Morre David Wilkerson



Ontem o mundo perdeu um grande homem: David Wilkerson, missionário protestante americano, tinha 79 anos e foi vítima de um acidente de carro.

Talvez você não saiba quem era David Wilkerson, mas ele foi o responsável por um dos maiores trabalhos de recuperação de viciados em drogas nos EUA. Escreveu um livro bastante conhecido entre os evangélicos, A Cruz e o Punhal, onde ele fala do tempo em que esteve no meio dos gangsters dos guetos de Nova Iorque, a "selva de asfalto de Nova Iorque", como ele mesmo diz. Conviveu entre os piores bandidos, foi ameaçado de morte, presenciou momentos fortes, mas conseguiu convencê-los a mudar de vida, e viu  trogloditas tatuados se renderem chorando ao seu apoio. Escreveu outros livros também, como Foge Nick Foge, onde ele conta uma experiência particular de uma das personagens de A Cruz e o Punhal, o jovem traficante Nick. Sâo livros pesados, com momentos fortes. Vale a pena conhecer.

Além disso, David Wilkerson ainda era um dos poucos evangélicos com coragem o suficiente para denunciar o rumo que a igreja tomou nos últimos anos. Contestou publicamente Benny Him, grande pregador americano, e sempre se manifestou contra as teologias da prosperidade e outras, como as que pregam os espetáculos bizarros como forma de se chegar a deus.

Li o livro A Cruz e o Punhal em 2001, quando ganhei de aniversário de uma grande amiga, que infelizmente já não está mais entre nós. E até hoje a história do trabalho dele me marca, principalmente pela coragem dele em trabalhar com os marginalizados da sociedade norte-americana.

David Wilkerson é uma dessas pessoas insubstituíveis. Vai fazer falta.

Renata quer voltar.


Renata mudou muito desde sua adolescência.

Da menina bobinha que vivia amedrontada em igrejas, ela se tornara uma mulher articulada, inteligente, cabeça aberta e sempre pronta para o diálogo.

Quando de seus 14, 15 anos, Renata desejou por várias vezes entender certas imposições que sua religião lhe fazia. Certas coisas que todos aceitavam de bom grado eram para ela verdadeiros absurdos. Como podia uma comunidade de pessoas quietas, aceitando tudo que lhes era imposto, sem sequer perguntar o por que? Mas Renata também não perguntava, pois se ao menos ousava questionar era taxada de baderneira, rebelde, herege, filha do diabo, e outros nomes típicos dos ambientes religiosos. Ela achava curioso que sua comunidade religiosa pregava absurdos e tomava o cuidado de criar sistemas de lavagem cerebral, impedindo que qualquer pessoa viesse questionar o que era falado nos microfones. Coisas como "não falem mal dos pregadores", "não duvidem da mensagem de Deus", "quem duvida do que eu falo duvida de Deus", "quem duvida é filho do diabo" e outros eram os argumentos que esses líderes usavam para vomitar suas ideias malucas e serem aceitos sem qualquer probema maior.

Renata queria sair disso, viver de forma livre, queria pensar pela sua própria cabeça. Achava que a vida em liberdade seria a melhor forma de viver. Queria sair, mas não conseguia. Pela pressão da família, falta de certeza se estaria memso fazendo a coisa certa ao sair. Mas Renata não conseguia sair por um motivo especial: aquele era o ambiente dela. Boa parte dos compromissos que ela tinha que honrar estavam lá. A maioria parte das pessoas com quem ela tinha amizade estavam lá dentro (já que a igreja proibia fazer amizade com pessoas que não fossem da mesma religião). Aquele era o universo de Renata. Sair daquilo significaria uma mudança brusca, ter de aprender a viver um novo estilo de vida, uma nova forma de organizar suas ideias, e o principal: novas pessoas, novos compromissos, um novo mundo.

Um dia Renata tomou coragem e saiu. Virou as costas para a religião e decidiu viver de forma inteligente, onde ela tivesse a liberdade de receber informação de onde quisesse e formar sua própria opinião a partir do que ela considerava certo, sem a imposição de um líder espiritual. Agora Renata não tinha mais medo de questionar, pois sabia que suas perguntas não levariam a algum inferno. Aliás, ela duvidava até da existência desse tal inferno que os religiosos gostam tanto de citar. Renata podia pensar com sua própria cabeça. Podia ler o que quisesse, fazer o que quisesse. Do medo que a religião impõe às pessoas ela estava livre. Aparentemente, essa seria a vida perfeita.

Mas as coisas não correram tão bem para Renata como ela imaginava que aconteceria. As pessoas com quem ela convivia antes passaram a ignorá-la. Os que antes se diziam amigos agora a chamavam de "herege", "desviada". Quem sempre a abraçava agora passava pelo outro lado da rua. Mas Renata conseguiu lidar bem com isso. Sabia que a religião faria com que as pessoas a vissem como uma desertora. Mas o grande problema de Renata foi outro: ela tinha saído de um universo, mas não encontrou outro para entrar.

Renata deixou um modo de vida, mas não sabia o que fazer agora. O excesso de liberdade era pra ela algo difícil de assimilar. Renata não sabia como viver de forma livre. Estava entrando num mundo desconhecido, e não sabia se virar nele. Se sentia um viajante sem mapa numa cidade desconhecida. Não sabia que rumo tomar, a quem recorrer, o que fazer. Agora Renata era uma pessoa livre que não sabia para onde ir. Era uma pessoa inteligente que não tinha onde ficar.

Renata entrou num mundo de pessoas diferentes de tudo o que ela conhecia. Não sabia se relacionar com pessoas que cresceram livres da imposição religiosa a que ela esteve exposta. Pra piorar, Renata descobriu que o mundo das ideias livres nem sempre é acolhedor. Ela descobriu uma característica humana que não sabia existir: as pessoas não se importam nem um pouco com quem acabou de chegar. Nesse mundo onde as pessoas pensam sem culpa, onde vivem de acordo com suas conveniências os novatos sempre serão tratados como o "estranho, que não conhece nossos hábitos".

Foi quando passou pela cabeça dela uma ideia que ela nunca imaginou um dia ter: ela quis voltar. Apesar de toda a repressão com que teve de lidar durante seu crescimento, Renata sentiu falta de ter um ambiente. Sentiu saudades do tempo em que tinha a quem cumprimentar, com quem conversar, do que reclamar, com quem se preocupar.

Não, ela ainda não sabe o que vai fazer, se volta ou se fica. Voltar é uma possibilidade remota, mas para ela a adaptação ao "novo mundo" tem sido cada vez mais difícil. 

Renata descobriu que mudar pode ser mais difícil do que se imagina.

Preparem as pedras: eu gosto de Miley Cyrus!


Aos chatos de plantão que insistem em ditar o que as pessoas devem ou não gostar, aí vai um bom motivo para eu ser apedrejado em praça pública: eu gosto das músicas da Miley Cyrus.

Por que eu gosto das músicas dela? Porque sim, oras. As músicas são agradáveis, boas de se ouvir no iPod ou enquanto se está executando outra atividade. Lógico, Miley Cyrus não é minha cantora preferida e ela não vai ser minha opção quando meu lado introspectivo estiver em evidência, ou quando eu estiver afim de uma música mais "papo-cabeça" (nem sei se essa expressão ainda é usada, mas gosto dela). Mas no geral as músicas dela são bastante agradáveis. 

Outro motivo para gostar das músicas da Miley: não vejo nada de abominável nas músicas dela para ser condenada. O trabalho dela mostra apenas que ela amadureceu muito. Da menininha de peruca loira dos seriados, Miley se tornou um mulherão. As músicas ganharam mais corpo, as apresentações ganharam mais produção. Enfim, Miley cresceu. Algo condenável nisso?

Ela foi filmada fumando drogas com amigos, ou alguma coisa do tipo? Eu já disse uma vez que minha opinião sobre um artista não é formada pelo que ele faz na vida pessoal. A vida é dele e ele deve ter consciência o suficiente do que faz. Se não tem, não vou ser eu quem vai mudar isso. Um bom exemplo disso é o fato de eu ser fã do trabalho do Nasi e do Charlie Sheen. 

Só pra dar mais um motivo pra ser apedrejado: não vejo diferença nenhuma entre Miley Cyrus e cantoras como Beyoncé e Lady Gaga (TODOS ESCANDALIZA). A diferença é que a Miley é preferida por adolescentes. E quem disse que tudo o que os adolescentes gostam deve ser rejeitado por gente com mais de 20 anos?

Se quiserem me critica, blz. Mas eu gosto e ponto.

Isso porque nao falei que tb curto as músicas do Paramore...

Maria


Houve um tempo em que Maria havia desprezado as pessoas que queriam sua amizade.

Em nome de certos princípios morais que ela nem sabia ao certo se valiam a pena ser seguidos, Maria desprezou as pessoas. Preferia viver de acordo com uma certa crença estranha de que todas as pessoas eram inferiores a ela. Sim, Maria era arrogante. Para ela, todos eram seres preguiçosos que queriam apenas as coisas de um jeito fácil, enquanto ela sim dava realmente o devido valor à vida. Ela preferiu não se misturar. Enquanto todos conversavam, Maria reprimia as risadas e condenava toda aquela alegria. "Enquanto vocês conversam e se distraem o mundo está girando, e a vida está passando", dizia ela em tom de reprovação. Aos poucos, as pessoas passaram a se afastar de Maria. Diziam que qualquer pessoa no mundo conseguia ser mais agradável do que ela. E Maria não ligava, pois achava melhor não ter por perto gente que queria apenas "empurrar o mundo com a barriga".

Mas as pessoas se foram. Cada um dos antigos conhecidos tomaram seu rumo na vida. Os rapazes que viviam olhando os seios fartos de Maria se cansaram e foram namorar outras garotas. As amigas que tentavam sempre comentar o que tinham feito na noite anterior com o namorado foram embora. Os amigos foram trabalhar. A vida se foi. E Maria ficou.

Maria criticou tanto a infantilidade de seus amigos que esqueceu que dentro dela havia uma criança. Defendeu tanto o trabalho que se esqueceu que trabalhar é apenas a consequência, não a causa. Defendeu tanto a maturidade que se tornou uma pessoa rígida e fria. Maria queria tanto não perder tempo que não o aproveitou em nada. Defendeu tanto a vida que se esqueceu de viver.

Agora Maria descobriu que rir com amigos não é apenas coisa de gente preguiçosa e desocupada. Descobriu que uma noite com os amigos numa mesa de bar pode ser mais sagrada que qualquer culto religioso. Agora Maria sabe da importância de se viver em comunidade. Mas só agora, que Maria se tornou uma pessoa solitária. Maria sabe na pele o significado da palavra tédio. Sem querer, Maria descobriu o quanto a vida pode ser sem graça quando você não tem pessoas por perto. Descobriu como é ruim você não ter a quem ligar, a quem convidar para ir no cinema, a quem desejar feliz aniversário, a quem parabenizar, a quem contar suas vitórias. Maria descobriu enfim que inferno não é um lugar onde habitam demônios. Inferno é a ausência de pessoas.

Maria descobriu o significado da palavra solidão.