O Despertar da Primavera



Gostaria de compartilhar com vocês um musical que está em cartaz em São Paulo: "O Despertar da Primavera", adaptação brasileira da obra alemã e que tem a direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho. A peça conta a história de adolescentes do século 19 que começam a descobrir a vida, o próprio corpo, a sexualidade, a amizade, mas enfrentam grandes barreiras no moralismo da época.

Tenho um adjetivo para a peça, que apesar de bem desgastado, é o único que define o que penso: maravilhosa. Não bastasse o texto perfeito, elenco impecável e a lindíssima Malu Rodrigues, a peça mostra um bom gosto difícil de ver. Tudo muito bem ensaiado, cada detalhe muito bem pensado. Fica perceptível a preocupação que os produtores tiveram com a peça como um todo, desde a tradução até cenário perfeito. Tudo é muito perfeito na peça. Ao assistí-la, é praticamente impossível não se deixar envolver pela aura do mundo da encenação e entrar na peça, se emocionar com os amores e dúvidas de Wendla. Fica impossível não ter a vontade louca de aprender as músicas do Musical e cantá-las no dia a dia.



Recheada de cenas polêmicas, inclusive com uma que rendeu picuinha da Justiça, como comentei no Blog Novas Ideias, a peça mostra de maneira clara os dilemas da adolescência, o desejo sexual, dúvidas que todo adolescente tem, já que está conhecendo um mundo novo, descobrindo muitas coisas das quais ele apenas ouvia falar.

Se posso recomendar a vocês um musical com toda a qualidade possível, recomendo O Despertar da Primavera.

Bái

"Aproximação"


Assisti essa semana o filme "Aproximação", do competentíssimo Amos Gitai. Conta a história de Ana (Julliete Binoche), que depois da morte do pai descobre que sua filha Dana (Dana Ivgy), que ela pensava ter morrido no parto, está viva e morando em Gaza. Ana recebe da advogada que cuida do inventário a notícia da existência de Dana e ainda recebe a missão de encontrá-la na Faixa de Gaza e lhe informar sobre uma herana que o avô lhe deixou.

Como todo filme francês, "Aproximação" termina sem final; ao subirem os créditos ficamos com a cara de "ué", por não entender como a história vai terminar. Mas o objetivo de "Aproximação" não é mostrar uma história com começo, meio e fim, como estamos acostumados no cinema americano, mas mostrar tramas, nesse caso especialmente a vida dos judeus em Gaza. Costumo dizer que o cinema francês é um cinema de "meios", sem começo nem fim.

Como todos os trabalhos da competentíssima Jullieta Binoche, "Aproximação" faz refletir, se envolver, chorar junto com a protagonista, a mulher que de repente tem sua vida completamente mudada pela existência de uma filha que ela nao sabia sequer que estava viva.

Como eu disse, "Aproximação" não tem uma conclusão, um "final feliz". Talvez porque o final esteja nos noticiários, nas reuniões internaicionais, nos Conselhos de Segurança da ONU. Ou talvez porque o final da briga entre judeus e muçulmanos ainda esteja longe de acontecer.

Comprometimento com o Reino

Como é maravilhoso exercer a religião, a fé, sem imposição, baseado apenas no relacionameto puro e sincero entre Deus e os homens!

Essa é a sensação que tenho a cada culto da minha igreja, a Igreja Betesda. O culto de hoje não foi diferente. Como não pude ir à igreja, assisti pela internet - os cultos são transmitidos em tempo real - e mais uma vez senti meu amor por Deus ser renovado. A mensagem de hoje, baseada em São João 16:16-33, nos mostra um Jesus muito diferente do que as igrejas, sejam católicas, evangélicas, etc mostram. Jesus fala sobre sua morte, sobre sua ausência entre os discípulos e reflete sobre algo importante: o grau de comprometimento dos discípulos com o Mestre, o quanto estamos envolvidos com o Reino e quanto isso é importante para nós. Jesus faz os discíplos analisarem o quanto eles o amam e quanto irão sofrer por perdê-lo. Fala também da importância da companhia na hora da dor, e de como devemos repensar nossas prioridades, princialmente na nossa oração. Quando nossa prioridade passa a ser vista com base no sofrimento do outro, ela entra em um outro nível, e Jesus diz "peçam o que quiserem, e o Pai lhes dará".

Com certeza Jesus diria isso para São Francisco de Assis, que em sua oração disse:

Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Sem a hipocrisia nem a igrejice evangélica, desejo que nosso amor com Deus seja sempre aumentado, e que nosso comprometimento com Ele e seu Reino sejamsempre renovados.

Lula explica o mundo. Em hebraico

Opa, não, não é o Presidente Lula dos 9 dedos que nós temos aqui no Brasil. Na verdade, é uma piada feita num programa humorístico de Israel estilo CQC onde brincam com a imagem do Lula e sua tentativa de fazer "política diplomática" com o mundo.

Veja o vídeo:

Vida Passageira

Por duas únicas vezes, vi pessoas muito próximas a mim deixarem esse mundo.

Uma delas foi o Sr. Sidney, meu primeiro patrão que me ensinou boa parte do que sei hoje na vida profissional. Trabalhar com Sr. Sidney e a Silvana era melhor que qualquer faculdade: ou se aprendia ou "limpava o beco", como ele mesmo dizia. Sr. Sidney era mal humorado, carrancudo e botava medo em muita gente, mas o coração que se escondia por trás da barba cerrada ganhava a admiração de todos que o conheciam, mesmo levando "gritos" todos os dias... Sr. Sidney tinha algo especial: era cativante, mesmo colocando medo. Poucas vezes ria, mas quando ria era sincero, torcia pelo sucesso do outros, queria ver seus funcionários se darem bem na vida. Me lembro da vez que me pagou o primeiro salário, proporcional aos dias em que eu tinha trabalhado. Como eram apenas 3 dias, recebi uma quantia em torno de R$ 50,00. Ao me pagar o salário, ele me disse com sua voz grave e amedrontadora: "Aê, Weslley! O menor salário, hein? Podexá, logo o seu vai ser o maior salário daqui". E não é que isso aconteceu mesmo? Mas ele não viu. Sempre comentava com meus colegas que o Sr. Sidney e a Silvana eram modelo de casamento perfeito, mesmo sendo tão diferentes. Ela era sorridente e brincava com todo mundo. Era a "Sil". Ele... bem, deixa pra lá. Os mais chegados o chamavam de "barba". Os funcionários o chamavam de "seu Sidney". Sr. Sidney deixou a vida no dia 16 de fevereiro de 2005, vítima de um infarto fulminante.

A segunda pessoa resolveu nos deixar hoje. A Zenaide, com quem convivi durante meu tempo na Igreja Assembleia de Deus, foi amiga, ótima saxofonista de Banda de Música, componente exemplar quando fui maestro, pessoa especial. Era daquelas que cativam sem pedir muito, apenas a companhia dela era o necessário. Tímida, falava pouco, mas falava coisas certas. Dedicada, dava o sangue naquilo que se propunha a fazer. Sonhava em ter sua família. Zenaide nos deixou hoje, dia 18 de junho de 2010, vítima de falência múltipla de órgãos.

Não, não vou no enterro. Primeiro porque agora já não faz mais sentido. Ela não vai saber que eu estou lá, nem que eu torci o tempo todo pela recuperação dela, muito menos que planejava visitá-la no hospital, quando estivesse melhor. Além disso, não vou suportar o discurso dos crentes tentando achar uma "explicação" para a morte. "Deus sabe o que faz", "Deus preparou e levou", "Deus recolheu", "Deus poupou desse mundo" e por aí vai, sempre atribuindo a um suposto deus controlador a causa da morte. Prefiro lamentar de onde estou.

Sim, a vida é passageira. Eis a única coisa que nos diferencia dos animais: temos consciêcia de que vamos morrer. O pior: não sabemos quando; se será aos 130 anos, rodeado de tataranetos tricotando sapatinhos de bebê, ou aos 32 anos com os pulmões cheios de vida e no início da realização dos sonhos pessoais.

Como diz a música do Ira!, "chorar eu sei que é besteira, mas meu amigo, não dá pra segurar".