O deus dos evangélicos não existe

Li um texto bem interessante no blog do Izzy Nobre, criticando e contestando algumas "teorias" dos cristãos. Concordo com cada crítica dele, e deixei lá o seguinte comentário:

"Izzy,
Mto bom o seu texto. Eu cresci em igreja evangélica (Assembleia de Deus) e me decepcionei ao ponto de entrar em depressão e desenvolver doença psicossomática (psoríase). Não sou ateu, mas concordo com você: o deus que os evangélicos e católicos pregam não existe. Mas não sou ateu. Creio em Deus, mas um deus totalmente diferente do que é berrado nos púlpitos. Os religiosos são mestres em usar a Bíblia de acordo com a sua conveniência, apenas pra justificar aquilo que eles querem acreditar. Não considero a Bíblia um livro sagrado, mas um livro histórico que nos trás acontecimentos antigos e principalmente, a mensagem de Jesus Cristo. Por ser um livro histórico, pode sim ter erros (e tem, muitos!).

Frequento uma comunidade religiosa em São Paulo que vai na contramão do que é dito no movimento evangélico brasileiro. Tenho aprendido muito sobre o que Jesus disse acerca de Deus e da vida, principalmente porque lá confrontamos os ensinamentos de Cristo com o de filósofos como Sócrates, Nietszche (sim, o tão demonizado pelos cristãos disse muita coisa parecida com a mensagem de Jesus Cristo). O Deus que Jesus anunciou não tem qualquer participação em nenhum acontecimento natural nem dá “ajudinha” a ninguém. Ele não “permite” nem “envia” terremotos ou chuvas castigantes. O Deus que Jesus anunciou não tem qualquer envolvimento em processos que gerem vítimas. Onde está esse Deus, então? Está nas pessoas que se mobilizam de coração para ajudar o desabrigado, a alimentar o que tem fome.

Quando Jesus disse sobre lançar as “perolas aos porcos”, não tem nada a ver com evangelização (alias, o que os crentes falam sobre evangelização não tem nada a ver com a mensagem de Cristo, tb). Ele disse exatamente ago que acontece mto hoje em dia: usar o nome de Deus pra esconder falcatruas e canalhices. Gente que rouba milhões e justifica dizendo que é para a “obra de Deus”.

Pra concluir (já ficou grande demais... haha) concordo com cada ponto que você escreveu e com cada crítica que você faz. E concordamos: o deus que os evangélicos pregam não existe. Ao longo dos anos, a Igreja Católica distorceu o que os apóstolos ensinaram; a Reforma Protestante tentou corrigir, mas trouxe consigo as tradições católicas e acabou não corrigindo nada. E o resultado foi: milhões de pessoas desacreditadas da mensagem crista no mundo. Infelizmente.

Grande abraço"

Eu só peço a Deus - Mercedes Sosa e Beth Carvalho

Eu tenho uma espécie de "lista" de coisas que aconteceram no mundo que eu daria tudo pra ter visto de perto. Ver Mercedes Sosa cantando ao vivo é uma delas.

E o que dizer de Mercedes Sosa cantando ao vivo, em português e acompanhada de Beth Carvalho, outra grande cantora que admiro? Simplesmente espetacular.

O vídeo abaixo tem essa imagem: Mercedes e Beth carvalho cantando Eu só peço a Deus. A qualidade do vídeo está ruim, mas vale a pena em se tratando da Mercedes.

Detalhe: o volume está muito alto. Abaixe o volume do vídeo ao mínimo.


Avril: The Best Damn Thing!


Como eu já disse aqui outras vezes, eu sou fã de Avril Lavigne.

Não daqueles que só ouvem algumas músicas e dizem gostar muito do cantor. Eu realmente gosto da Avril Lavigne. Gosto dela, do jeito dela lidar com a carreira, com a vida pessoal, com a interioridade dela. Mas não sou desses que acompanham os porres dela. O que ela faz na vida pessoal dela é problema dela; se bebeu, se fumou, beijou, casou e divorciou, se tá namorando, se foi vista com alguém, se fez topless, são coisas que não me interessam. Eu gosto do trabalho da Avril Lavigne. E ponto.

Já fui criticado por isso. Desde os olhos de canto até o clássico "você não tá meio velho pra gostar de músicas da Avril, não?". É, realmente devo ser um dos únicos fãs da Avril com mais de 21 anos. Mas isso não me impede de gostar dela. Na verdade tenho quase a mesma idade dela, e comecei a gostar das músicas dela quando ela ainda era novidade, com o primeiro CD, e quando I With You ainda era tocada em todas as rádios. Não gosto de fechar a música em rótulos: música de jovem e de adulto, antiga e moderna, de homem e de mulher, e outros vários que criam. Pra mim a música se divide em boa e ruim. A ruim eu descarto. A boa eu aprecio.

Desde que ela se lançou como cantora, a Avril passou por muitas mudanças. Do primeiro CD, Let Go, onde ela se apresentava a legítima menininha punk americana, até Girlfriend, onde ela se mostra a moça cheia de autoconfiança, ela passou por mudanças não só no estilo de cantar, mas na personalidade dela. Como ela mesma disse numa entrevista, ela cresceu e o estilo de adolescente punk ficou pra trás. As letras que antes mostravam uma menininha rebelde, introspectiva e com medo do próprio futuro desconhecido passaram a mostrar uma Avril adulta, com uma autoconfiança que assustaria qualquer homem "pegador".


Eu gosto de todas as fases da Avril. A fase "menina roqueira" combina muito com meu lado introspectivo. No segundo trabalho, Under My Skin, Avril se mostra muito confusa com o que a vida lhe reserva ("eu sou pequena e o mundo é grande, e tudo está se movendo rápido demais"). Ela é ainda a adolescente que não consegue lidar muito bem com o fato de estar crescendo, e deixa isso transparecer muito claro nas letras dela.

Já o terceiro CD Girlfriend foi a "fase de transição" dela. Essa foi a forma que a Avril encontrou pra dizer "hey, pessoal, eu cresci!". Da menina para a adulta autoconfiante. Girlfriend é cheio de músicas dançantes, daquelas que você ouve no carro, no iPod e canta, dança junto. É um CD alegre.

E eis que agora ela lana o novo CD, Goodbye Lullaby. Ainda não ouvi, por isso não vou comentar ainda, mas prometo trazer minhas conclusões assim que tiver ouvido todas as músicas.

Eu e o Carnaval

Desfile da Unidos do Peruche, em São Paulo

É engraçado como algumas coisas acontecem no Brasil.

Temos o costume de dividir tudo entre os "a favor" e os "do contra". Ou você gosta de tudo ou não gosta de nada. Não existe espaço para o meio termo. Isso se aplica em tudo: na política, festas populares no Brasil, religião, etc.

No momento quero falar do Carnaval. Fui criado no ambiente evangélico que condena o Carnaval. Cresci ouvindo coisas como "o Carnaval é do diabo", ou como "Carnaval é uma festa da carne" e outras. Depois de abrir a cabeça e descobrir que existe um mundo fora da Igreja, repensei muitas das coisas em que eu acreditei durante a adolescência. Repensei meus gostos musicais, minha visão sobre o mundo espiritual e sobre Deus, até. Mas ainda não tinha parado pra analisar o Carnaval com olhos que não os do fundamentalismo religioso.

Por definição eu não gosto de Carnaval. Mas hoje, ao assistir o começo dos desfiles das escolas de Samba de São Paulo pela Globo, comecei a ver que muito do que eu critico no Carnaval ainda tem base nas baboseiras religiosas que eu ouvi durante criança. É, passei a ver o Carnaval com outros olhos.

E me surpreendi com o que eu vi.

O Carnaval é um mundo que desperta paixões. Pessoas dão a vida por isso. Cada uma das escolas de samba de SP trabalham com uma dedicação difícil de ver em outras áreas. Gastam tempo, dinheiro e criatividade pra desenvolver um desfile que agrade. Cada tema é pensado com tantos detalhes que eu penso quanto tempo pesquisaram antes de desenvolver o samba-enredo. A história do Theatro Municipal, que foi o tema da Unidos do Peruche, a cidade de São Bernardo do Campo, que foi o tema da Tom Maior e vários outros, tudo tratado com uma riqueza de detalhes que impressiona. Isso sem falar nas fantasias. Tudo feito com dedicação, muita dedicação. Crianças, velhos, ninguém poupa energia pra levar pra passarela o amor pela Escola que defende.

Além do mais, os desfiles desse ano apresentaram uma coisa que eu sempre defendi: a mistura dos vários estilos artísticos. Companhias de balé clássico, música clássica, orquestra sinfônica, tudo junto na passarela, misturado ao som do samba, pra provar que a música e a arte são uma só, independente do estilo ou público-alvo. Precisamos quebrar um pouco esse conceito de "arte de rico" e "arte de periferia".

Percebo que as críticas que fazem quase sempre são baseadas em preconceitos, ou em uma certa despeita por ver gente tão alegre desfilando. Sim, tem gente que se incomoda com a alegria dos outros! Na verdade o Carnaval acaba sendo o bode expiatório que carrega as culpas de gente que gosta de posar de moralista diante dos outros.



Aí alguns vão falar: "então você gosta das mulheres seminuas que desfilam só com tapa-sexo?". Bom, sou homem e gosto de mulher, então acho que essa pergunta fica automaticamente respondida. Além disso, percebo que as "mulheres seminuas" recebem muito menos destaque nas Escolas de Samba do que o que os moralistas de plantão das igrejas e da internet costumam dar. Para as escolas, elas são um componente a mais, não mais importante que o resto do desfile. Aí vem um grupo de chatos que nunca viram um desfile desprezar todo um trabalho feito pelas escolas pra apedrejar apenas um grupo pequeno de moças que desfilam seminuas - ou nuas, às vezes.

O Carnaval é um mercado duvidoso, onde rola muito dinheiro que nem sempre aparece do jeito mais ético? Sim, mas até aí a política também é, o futebol também, a TV também, e muitos outros.

Outros vão falar: enquanto muita gente está morrendo de fome no Piauí, outros estão alegres desfilando em São Paulo. Mas geralmente esses que falam isso são os que desligam quando as Casas André Luiz ligam pedido doação. E precisamos separar as coisas: parar de organizar eventos porque tem gente passando fome não vai resolver o problema. O que resolve o problema é saber votar em gente comprometida com a distribuição de renda.

Concluindo: ainda não posso dizer que gosto de Carnaval, tanto porque não gosto nem um pouco de samba, nem da muvuca que sempre cerca o samba (lógico, há situações em que o samba cai muito bem). Além disso, só conheço o Carnaval de São Paulo, e muito pouco pra ter opinião formada. Mas estou olhando o Carnaval de um jeito diferente, sem as lentes religiosas que eu usei todos esses anos. Diferente do que me ensinaram a ver a vida toda.