Sobre o Jardim Romano



Quem mora em São Paulo sabe que o título de "terra da garoa" deixou de valer por aqui há muito tempo. As antigas garoas finas e ininterruptas deram lugar a tempestades que alagam bairros inteiros.

Várias regiões de São PAulo sofrem com os alagamentos. Na zona sul, temos a Cidade Dutra, bairro de periferia co mdiversas casas irregulares que propiciam os alagamentos. Na zona oeste, temos partes de Pirituba e Jaraguá. Até a região central sofreu com os alagamentos, como vimos no túnel Anhangabaú. Mas uma região da capital ganhou destaque nacional nesse caso: o Jardim Romano e o Jardim Pantanal, no extremo da zona leste. Por serem região de várzea do Rio Tietê (região de várzea é a região planejada para receber o excesso de água do rio, em caso de grandes volumes de chuvas) essas regiões foram palco de alagamentos enormes, que resultaram em várias famílias que perderam todosos poucos pertences, já quese trata de uma região bastante pobre.



Como é tendência do ser humano, em casos como esses procuramos em primeiro lugar o culpado. Quem é o culpado nessa história? A atual administração da prefeitura, leia-se Gilberto KAssab, que inclusive foi hostilizaod em uma visita ao bairro. Sobre esse caso, vale se lembrar algumas coisas:

- Não foi a atual administração a responsável pelo povoamento da região; o bairro vem sendo povoado hámais de 20 anos, e todo esse tempo esse povoamento vinha sendo legitimado pelas administrações municipais, memso sabendo que era uma região de várzea;
- O condomínio popular que há na regiçao foi construído pela Caixa Econômica, que recebeu autorização de administrações anteriores da prefeitura, legitimando ainda mais as ocuipações irregulares;

- A atual administração vem tentando a todo custo tirar as famílias da região, providenciando o bolsa aluguel de R$ 300,00 ou a mudança da família para prédios da CDHU; na verdade, o governo do Estado já tinha um plano de desapropriação para a região, já que lá vai passar o Parque Várzea do Tietê, ainda em plano. As desapropriações só foram aceleradas;
- Muitas famílias reclamam não querer sair da sua casa própria para ter que pagar aluguel, ou ter de pagar mensalidades na CDHU. Sobre isso, convenhamos: uma pessoa que constroi ou compra um casa numa região de várzea, conhecida por alagamentos enormes, deve no mínimo estar ciente dos riscos que corre;
- Ao planejar um lugar para morar com a família, deve-se levar em conta vários fatores: o lugar tem ocupação legal? Corro risco de, no futuro, ter minha casa desapropriada? Moro em São PAulo e sei que aqui TEM lugares onde da pra se viver, mesmo com vida simples, mas con dignidade, sem precisar viver de áreas irregulares.

Estação Jardim Romano de trem CPTM


O que quero dizer aqui é o seguinte: não dá pra jogar a culpa de tudo na prefeitura. Não tenho qualquer motivo para defender a atual administração, pois não sou filiado ao DEM do Kassab nem muito menos ganho algo para falar bem dele aqui. Só acho que, como cidadão, algumas coisas nessa cidade precisam ser revistas. Pelo povo paulistano, que precisa ter mais consciência da cidade onde mora, mesmo sem ter nascido aqui.

Só depois da desgraça...

Não acredito na bondade do ser humano. Penso que todos nascemos maus e, ao longo da vida, desenvolvemos a bondade em nós ou aperfeiçoamos a maldade.

Certas bondades me causam receio. Bondades como a que estamos vendo em toda a parte do mundo com o Haiti. Sim, está sendo maravilhoso ver equipes de resgate de todo o mundo lutando e arriscando muitas vezes a própria vida para salvar pessoas num país até hoje ignorado.



Mas é exatamente aí que quero tocar. O Haiti foi, até hoje, um país total e completamente ignorado pelo mundo, assim como são ainda os territórios imundos da África. Haiti era a "toca de ratos" do planeta, o lugar que ninguém sequer citava. Mas a miséria e a drsgraça sempre fizeram parte da rotina dos haitianos, desde os tempos recentes de colônia da França, que usou e abusou da pequena península até não poder mais, quando simplesmente os abandonou à própria sorte. O Haiti já sofreu com ditaduras crueis, governos corruptos e com a miséria, em um país onde 60% da economia local é composta de doações internacionais, Ou seja, o Haiti é um país que vive de esmolas, do que sobra dos outros países.



E como diz o ditado, não há nada tão ruim que não possa piorar. Isso é uma constante no Haiti, e ficou provado com o imenso terremoto que o país sofreu no dia 12 de janeiro. Já estimam-se 200 mil mortos, além da capital do país, Porto Príncipe, estar quase totalmente destruída. Cerca de 70% dos prédios da capital viraram entulho, inclusive a sede da ONU no país e a sede do Governo Haitiano. Para quem já vive na miséria, mais uma desgraça para arrasar com a vida dos que sobreviveram.







Sim, as cenas são de chorar. A reportagem de Lília Teles no Jornal Nacional que mostrou o exato momento em que uma mulher grávida foi encontrada viva sob os escombros, depois de três dias debaixo de entulho sem água nem comida trazem lágrimas aos olhos de qualquer um. Sem falar nas pessoas que se digladiam na rua por uma garrafa de água, ou uma bandeja de comida. O que nós costumamos jogar pela lixeira e tratamos como sobras do almoço, os haitianos desejariam a todo custo, nesse momento.

Minha pergunta é: porque essa ajuda não veio antes? Poque só depois da desgraça o mundo resolveu ajudar o país? Lógico que a ajuda é válida, e ainda será pouco face ao desafio que os haitianos enfrentarão daqui pra frente. Será que se esse dinheiro tivesse vindo antes não teria sido possível planejar melhor o país que já está em uma região de perigo iminente de terremoto, já que sempre se soube que o Haiti está exatamente em cima do limite entre as placas do Caribe e as placas norte-americanas?

Agor o mundo se mobiliza para ajudar o Haiti. Lula prometeu US$ 15 milhões para lá, enquanto milhares de brasileiros morrem em filas de hospitais debaixo do nosso nariz. Mas acho que o pior foi ver o Lula dizendo que o terremoto foi uma injustiça. Injustiça de quem? Talvez de Deus, né presidente?




Agora todo mundo que queira ter sua imagem valorizada vai levantar fundos para o Haiti. Sim, independente da motivação, para os haitianos o que vale no momento é o que eles receberão de apoio. Mas encerro com duas perguntas: 1) Esse apoio continuará ao longo dos anos, já que o Haiti precisa de apoio para sua segurança, combatendo as pequenas guerrs civis que pipocam no país todos os dias? 2) O resto do mundo vai continuar na miséria? Talvez sim, ou qté que um terremoto arrase com outra parte do mundo.

Faço minhas as palavras de Castro ALves:
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!

(Navio Negreiro)

Música legal: Érika Machado



Quem me conhece sabe que tenho um gosto bastante variado para música. Acho que todas podem ser boas, dependendo da situação. Até mesmo os famigerados funks...

Mas minhas preferências são por músicas sem muita produção, de preferências de cantores que não tenham ainda caido nas graças da "grande mídia", já que acho que se a TV gostou, é porque a qualidade não é tão boa. Isso se aplica não só a música, mas a meus gosto por livros tambem.

Bom, falando de música, quero registrar aqui uma cantora que conehci a pouco tempo e simplesmente me identifiquei com suas canções de uma forma exclusiva: Érika Machado. Mineira de BH, Érika tem uma simplicidade nas letras de suas músicas e uma leveza em sua voz que cativa qualquer um.



Erika Machado tem conquistado bastante coisa, inclusive a parceria com Fernanda Takai (outra cantora que adoro), além de ter uma de suas músicas ("As Coisas") como abertura do seriado da TV Cultura Tudo que É Sólido Pode Derreter.

Sim, ouvi e gostei, e compartilho aqui que Érika Machado tem um talento diferente para música: sem muita produção nem muito "auê" da grande mídia, ela consegue um público seleto com músicas fantásticas.

Fica a dica!

Meu Best


Quem pode dizer que não um amigo? Pelo menos um? O amigo do trabalho, da facu, da rua, da balada, etc.

Mas será que são amigo de verdade? Será que sabemos realmente o que é ser amigo?

O brasileiro tem a tendência a corromper o valor das palavras, principalmente daquelas que carregam um enorme significado em si. Uma dessas palavras é "amigo". Uma pessoa que se conhece hoje e amanhã cumprimenta de novo vira "amigo".

Estamos na era do "simples assim". Qualquer um vira qualquer coisa, inclusive amigo.

Parece que as transações comerciais interromperam toda e qualquer possibilidade de se fazer amigos de verdade. Só se está na companhia de alguém se ela tem algo vantajoso a te oferecer, seja dinheiro, uma boa indicação de balada ou um beijo gostoso. Caso contrario, tchau! Um amigo, hoje em dia, é na verdade um "networking", aquele que vai te indicar pra um emprego e pra quem você fica devendo favores. Amigo é aquele que te arruma uma garotas pra beijar na balada, ou que te apresenta pra um amigo gostosão. Amigo é aquele que te arruma algo, que te empresta, que te indica, que te mostra. Amigo é aquele que tem algo a oferecer.

Estamos trazendo a vivência empresarial para o dia a dia, e para a nossa vida.

Estou desenvolvendo um trabalho acadêmico para adolescentes, e, como venho analisando seu comportamento, descobri que eles não são tão inúteis como alguns dizem. Acho até mesmo que os adolescentes podem nos ensinar muita coisa. Uma delas é fazer amigos.

Adolescente faz amigo de verdade. Ou é amigo ou não é. Tem até um nome interessante para amigo, o "best" (em inglês, "melhor"), ou inventam, como o apelido carinhoso "bestizinha". Usam uma palavra de enorme significado para mostrar o que sentem pelo amigo. É como se dissesem: "você é a melhor pessoa pra mim".

Amigo adolescente é aquele com quem se conversa na aula a manhã inteira (para o horror dos professores), com quem se sai a tarde para "fazer trabalho de escola", e a noite conversa por Messenger, ou MSN.

Amigo adolescente faz qualquer coisa pelo outro, até arriscar a própria vida, como a Nayara, que ariscou a vida pela amiga Eloá. Lembra? "Minha amiga estava lá dentro, eu não podia deixá-la lá", foi o que Nayara disse em depoimento à Polícia.

Amigo adolescente é aquele com quem se desabafa, pede conselhos, mesmo que o outro não tenha o menor conselho para dar, mas só o fato de trocar experiências e confidências cria um elo entre os dois, que se sentem cúmplices de algo que os pais nunca saberão que aconteceu, desde um beijo até a primeira relação sexual - a "primeira vez".

As meninas são mais presas em amizade. Homem parece que desde cedo aprende a se virar por sí só, sem precisar muito de amigos. Mas quando fazem amizade, a levam para o resto da vida.

Amizade adolescente é muito diferente da amizade adulta.

Adolescente não procura algo de vantajoso no outro, mas oferece algo bom de si.

Como eu disse, parece que os adolescentes não são tão inúteis assim.

Estamos em tempos que precisamos inverter algumas coisas. Parar de tentar ensinar e aprender um pouco.

Como dizia Saint Exupèry, "os homens acostumaram a comprar tudo pronto nas lojas. Como não existe loja de amigos, os homens não tem amigos".

Melancolia e decepção

O que a gente pode ser na vida? Dá pra traçar planos, seguir metas pre-estabelecidas?

Vejo pessoas que sonham em ser isso, ser aquilo, rejeitam ofertas por estar "fora daquilo que planejou".

Mas muitas pessoas, ao planejar sua vida, se esquecem de uma simples palavrinha: imprevistos.

Acho que a vida é regida pelos imprevistos, ou seja, não dá pra planejar nada, nãosabemos o que irá acontecer.

Se planejo ser engenheiro, pode ser que a construção civil saia de moda.

Se planejo ser rico, a crise pode vir e acabar com tudo.

Se planejo casar, pode vir uma situação e romper o relacionamento.

Se planejo ser pai, pode ser que minha esposa não possa ter filhos.

Se não quero viver muito, posso chegar aos 100 anos desejando morrer.

Se quero viver muito, algo pode me tirar a vida cedo.

Se planejo morar no interior, pode ser que encontre algo que me prende na capital.

Se pretendo ficar pra sempre na capital, pode ser que uma boa oportunidade me surja o interior

E aí? Um "plano B" não é necessário?

O Livro "Quem Mexeu no Meu Queijo", que li esses dias, muito bom por sinal, fala exatamente disso. Da acomodação nos sonhos. As pessoas pensam ter chegado ao ponto final, à concretização e descansam. Aí surge o tal imprevisto. O que fazer? Esperar voltar ao normal ou procurar uma nova saída? Foi isso que os dois ratinhos do livro fizeram: quando virma que acabou queijo, foram procurar queijo novo e fresco. Ao passo que os dois homenzinhos ficaram lamentando a falta do queijo e passando fome em sua confortável casa.

Não falo que uma pessoa deva viver sem perspectivas. Deve sim ter desejos na vida e lutar, mas estar preparado caso o que se sonhou não se cumpra, ou seja, sonhe, mas não se prenda aos seus sonhos, pois você pode acordar.


Se existe uma palavrinha que já gerou confusão nesse mundo de meudeuzo, essa palavra é Fé. Todo mundo fala em fé. Todo mundo tem fé. Mas há os que afirmem não ter nenhum tipo de fé. Há os que acreditem que são independentes de fé e que pensam por si sós.

É comum associar quem diz ter fé a uma "mente fechada", e quem diz não ter fé a uma "mente aberta". Há os que que acreditam que não precisam da fé, que não acreditam em nada e que sabem viver assim.

Ai nasce uma pequena confusão: o que é fé?

Fé é acreditar em algo. Em qualquer coisa. Se eu acredito que um dia o Lula vai sair do governo, eu tenho fé nisso. Todos tem fé, pois todos acreditam em algo.

Mas e os que dizem que não acreditam em nada? Eles acreditam nisso, não é? Acreditam que não precisam de fé. Ou seja, tem fé na falta de fé! Complicou?

Brasileiro adora ter fé. Mesmo os que se dizem "cabeça aberta" e afirmam não ter fé em nada. Eles tem fé sim, fé na sua descrença. Ou seja, não tem como alguem dizer que não tem fé. Todos tem fé em algo.

E onde está nossa fé? Em que acreditamos?

As vezes temos fé em algo que nem sabemos direito o que é. Ou temos tanta fé em algo qu eaceitamos aquilo como verdade absoluta. Simlesmente acreditamos.

A fé pode decepcionar. Podemos passar a vida toda acreditando em algo que não faz sentido, há os que só descobrem isso no dia da morte. Há os que acreditaram que um metalúrgico mudaria o país, e se enganaram. Também há os que acreditam que a solução será o dia que tivermos um carequinha encurvado. Prefiro não crer nisso também.

Crer que certas coisas na vida não podem nunca ser mudadas é ter uma fé engessada. E um dia essa fé pode decepcionar. Esse tipo de fé é como estar por trás de um muro. Ninguém entra e ninguém sai. Se tirar um tijolo o muro fica comprometido. Assim é a fé de muitos. Uma fé que não pode ser mudada, a "fé inabalável".

A fé cristã é assim, uma fé engessada. Quem acredita na fé cristã tem de acreditar do jeitinho que ela foi ensinada por outro, senão é taxado de "herege". "Deus não muda", e assim a fé nEle também não pode mudar também. nem nada doque se acredita. Será?

Lutero não pensava assim. Por isso contestou certos conceitos da época e foi tido como herege. Criou uma igreja reformada, com novos conceitos, novo jeit ode ver a fé cristã, uma nova fé.

E depois dessa reforma, surgiram muitos que disseram mudar algo, mas apenas mudanças superficiais: como Deus cura, como orar, como se vestir e etc e tal. MAS as mudanças principais na fé critã ninguem ousou fazer.

Nos comportamos hoje como os católicos alemães do seculo XVI.

Inquirimos quem se habilita a repensar a fé.

Quantos Galileus já tiveram sua honra queimadas no Brasil e no mundo, apenas por contestar?

Mas, vamos pensar uma coisa: quando Jesus veio ao mundo, veio pra quê? O que elefez aqui? ele foi um judeu zeloso que guardava o sábado, fazia sacrifícios, e etc?

Ele não veio pra repensar a fé em Deus? Não veio pra questionar algumas coisas importantes da Lei de Deus?

Ele mudou a forma como a fé era vista. Criou um novo jeito de se aproximar de Deus. E morreu como ladrão. Depois Lutero repensou outros conceitos e foi excomungaoda Igreja. E mais ninguém fez nada.

Conceitos cristãos nunca podem ser contestados, senão se é queimado na inquisição evangélica atual. Não, não estou falando de fogo nem de estaca, nada disso, a inquisição intelectual e pessoal, onde a pessoa que questiona é execrada do meio.

Então vou correr o risco de ser inquirido.

Pois há certos conceitos cristãos que precisam ser revistos, repensados, reavaliados, e é bom que assim seja, pois a Palavra de Deus não é "viva"? Tudo que é vivo se transforma, se renova.

A doutrina da Trindade, por exemplo. Sabemos que Deus é um, mas ao mesmo tempo é três, revelado em Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é um, mas três, e disso não duvido. Mas nem sempre se acreditou assim. Por um bom tempo a doutrina da Trindade não era aceita. Na verdade, nem existe a palavra Trindade na Bíblia. Nem Jesus nem os outros escritores bíblicos a usaram. Foi um conceito introduzido depois pela Igreja Católica, um conceito pensado, avaliado, e portanto, passível de ser revisto. É isso que a torna mais verdadeira, a possibilidade de ser repensada.

Outros conceitos podem ser repensados e discutidos, mas pelo menos por agora, prefiro não tentar fazer isso.

Mas, enquanto tentarmos uma fé engessada, corremos o risco de ter uma fé errada.

E eu achei que era só uma brincadeira de adolescentes.

Como seria se eu tivesse feito diferente naquela época?
E se eu tivesse levado a sério aqueles "eu te amo"?
E se eu parasse pra reparar as indiretas que você me deu?
Ah, se eu não tivesse achado queera apenas uma brincadeira de adolescentes.
Você queria, eu também.
Nossos olhos se encontravam, nossas mãos se tocavam.
E nossos lábios, que tanto queriam se encontrar, não o fizeram. Por que?
Tantas vezes eles se aproximaram, e nada.
Aquele "vou sentir sua falta" no dia da sua despedida, não foi em vão.
Aquele choro de despedida disse muita coisa.
Aquele abraço, quando passeava e me encontrou por acaso, disse muita coisa.
E eu não percebi.
Percebi agora, que já é tarde demais.
Você me procurou e eu não levei a sério.
Preferi me envolver em outra.
Outra, que me decepcionou.
Agora, não mais posso te ouvir me dizer que me ama.
Não mais posso te ver chegando mais cedo somente para conversar comigo.
Não mais verei seu sorriso único tentando esconder o nariz entre os olhos.
Lembra que você até me falava com que idade pretendia se casar? 26 ou 27 anos. Acho que era isso...
Ah, quantas tardes boas juntos.
Lembra de quando nós ficávamos sozinhos e eu começava a imitar os outros? Imitava professor, amigos... Aquela risada contagiante que você dava... Disse até que comentava sobre mim com suas amigas, lembra?
E eu, que arrumava qualquer desculpa, qualquer produto para levar lá, só para te ver.
Você também fazia isso, e a cada vez que trazia algo, pegava em minha mão e dizia que me amava.
E eu achei que era só uma brincadeira de adolescentes.
Lembra do presente que te dei no seu aniversário, mesmo depois que você se foi? Chamei uma colega pra me ajudar a escolher aquele urso de pelúcia feinho de doer. Cheguei lá e você não estava. Eta sacrifício pra tomar coragem e deixar o presente com sua colega!
Depois você me enviou o e-mail falando que adorou o presente. E eu me senti o cara mais realizado do mundo.
Quantas vezes falei que ia te ligar? Mas não liguei. Acho que você deve ter ficado esperando...
Hoje vejo como seria se estivesse com você. Como você está linda hoje! Está mais desenvolvida, mais mulher. Mas com o mesmo sorriso angelical (Só que agora metálico...) . O mesmo ar de autoridade que me fascinou.

Ah! Se eu tivesse prestado atenção nos sinais que você me dava!
E eu achei que era só uma brincadeira de adolescentes!

Prefiro fantasiar

Prefiro fantasiar a encarar a realidade.
Dizem que isso é coisa de autista.
Então me deixe autistar.
Ei, e não é que agora parei pra reparar que nunca vi um autista triste?
Todos eles tem aquele sorriso característico, quenós tomamos por "sorriso de doente mental"
Mas talvez seja porque eles não veem problemas.
Pelo menos no mundo deles.
Eles criam um mundo em que são felizes.
Em que são amados.
Em que tem amigos.
Nem sabem que são doentes, coitados.
Se sentem felizes.
E os loucos? Coitados, riem de tudo. Parecem tão felizes apenas por terem encontrado um objeto qualquer para dedicar atenção.
Aí aparece uma psicóloga imbecil pra falar pra eles que eles são felizes assim por serem loucos.
Só os pirados são felizes.
Os loucos criam situações que não existem.
Mas não só eles.
Também aqueles que, mesmo sendo sãos, tentam ser felizes mas não conseguem.
Até parecem felizes, mas quando olham a realidade, percebem que não são.
Percebem que tem compromissos a honrar, satisfações a dar, contas a pagar, dinheiro a ganhar.
Pra que?
Aí dá aquela vontade louca de criar um mundo próprio, onde se é feliz.
Onde se é bem sucedido.
E dizem que isso é ser louco.
Não é não, isso é desejo de ser feliz.
Se isso é, de fato, ser louco, então me deixe ser demente.
Prefiro fantasiar a aceitar que a vida é como é.

Espero que logo passe

Hoje acordei com vontade de mudar o mundo.

Fiquei com vontade de pensar em medidas que beneficiariam os menos favorecidos, ao mesmo tempo que que os faria ver que não são coitadinhos, que tem a mesma chance que outros.

Pensei em fazer algo para diminuir a poluição do planeta, como coleta seletiva do lixo, como descarte de pilhas e baterias em escolas públicas, em parceria com cooperativas.

Pensei em medidas de saúde pública e prevenção de gravidez indesejada, como palestras com amigos farmacêuticos em escolas públicas sobre primeiros socorros, DTS, métodos contraceptivos, e até mesmo distribuição de camisinhas em escolas, em parceria com os postos de saúde da região, ou quem sabé distribuir até anticincepcionais, tudo isso para evitar que meninas jovens sejam mães precocemente sem nenhum prepraro psicológicoe financeiro pra isso.

Ou quem sabe palestras sobre primeiro emprego, como se portar em entrevista, como agir corretamente, boas maneiras (é, elas não aprendem isso em casa).

Fiquei com vontade de entrar na política para representar a cidade como um todo, não apenas os menos ou os mais favorecidos. Queria poder resolver os problemas de habitação, principalmente dos que vivem em situação de emergência, em barrancos ou favelas, dando não apenas um mísero cheque-despejo, mas criando um serviço de habitação provisória, até que a pessoa consiga se virar com seu "cheque". Ou talvez pensar na reurbanização e repovoamento do centro da cidade, já que há 420 mil imóveis abandonados no centro, o que seria o dobro do suficiente pra resolver o problema de falta de habitação de SP. Repovoando o centro poderíamos esvaziar as favelas da capital, diminuir as distâncias casa X trabalho, incentiváriamos o comércio na região central, além fazer com que os paulistanos tenham mais contatos com a história e SP, tão presente no centro.

Fiquei com vontade de fazer com que as pessoas não tenham tanto stress durante o dia, tornando o dia a dia (tem hífen ou não?) delas mais agradável, como por exemplo humoristas nos faróis, abraçar todo mundo nos grandes polos comerciais da capital.

Se eu pudesse, pensaria num programa de distribuição de renda na cidade, mas não como o Bolsa-Família, com objetivos unicamente eleitorais, mas em um sistema onde os beneficiados teriam que prestar conta todos os meses de sua condição de emprego, e onde receberiam formação profissional pra qualquer área, para assim voltar ao mercado de trabalho. Além disso, o programa incentivaria jovens em idade escolar a não faltar na escola, e premiar os que tem boas notas escolares, com presentes - e não dinheiro - exclusivamente para as crianças.

Acordei com vontade de mudar o mundo mas, como sei que isso é impossível, espero que passe logo.

O que eu faço pra você me querer?

Se agora quero ver-te, somente por fotos.
Muito pouco pode uma foto refletir de você, sei.
Pois foto não reflete a tua respiração leve
Nem a doçura do teu sorriso leve, mas empolgante
Nem a delicadeza de teu rosto
Muito menos a maciez das tuas mãos
Mas, se quero ver-te, somente por fotos.
Você me ignorou de um modo tão fugaz
E o pior: sem eu saber o porquê
Simplesmente decidiu me ignorar de um modo assustador
Nem um oi
Um aceno
Nada
E eu aqui, a esperar mais um dia como aquele
Em que encontrei por acaso com você na rua
Mas tenho medo de encontros assim
Vai que você finge que não me conhece!

E, enquanto essas palavras me escapam entre os dedos,
Sinto uma pontinha de lágrima me escorrer dos olhos
Uma pequena e tímida lágrima que revela tudo que há no meu coração
O desejo de te ver
De te abraçar
De te chamar de minha.

Brinco com tua foto
Sorrio para ela
Imagino que os olhos brilhantes captados pela fria lente da câmera
São, na verdade, teus olhos ao vivo a me olhar e a me encarar
Que o sorriso que tenta escapar em meio ao uma expressão séria
É aquele sorriso que me cativa só de imaginar
Ah, doce sorriso que eu queria tanto ter para mim.

Por favor, me diz:
Tem algo que eu possa fazer para te ter comigo?
Peça qualquer coisa
Eu faço
Estou disposto a abrir mão de tudo, por você
Ou a abraçar tudo, por você
Viver teu estilo de vida
Ser amigo das tuas amizades
Nada me será difícil, se o resultado for sua companhia comigo
For teu amor
Diz: o que eu faço pra você me querer?

O início do princípio do começo

Começo hoje aqui meu novo blog. Muitos devem me conhecer já do Novas Ideias e do Pimentas no Reino, e agora reservo este espaço para minhas observações pessoais, meus momentos de encontro comigo mesmo.

Meu blog Novas Ideias encontra-se numa fase de reformulação, por isso minhas postagens mais pessoais, ou que reflitam meu dia a dia, minhas observações sobre coisas e situações serão colocadas aqui. Alguns poemas meus, nos meus momentos em que ataco de poeta, serão colocados aqui também. Já há alguns no Novas Ideias, e aos poucos, trarei todos pra cá.

Sejam muito bem vindos ao meu novo espaço.

Weslley Talaveira

"Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido comtodo o direit oa sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?"
Álvaro de Campos - Tabacaria