Eu, pai




Não, não serei pai por agora. Nem agora nem num futuro próximo. Por vários motivos, mas entre eles o principal: ainda não tenho quem seja a mãe... haha Não que eu esteja à caça de futuras parturientes para meus futuros rebentos, mas hoje de manhã senti vontade de ser pai.

Hoje cedo na igreja vi uma cena que me chamou a atenção: durante o louvor de uma música bastante animada (Viva Chama, do Jorge Camargo), um rapaz quase da minha altura, cabelos pretos, não muito magro, que aparentava ter uns 35 anos, mais ou menos, cantava e dançava ao lado de uma criança, uma menininha loira, cabelos lisos, magrinha, que não devia ter mais de 7 anos, provavelmente sua filha. Os dois cantavam juntos, batiam palmas e balançavam o corpo de um lado para o outro em sincronia e riam juntos. Ao acabar a música os dois se abraçaram e a menina gargalhava de felicidade. Logo em seguida uma moça se juntou a eles e foi aí que percebi que eram uma família, pois a moça, também loira como a filha, deu um selinho no rapaz e abraçou a menina.

Talvez seja porque na minha casa apenas eu frequente a Betesda, e talvez seja porque fico sempre sozinho nos cultos, já que ainda não tenho tantos amigos assim na igreja, mas achei aquela cena muito interessante. Tenho lido muita coisa sobre pais e filhos e visto muitos exemplos errados de como ensinar uma criança, isso sem falar naqueles pais que sequer dão algum exemplo, pois somem de casa e obrigam a criança a crescer sem a figura masculina em casa - eu sei o que é isso. Isso sem falar na infinidade de crianças mundo afora que sofrem abusos daqueles que deveriam dar amor. Ou talvez nem abusos no sentido sexual, mas crianças que apanham, são ofendidas em sua integridade e moral e crescem com a ideia de que família é o pior lugar do mundo. Aquele casal e aquela criança resumiram um pouco do que penso ser o modelo perfeito de família: marido e mulher juntos, e principalmente: pais que se sentem bem em estar com os filhos. E, entre os pais, destaco principalmente a figura do pai, o homem que sempre tem uma desculpa qualquer para deixar os filhos com a mãe e sair, seja para jogar bola com os amigos, seja para trabalhar, seja para qualquer outra coisa. Em geral os homens pensam que estar ao lado de um filho é apenas necessário no momento de dar alguma lição de moral, ou de corrigir algo errado. Raros são aqueles que gostam de estar com os filhos, de se divertir com o que eles se divertem. O resultado disso são crianças que crescem com a figura paterna como uma pessoa rígida, ríspida de quem não se deve esperar carinho. E quando os pais são cristãos a coisa piora ainda mais. Sabe-se lá qual o grau de sanidade da pessoa que, há alguns anos atrás, achou de espalhar entre os evangélicos que a diversão deve ser evitada, já que estamos nesse mundo com uma missão e a vida é muito curta para executá-la. Cansei de ouvir isso nos púlpitos da igreja evangélica em que cresci. Entre os evangélicos, bom pai é aquele que briga, é enérgico e repreende o filho o tempo todo (distorcem até um versículo bíblico que fala em "corrigir o filho com varas"). Ou ainda, bom pai é aquele que leva o filho sempre à igreja e o ensina a buscar Deus nas orações sacrificadas e cansativas. Isso gera crianças que vão à igreja obrigadas pelos pais, e que mal esperam a hora de poderem tomar decisões por si só para, em primeiro lugar, deixarem de ir à igreja. Hoje vi uma família diferente. Sim, estavam na igreja, mas a menina parecia feliz de estar lá. Estava feliz porque estava com o pai. Cantava com ele, ria com ele. E o pai parecia feliz em estar cantando e dançando com a filha. Não se importou se as pessoas em volta olhavam um rapaz dançando com uma criança. É a filha dele, e como pai ele não tinha o menor constrangimento em se divertir com sua filha.

Já disse e repito: não vou ser pai por agora, mas hoje cedo tive vontade de ser. Me imaginei um dia dançando com minha filha e cantando com ela, enquanto ela me acompanha e ri. Imaginei minha filha olhando e rindo da minha incapacidade inata de dançar e bater palmas ao mesmo tempo. Me imaginei dançando e erguendo minha filha pelos braços, enquanto ríamos juntos. Me imaginei sendo para meus filhos o pai que não  tive. 

Quem sabe se um dia eu realmente for pai e esse texto ainda existir até lá e eu possa mostrar a ela isso. Seria interessante que ela (ou ele) soubessem que num passado distante, no dia 01 de julho de 2012, eu já tive vontade de ser pai. E caso esse filho um dia venha a existir, ele saiba que foi desejado e amado antes de nascer.

Disse que não estou à procura de mães para meus filhos, mas isso não significa que eu queira ficar sozinho. É bom deixar claro... rs