de pessoa ideal que traçamos para que ela faça parte de nosso mundo?

Infelizmente, talvez devido à nossa geração consumista e egoísta, temos baseado nossas amizades no conceito da conveniência. Assim como uma loja de posto de gasolina de estrada que serve para suprir nossas necessidades num momento de aperto (comprar algo pra comer, uma bebida, um cigarro) escolhemos nossos amigos à partir daquilo que ela tem a nos oferecer e do quanto ela exige em troca. Ao conhecer uma pessoa buscamos saber, antes de a considerarmos "amigo", qual será a vantagem de conviver com ela. Queremos como amigo pessoas que tenham lugares interessantes para nos levar. Queremos pessoas bonitas, que quando estão ao nosso lado nos fazem pessoas também tão interessantes como elas são. Gostamos de pessoas que tenham os endereços das melhores baladas ou os mais descolados. Buscamos amizade com pessoas "top", que façam com que nossa existência seja um pouco mais interessante. Fazemos amizades com a intenção de formar não necessariamente amigos, mas uma teia de contatos, para que numa hora de aperto eu tenha alguém para pedir ajuda - quando ficar desempregado, tenho alguém para distribuir um currículo, por exemplo. Calma, não estou dizendo que isso é errado. Claro que todos queremos estar bem acompanhados e ter bons contatos. Mas isso às vezes gera relacionamentos superficiais. Quando nos relacionamos com outra pessoa e percebemos que ela não é tão interessante como parecia ser, quando ela não é conhecida nas melhores festas, não tem sempre viagens impressionantes para contar, não tem necessariamente os mesmos gostos, não tem contatos que poderiam me servir numa ocasião de necessidade ou quando a convivência com ela exige mais do que recebemos simplesmente a abandonamos e buscamos outra parceria. Já ouvi pessoas dizerem que deixaram de ser amigas de outra pessoa porque ela "não tinha nada de interessante". E é assim que agimos, as vezes. Buscamos não pessoas de confiança, mas pessoas "descoladas" (ainda se usa essa gíria?). Não queremos compromisso, queremos a eventualidade. Não queremos amizade, queremos conveniência.

Ou há ainda um outro tipo de amigo: aquele que busca no outro apenas um conselheiro - quase sempre amoroso. O amigo é apenas o oráculo que ele consulta quando esta confuso com algo. Recebido o conselho o amigo é desprezado e procurado novamente quando houver a necessidade. Se o amigo também tiver uma dificuldade e, por ser o conselheiro da turma, achar que pode contar com o amigo para pedir ajuda, recebe como resposta as desculpas de sempre: "depois a gente se fala", "estou ocupado, agora", e coisas do tipo.

O sociólogo Zigmunt Bauman chama isso de "relacionamentos líquidos", ou seja, os relacionamentos frágeis, sem compromisso, sem consistência. Aquela amizade que pode ser desfeita com um simples "block" no Facebook. Desfazemos amizades como desfazemos as malas depois de uma viagem. Basta que ela não seja tão interessante como parecia ser no início. Um celular não atendido hoje, um convite não feito e pronto, o recado está dado: sua amizade não me interessa mais.

Qual o resultado disso? Não é difícil encontrar pessoas que tem uma agenda de contatos gigante no celular, mas que quando precisam de um conselho não tem para quem ligar, pois não tem intimidade com nenhum dos "amigos". Gente que tem diversas companhias diferentes para a balada, mas que não tem quem chamar quando precisa ver um parente doente no hospital. Temos amigos para bons momentos, mas nos maus momentos todos desaparecem. Sabe por que? Nós formamos amigos a partir do conceito da conveniência e do egoísmo. Ao escolher amigos pensamos em como o outro pode me ser útil. Não criamos vínculos, criamos contatos.

Entendem como o conceito de amizade é confuso? Eu tento definir "amigo" como aquele com quem gostamos de conversar, estar perto, independente do que ele tenha para me oferecer em troca. Não procuro saber que conveniência pode me trazer a companha do outro, quero apenas estar perto. Amigo é aquele que, mesmo depois de descobrir quem eu sou de verdade, ainda se interessa pela minha pessoa. É aquele que está comigo mesmo sem eu ser tão interessante quanto parecia ser no começo. E quando o outro precisar estarei lá, independente do que ele já tenha me oferecido.

Certo está o Milton Nascimento, quando diz que "amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves", pois sao tão difíceis de se encontrar que quando encontramos não devemos perder nunca.

#Música Eduardo Mano



Descobri por acaso hoje o trabalho de Eduardo Mano, cantor carioca que usa temas cristãos em suas letras. Guarda o Teu Coração é um trabalho independente, simples, até, sem arranjos mirabolantes e sem edições na voz. Conforme fui ouvindo as músicas entendi o porque.

Guarda o Teu Coração não é um álbum para ser curtido, para se ouvir enquanto se passa o tempo ou para distrair. É um álbum para ser sentido. Cada uma das músicas e a forma como são interpretadas nos levam à meditação, à uma autoanálise. São músicas para o momento  em que se está sozinho, afim de refletir um pouco sobre a vida e sobre a forma como vivemos. Cada estrofe é uma oração, cada refrão é uma reza à Deus. 

Não dá pra classificar as músicas de Eduardo Mano como "gospel", pois ele se distancia quilômetros do que os cantores evangélicos vem produzindo atualmente. Sem os chavões e frases de efeito dos demais, cada canção dele representa uma forma responsável e sincera de produzir música. Eduardo Mano resgata a reverência e o "temor" nas letras das canções. Cada música é uma forma bonita e autêntica de se relacionar com Deus. 

Indico a qualquer pessoa que goste de boa música, independente da religião, mas que se interesse por canções com temas cristãos. Fica a dica.

Faça o download aqui.

Carta Para Mim Mesmo III

Olá,

Nossa, faz tempo que não nos falamos, hein! Mas na verdade eu fiz isso propositalmente, para ver como você se comportava sem algum apoio direto. Sabe que o maior sinal de maturidade de uma pessoa é saber viver sem precisar de ajuda de terceiros? E eu gostei do que vi em você nos últimos meses. Claro, temos coisas para acertar (é, sou chato... rs) mas você tem evoluído bastante.

Gosto de ver você com seus amigos. Estar bem relacionado com outras pessoas é sinal de estar bem consigo mesmo. Você ainda dá seus tropeços, mas isso é normal, só a convivência é que vai te fazer melhorar a cada dia. Só tome cuidado com elogios. Um elogio às vezes pode esconder um sarcasmo, ou um enorme cinismo. Não se deixe levar com pessoas que dizem te admirar, que gostam do seu trabalho. Sim, é claro que é bom ser elogiado, mas não se deixe levar por eles. Se o elogio for falso ou o elogiador te decepcionar, você já estará preparado para entender que as pessoas são assim mesmo. 

Meu amigo, mas você tem se relacionado bem, hein! Até em balada tem ido! kkkk E as companhias são ótimas, esteticamente falando! É, rapá, é isso mesmo! rs Gostei de ver você assim, principalmente porque independente da companhia seu caráter permaneceu íntegro. Você sabe o que fazer com cada pessoa que se aproxima de você, com o devido respeito e os limites exatos. Isso é muito bom. 

Me diz uma coisa: e aquela "nossa conversa", não deu certo? Me lembro de você ter contado que foi até lá, mas se decepcionou pela quase nenhuma atenção que recebeu, pelo dia constrangedor ao lado dos amigos estranhos dela e tal, mas depois disso não deu mais certo? Perderam o contato, ou apenas pararam de se falar? Você me disse que ela começou a trabalhar, certo? Talvez seja isso. Você mesmo ficou com muito menos tempo depois que começou a trabalhar. Já considerou isso? E se naquele dia ela tiver levado os amigos apenas para fazer companhia, e também não esperava que o dia iria ser como foi? Às vezes ela tem dificuldade em dividir atenção com várias pessoas ao mesmo tempo, e acabou dando mais atenção à quem já faz parte do dia a dia dela. Você mesmo me disse que recebeu uma mensagem de "desculpas", depois... Não sei, às vezes penso que você não tenha deixado claro o suficiente o que você queria com ela. Eu sei das suas boas intenções. Não quer tentar mais uma vez? Uma última, vai! Quem sabe agora dá certo.

Mas se não der certo agora vá em frente. Ficar tentando o tempo todo em quem não dá retorno é perca de tempo, sabe? Tente mais uma vez para você mesmo ter a certeza de que deixou claro o que sentia por ela. Se mesmo assim ela não der retorno nenhum procure outra. Demora um pouco, mas você encontra alguém. 

Bom, acho que hoje não tenho muito o que falar. Ah, só uma coisa: seja você. Sê inteiro, como diz o Fernando Pessoa. Quem quiser gostar de você que goste como você é. Meio bizarrinho, às vezes... rs Mas seja você! Você só será uma pessoa completa quando aceitar que é assim. 

Fique bem,

Mim mesmo.