Como la Cigarra


Todo amante da música latina que se preze conhece Mercedes Sosa. Ela foi, sem dúvida nenhuma, a melhor de todas as vozes que a América Latina já viu, não só pelas letras cheias de poesia e vida, mas também pela sua luta pela igualdade.

Como La Cigarra é uma dessas músicas lindas, que foi escrita por Maria Elena Walsh, outra grande poetisa argentina (que inclusive nos deixou na semana passada, dia 10 de janeiro) e que ganha uma magia especial na voz de Mercedes.

Como hoje, dia 16 de janeiro, é aniversário de uma grande amiga, a Silvana Ferrari @silferrari, dedico Como La Cigarra a ela, pois sei que ela gosta dessa música.

#VEJÃO

1 ano de Blog do Talaveira


Hoje faz exatamente um ano que este blog está no ar. Depois de várias tentativas de ter um espaço pessoal, onde eu pudesse escrever sobre mim e minha visão de mundo (cheguei a ter um blog num servidor português, o Sapo.Pt), no dia 08 de janeiro de 2010 consegui finalizar a ideia e coloquei no ar o Blog do Talaveira. Aqui reuni textos que eu já tinha escrito em outros blogs, além dos que eram mais pessoais e que estavam no Blog Novas Ideias, que havia sido reposicionado. Apartir disso, passei a escrever novos textos, refletindo um pouco meu lado introspectivo e reflexivo; passei a escrever microcontos, além de contar um pouco da minha vida pessoal.

Durante esse 1 ano aconteceram algumas coisas legais por aqui: fiz uma campanha apoiando a Jhenny Andrade @jhennyandrade no concurso das 100+ Sexy da VIP (e ela mesma divulgou a campanha do blog), apoiei aqui o tratamento da pequena Laura, menina paranaense de 8 anos que precisava urgentemente de um transplante de coração (infelizmente o transplante não veio a tempo: ao ser transferida pra SP pra fazer um tratamento mais intensivo ela veio a falecer); recebi algumas visitas de gente legal no Blog, como da Mona Dorf, do vereador Gilberto Natalini e do pessoal da Revista VIP. Mas, mais que tudo isso, consegui fazer desse blog meu espaço. Um quartinho onde posso me sentar e refletir sobre a vida, essa tão confusa mistura de momentos bons e ruins que faz de cada um de nós uma pessoa única.

Jhenny Andrade e Mona Dorf

Como eu digo numa das páginas do blog, sei que não terei aqui tantas visitas como nos outros blogs onde escrevo, tanto porque um blog pessoal não é tao atrativo. Mas aos poucos que me leem, espero poder ser claro, não o suficiente para ser entendido, já que nem u emesmo me entendo, mas para que você possa se identificar com algo do que escrevo aqui. Se pelo menos um dos textos que estão aqui fizerem alguma diferença na sua vida, já ficarei muito satisfeito.

Repito aqui o poema de Alvaro de Campos - heterônimo de Fernando Pessoa, que citei no primeiro post desse blog:
"Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?"

Abraço,

Weslley

A Suprema Felicidade


Abrindo minha serie de filmes para assistir em 2011, hoje vi A Suprema Felicidade, do Arnaldo Jabor. E não poderia ter começado melhor.

Uma família de classe média carioca em 1945 que tenta encontrar a felicidade. Paulo, com 8 anos, vê o casamento dos pais não ir muito bem. A mãe (Marina Lima), uma antiga cantora e ainda muito bonita, não pode realizar o sonho de continuar trabalhando porque o marido (Dan Stulbach), piloto de jatos, não a permite. A avó (Elke Maravilha), uma polaca ex-dançarina foge dos padrões de mulher pacata e recatada da época. O avô (Marco Nanini), funcionário público e o típico malandro carioca, toca trombone de vara nas noites cariocas. Paulo cresce, e aos poucos vai descobrindo a vida e o amor com as próprias pernas, enquanto vê a família se desmontar: a mãe passa a ter problemas mentais e ele se aproxima mais do pai, de quem sempre foi distante.

A Suprema Felicidade tem a cara do Arnaldo Jabor: um filme sem limites, que não tem o menor problema em tocar em assuntos complicados, indo da guerra ao amor em segundos, sempre com muito sexo e polêmicas em torno da religião. O resultado é um filme denso, com com cenas fortes e histórias muito profundas, mas altamente biográfico, contando a história do Rio de Janeiro e do próprio Jabor. Não é filme pra se assistir apenas para relaxar na poltrona do cinema e depois sair com cara de paisagem comendo o que sobrou da pipoca. É um filme que incomoda, que faz refletir, que impressiona. Não tem uma história específica: mostra a vida de um garoto que cresce rodeado pela vida carioca ao mesmo tempo tradicional e libertina: durante o dia reina a religião, os costumes familiares, mas à noite a vida boêmia toma conta da cidade. Marco Nanini, pra mim o destaque do filme, é o avô que aproveitou a vida e casou com a primeira prostituta que lhe ofereceu carinho, que vê o neto crescer e o acompanha com sua sabedoria de vida ("o amor é foda, meu filho, mas ame mesmo assim"). A Suprema Felicidade é um filme de saudades: saudade dos tempos antigos, da inocência antiga, do cinema antigo.

O elenco é um dos melhores: Marco Nanini (que pra mim se confirmou como um dos melhores atores do Brasil), Dan Stulbach (idem), Elke Maravilha (não sabia que ela é boa atriz assim...), Maria Flor, Jayme Matarazzo, Mariana Lima, entre vários outros.

Recomendo. Se prepare psicologicamente e vá ver o filme.

Veja o trailler:

Conselhos para o Primeiro de Janeiro

1 - 1 - 11

É muito "um" pra uma pessoa só. Primeiro dia do primeiro mês do ano. Primeiro dia da nova presidente, primeiro dia do novo governador de São Paulo. Primeiro de Janeiro trás uma sensação de coisas novas. Dá a impressão de que tudo vai mudar na vida da gente. A festa de Reveillòn, a meia noite do dia 31 para o dia primeiro, os fogos, os milhares de cumprimentos de ano novo, tudo nos leva a crer que tudo será diferente. Comemoramos, uns em casa outros na rua, pulamos sete ondas, comemos lentilhas, enfim, uma série de simpatias pra trazer coisas boas para o ano novo. É, com certeza, a madrugada mais agitada do ano.

Até que você amanhece.

Acorda e vê que tudo continua igual. A torneira que estava pingando continua a pingar, o chuveiro que só funciona na pancada continua precisando apanhar para esquentar, sua dor de dente está lá, os "pneuzinhos" na barriga continuam lá, a conta de telefone ainda está lá esperando pagamento, o quintal do vizinho continua fedendo a cocô de cachorro. Tudo continua tão igual como foi até o dia 31 de dezembro. Aí a gente pensa: de que adianta comemorar tanto uma virada de ano se tudo continua igual? Não adianta, você sabe: não vai emagrecer, não vai ler mais, não vai dar mais atenção à sua mãe, isso porque uma virada de ano não tem poder de mudar nada na vida de ninguém. Jogamos a responsabilidade da nossa vida a um ser que sequer existe: esse tal de "ano novo". Pra ser bem prático, a única coisa que muda é o calendário que você usava que pode ir para o lixo - ou para a reciclagem, por favor, né?. O "ano novo" se parece muito com o deus pregado nas igrejas: tem a responsabilidade de mudar a história de todos nós, mas aí você vê que nada muda e se decepciona. E vem o maldito pensamento: por que nada dá certo pra mim?

Talvez as coisas estejam dando errado porque você está "tirando o corpo fora" das suas responsabilidades. Se você não fizer o esforço de reeducar a alimentação e tirar essa bunda amórfica da cadeira você não vai emagrecer nunca. Se não tiver a devida força de vontade e procurar ajuda, não vai parar de beber ou fumar. Não é o "ano novo" quem vai te curar de nada. É você quem toma a iniciativa.

Por outro lado, todo começo é um recomeço (não sei onde li isso, mas li e achei legal). Um começo de ano pode servir de estímulo para mudanças. Mudou o calendário, e só isso. Mas porque você não aproveita e joga no lixo também seus vícios (o vício pode ir para o lixo...)? Que tal aproveitar que 2011 está começando e começar você também do jeito certo? Parar de gritar com a esposa, por exemplo? Brincar um pouco mais com seu filho? Entrar no quarto da sua filha adolescente e perguntar se ela quer companhia?

Bom, pode ser que você esteja lendo isso no dia 27 de abril, ou 14 de agosto, sei lá. Não vai esperar até 1° de janeiro de 2012 pra mudar, né? Comece agora, independente de ser ano novo ou não. Sempre dá tempo de mudar o que vai mal na vida da gente.

Bom, mas mesmo assim, pra não perder o costume: Feliz Ano Novo.