Assisti e gostei: Suburgatory



Essa semana foi ao ar o último episódio da primeira temporada de um dos melhores seriados do momento: Suburgatory.

A série da ABC exibida no Brasil pela Warner tem um nome bem sugestivo: Suburgatory - uma junção clara das palavras suburb (subúrbio) e purgatory (purgatório). A trama explica o título: um homem bonitão e sua filha adolescente resolvem se mudar da agitada Manhattan para o subúrbio de New York, depois de o pai encontrar uma caixa de preservativos na gaveta da filha. O pai, George Altman (Jeremy Sisto) pensa que a vida tranquila do subúrbio fará bem à filha Tessa Altman (Jane Levy). Porém, o que eles pensara ser uma vida pacata com gente simples e modesta acabou por se revelar totalmente o oposto. Aliás, oposto é uma boa palavra para se referir à Chatswin, subúrbio onde os Altman resolvem morar. Ao mesmo tempo em que conservam valores esquecidos da metrópole, os moradores do vilarejo tentam buscar um identidade confusa, sempre baseada no luxo e glamour das cidades ricas, mesmo que isso não combine em nada com os moradores de lá. O resultado dessa vida em Chatswin é pessoas totalmente estranhas, com comportamentos que não condizem com a vida que tem. Tessa e George são sempre cortejados pelos vizinhos como os novatos vindos da metrópole, e tentam sempre impressionar os novos vizinhos, numa tentativa desesperada de mostrar que no subúrbio também há glamour, assim como nas grandes cidades. Tudo isso gera uma confusão gigantesca na cabeça da adolescente Tessa, que não consegue entender o que pensam os moradores de Chatwsin. E essa tensão está presente em todos os lugares: na escola, entre os vizinhos, em uma simples reunião de pais na escola, nas datas especiais. Chatswin, em alguns momentos, é um lugar tão confuso que se torna impossível morar lá, daí ser considerado um "purgatório". Enfim, Chatswin é um lugar de gente confusa, mas ao mesmo tempo acolhedora e boa. 

O seriado mostra uma tensão claríssima entre os estilos de vida que fazem parte do velho "American Way of Life": enquanto pessoas ricas e bem posicionadas buscam tranquilidade, pessoas medianas tentam uma vida de extravagâncias. Mas, mais do que isso, o seriado consegue cumprir com aquilo que promete ser: em nenhum dos episódios a trama perdeu o rumo (como vem acontecendo com Two and a Half Men, por exemplo) nem suas personagens deixaram dúvida sobre quem são de fato. Apesar de ter uma adolescente como atriz principal e um dos cenários da série ser uma High School a série não pode ser considerada um "seriado adolescente" por vários motivos: Suburgatory não é um seriado de enredo oco e sem sentido, como se costuma ver em algumas séries adolescentes (como os seriados adolescentes brasileiros), além disso a confusão da cabeça de Tessa é também a de qualquer pessoa, independente da idade. Quem nunca se viu confuso ao tentar entender o mundo onde vivemos?

George, Dalia, Dallas e Tessa

Além disso, ao mesmo tempo em que tem um humor bastante discreto (em alguns momentos até imperceptível para os mais desavisados) Suburgatory tem uma trama clara: como sobreviver ao que se considera ser o "bairro ideal" - aliás, esse é o slogan que a Warner usa para anunciar a série no Brasil. A série deixa uma dúvida no ar: como seria o lugar ideal? Existe um lugar perfeito, onde todos se dão bem e tudo funciona corretamente?

Além disso o elenco é perfeito. Nenhum, mas nenhum mesmo, dos atores da série deixa a desejar. Tessa Altman tem um quê de Kristen Stewart, mas uma Kristen que sabe sorrir - o que é um ponto MUITO positivo. Tessa é a adolescente desencanada que não se deixa abater mesmo quando é rejeitada para o estágio que a poderia fazer mudar de vida. George é o solteirão que sabe que tem facilidade para conquistar as mulheres, mas que evita os romances por causa da filha, a quem tenta proteger a todo custo, mesmo que essa proteção custe sua própria felicidade. Entre se ver bem e rodeado de belas mulheres e ver Tessa feliz com seus amigos, George prefere a vida solitária, mesmo com as investidas pesadas da vizinha Dallas Royce (Cheryl Hines), a gostosa que tenta a todo custo manter a aparência de mulher feliz e bem resolvida para seduzir o vizinho bonitão, mas que no fundo é uma mulher solitária, já que a filha Dalia (Carly Chaikin) é uma adolescente fútil que não pensa em mais nada a não ser manter o visual impecável e que faz o maior esforço possível para ser a patricinha de Chatswin. Lisa Chay (Allie Grant) é uma das pouquíssimas amizades que Tessa conseguiu em Chatswin. Loira e bonita, mas tão confusa quanto qualquer morador de Chatswin, Lisa é o tipo de menina que se impressiona fácil e que vive com medo. Não é pra menos, já que Lisa é filha do casal Sheila e Fred, o típico casal incomum onde a mulher é a ditadora da casa e o marido um simples serviçal que cumpre ordens da mulher, apesar de não se ver assim. Malik (Maestro Harrell) também amigo de Tessa, é tão estranho como Lisa, mas consegue fazer uma ponte melhor entre a confusão das pessoas do vilarejo e Tessa. Noah é um antigo colega de faculdade de George e que coincidentemente se reencontram em Chatswin. Metrossexual assumido, Noah é o dentista da região e não perde qualquer oportunidade de divulgar seu negócio, mesmo que essa oportunidade seja o aniversário de Tessa, onde ele mandou distribuir bebidas feitas com beterraba, apenas para que as pessoas ficassem com dentes amarelados e o procurassem par aclareamentos dentários.

Lisa, amiga de Tessa, tentando entender uma "opinião" de Malik

Enfim, para mim Suburgatory é um seriado perfeito: enredo coerente, humor sutil, elenco bem escolhido e episódios com começo, meio e fim, todos com lições importantes sobre a vida mas sem a pieguice tão explorada na TV brasileira. E nessa semana a Warner exibiu o último episódio da primeira temporada. Para mim foi o episódio perfeito para um seriado: encerrou todo um ciclo iniciado desde os primeiros episódios, mas deixou uma larga margem para uma continuidade. Aliás, a própria trama deixa espaço para outros enredos na série: o crescimento de Tessa, algum possível namoro, um possível reencontro com a mãe, entre outras coisas. Parabéns à Emily Kapnek e Michael Fresco, produtores do seriado.

Que essa seja a primeira de muitas temporadas de Suburgatory!

Coisa de fã...

Meu momento fã! rs



Essa foto é de 2003, quando a Avril ainda estava no começo da carreira com Let Go, o primeiro trabalho dela e que a fez ficar conhecida no mundo inteiro com músicas como Complicated e I'm With You.

E pra que está no blog pela primeira vez e ainda esteja com dúvidas: sim, eu sou fã incondicional da Avril!